CAPITULO 35

20 4 0
                                    

Um silêncio ensurdecedor tomou conta do ambiente. Os olhares ao meu redor nem se quer piscavam; Theodore nem se deu o trabalho de virar para trás, seu corpo está paralisado, só consigo ver o movimento repetitivo de seus ombros devido a respiração acelerada. Estou extasiada, sem saber como dar procedência ao que acabei de dizer. Assim como o irmão, Gwen está na mesma posição, seus olhos assumem uma vermelhidão, juntamente ao seu rosto. Merda, ela vai chorar.

Filha? - o doce som de Julie cortou o gelo, me tirando do transe.

Ela me olha como se eu acabara de falar algo absurdo, sem fundamento. Caminhei em passos medianos até as meninas, de frente para Margot e seu filho.

— Como sabe? - a olho intrigada. Ela também sabe. Sabia. — Então é verdade. - suas falas vagam pelo local. Como um fantasma.

— Mãe? - Gwen se levantou e se colocou de frente para a mãe, sua expressão incrédula causou um certo desconforto na mãe.  — Jade, do que você ta falando? - ela me olha. Tento me aproximar mas ela recua. — Onde ele ta? - pergunta. Travo; eu não deveria nem ter falado.

— Gwen - gesticulo para que ela tenha calma, sinto um baque forte me empurrar para o lado e quando vejo é Theodore me impedindo de toca-la.

— AONDE ELE TA? ME RESPONDE! - ela perde a paciência e grita, automaticamente uma lagrima escorre dos meus olhos, me congestionando por dentro.

Margot tenta se aproximar dos filhos mas assim como feito comigo, eles recuam. Ambos estão, visivelmente, consternados, sem acreditar no que está acontecendo.

— No The London NYC. - murmuro com a voz embargada.

A Srta. Rivera parece chocada com minha resposta, a mesma leva a mão ao peito e sua feição firme se desfaz, ela e toda família se desmoronam em lagrimas. Sem mais palavras, Theo abraça de lado a irmã e a guia até a porta. Em um só golpe, Margot puxa sua bolsa do sofá e sai marchando atrás dos filhos. Assim que a porta se bate atrás deles minhas pernas falham, fazendo meu corpo desmoronar no chão. Me sinto a pior pessoa do mundo, olha o que eu disse, sou idiota. Só penso em mim. SÓ EM MIM. Eu poderia ter deixado o panaca do Theodore abrir a boca e me fuder, ou, literalmente, me fuder mas não, joguei uma bomba e feri todos ao redor. A partir de hoje, eu me declaro ser uma terrorista. Jade bin Laden.

•••

O dia pareceu não passar, as horas ficaram longas, o céu teimava em escurecer e por fim, acabar. Meus dedos já estão dando câimbra de tanto ligar o celular, numa intenção de que ela me mande uma mensagem ou ligue. O Sr. Rivera, com certeza irá me procurar pra tirar satisfação e eu não estou nem um pouco afim de abaixar a cabeça pra ele novamente.
Por um lado eu sinto que fiz o certo, de maneira errada mas fiz, por outro, acho que me intrometi e acabei metendo os pés pelas mãos, desobedecendo um pedido e agindo pela emoção – desespero.

Agora não quero sair do quarto enquanto eu não tiver notícias do catástrofe que causei. Por mais que meus país digam que foi o melhor a se fazer, eu não aceito a ideia.
Parece que a manhã de hoje foi um aviso de que seria a última, de que eu, definitivamente, teria que botar um ponto final em toda essa gracinha em que me meti, que me meteram.

Como vai ser a vida dela depois disso? Será que eles vão, por fim, ter uma vida "completa"? A Gwen vai curar essa ausência e essa busca por atenção? São tantas perguntas que me faço. Tudo tão incerto. Imagino como ta sendo pra ela, como foi e ta sendo a reação dela agora.
A Margot sabia, minha intuição não falhou ao achar que a mesma voltou por suspeitas e que suas viagens pelo mundo eram em busca do, então falecido marido. Não sei se devo julga-la por tal ato, talvez ela buscaria provas concretas para não criar esperanças nos filhos e, sei la, por fim descobrir que tudo não passou de um surto mental. Pena que talvez os filhos possam não enxergar e entender dessa forma.

O DespertarOnde histórias criam vida. Descubra agora