CAPITULO 49

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Não me recordava como era ruim acordar tão cedo pra algum compromisso. Na hora marcada, Sebastian buzinou e o surpreendente foi o fato de que não era seu motorista real mas ele próprio com seu carro, aquele que eu entrei e nele causei o alvoroço. Momentos. Não me emperiquitei, vesti o básico do básico; calça jeans skinny de lavagem clara, uma blusa branca lisa, uma sandália ala nude e minha bolsa preta de couro da Chanel. Simples porém sofisticado. Mood de domingo. 

Dois fatos impressionantes que eu preciso ressaltar é que: Sebastian não me levou a um restaurante de luxo, algo sofisticado, ele me trouxe para o seu hotel que, surpreendentemente, não é o Plaza Athénée, o hotel em que as pessoas mais altas da elite, como famosos, realeza, etc se hospedam. O príncipe da corte italiana escolheu o The Beekman A Thompson Hotel como seu "lar" provisório. Não o julgo, é uma boa escolha. É vinte minutos da minha casa até seu hotel, viemos conversando sobre sua vinda para cidade, o que resultou em um convite para conhecer a Itália e o seu verdadeiro lar. O castelo da família Montanari.

O brunch foi preparado em uma parte do hotel que é como um rooftop, o local foi "alugada" para Sebastian no dia de hoje, o que me deixa zero surpresa, até porquê ele é um dos hospedes mais importantes do hotel, de acordo com o próprio cheff do hotel, o Tom Colicchio. Na mesa, o cardápio mais diversificado de toda a América, pães, do italiano ao australiano, panquecas, waffles, ovos de todos os jeitos, sanduíches, petiscos, bolo de frutas e bebidas variadas. O clima está super favorável para um brunch ao ar livre. Dizem que agosto é o melhor mês em relação a clima, pela chagada do outono, o começo do mês é bem quente, o que é bom já que o aniversário da Gwen cai exatamente no inicio/meio - dia 15/08.

— A Gwen te convidou pra festa dela sábado? - perguntei enquanto petiscava uma panqueca com mirtilos.

— Sim. - ele me olhou atento. — Nem tava querendo ir - franzi o cenho intrigada — muitas pessoas, mídia, queria evitar, por enquanto. - deu de ombros, assenti em forma de entendimento.

— Então você não vai?! - o olhei de rabo de olho.

Não que eu quisesse que ele vá mas seria bom, pra não dizer interessante. Sebastian se aproximou de mim em uma velocidade, consideravelmente rápida, fazendo com que eu deixasse minha blueberry cair no chão com o susto. Ele me olhou com malícia, revirei os olhos para ele e então o mesmo sorriu.

— Você quer que eu vá? - ele fez movimentos com a sobrancelhas as levantando e abaixando repetidas vezes. Ri com sua expressão e empurrei seu ombro para longe. — Pode dizer. Meu charme real te encantou. - quase engasguei com a pequena frutinha devido a gargalhada alta que soltei.

— Você é ridículo. - apontei para ele, seu sorriso convencido se expandiu e ele se recostou no sofá como um rei. Presunçoso. — Só seria interessante se você fosse. - dei de ombros, fingindo indiferença.

Sebastian continuou com seu sorriso metido nos lábios, porém, junto a ele, um olhar malicioso surgiu em sua face. Um Deus. Novamente ele se aproximou de mim, seu corpo deslizou sobre o estofado imaculadamente branco e parou quando encostou seu quadril no meu. O olhei de rabo de olho sobre meus ombros, ele continuava com aquele olhar de "você me quer lá" "sei o que você sente" como se fosse me possuir. Queria, confesso, mas só de pensar na vergonha daquela noite, meus desejos e tesão somem, broxo. Estiquei meu corpo para a mesa e peguei um copo de chá gelado de pêssego e o beberiquei.

— Eu vou. - Sebastian disse quase num sussurro, bem próximo ao meu rosto. Cada poro do meu corpo se arrepiou.

Ta. - dei de ombros novamente.

Coloquei o copo sobre a mesa e antes mesmo da minha mão voltar em direção ao meu corpo Sebastian segurou meu rosto com uma de suas mãos me puxando para um beijo, levei as minhas até seu pescoço e o acariciei enquanto minha língua percorria toda a extensão de sua boca, dançando em um ritmo perfeitamente sincronizado. A ultima vez que senti uma sincronia tão perfeita em um beijo assim foi com Zach, ele me fazia sentir nas nuvens com um só beijo e Sebastian ta nessa mesma linha, é gostoso, prazeroso estar com ele e conectada de forma carnal. É estranho. Talvez essa coisa de alma gêmea não exista, essa parada de sentir "choques", "fogos de artificio" quando beija seu amor verdadeiro seja uma criação de pessoas que ainda não caíram na realidade, assim como eu cai, muitas vezes. Existem pessoas compatíveis, só. E pelo visto, sou bem compatível com o Sebastian, acho ótimo.

•••

Os convidados foram chegando, não pude nem dormir na minha própria casa, Gwen insistiu que eu recepcionasse seus convidados junto com ela. A equipe havia contratado um DJ bem famoso na cidade, chamou alguns jornalistas que se misturaram bem em meio aos outros convidados, hoje é um bom momento para que eles lucrem com algum babado da alta sociedade de nyc. Hoje tudo é permitido, é a lei número um.

Gwen está perfeita, sua equipe a embelezou como uma sereia, o biquíni que encomendamos ficou perfeito, tanto nela quanto em mim. O cabeleireiro fez um rabo de cavalo desconstruído com algumas ondas no cabelo de Gwen, dando um charme ao seu loiro natural, por cima do biquíni vintage desenhado para ela, a mesma jogou uma saída de praia branca com amarração na frente, ficou perfeita, uma bela anfitriã. Eu inventei algo que jamais havia feito, o hairstyle da equipe propôs um acessório diferente para mim, uma faixa, tipo turbante em meu cabelo, ficou como uma headband, bem na frente da cabeça e os fios ficaram cacheados, bem natural. Por cima eu optei por um blusão, tipo social, branca, simples.

O sol está brilhante e perfeitamente quente, não escaldante mas quente. Tudo como ela queria, como sempre. Todo ano o clima coopera com suas festas, isso a deixa feliz, isso me deixa feliz. A música tocando ao fundo coincide com todo o ambiente festivo; Jonas Blue - Perfect Strangers. O toque, a remixagem do dj faz todos sacudirem seus quadris e bebericarem seus drinks tropicais preparados por uma equipe de barmens semi nus. Passo por eles e pego minha bebida. O clima me trás uma sensação nostálgica, feliz. Gwen está vagando de um lado para o outro, pulando como uma gazela, abraçando todos que ela vê entrando, ela quase entra pra dentro do corpo esmirrado de Cheryl quando ela a vê pisar na entrada da festa. Fui até elas e nos abraçamos, Gwen está explodindo felicidade e gratidão, e eu mataria a pessoa que, por um segundo se quer, ouse tirar isso dela hoje.

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