CAPITULO 44

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— Se essa garota morre, você ta fudido garoto!

— Para de me encher, caralho! Vai dar certo.

Senti minha cabeça latejar e meu estômago embrulhar. Merda! O que tá acontecendo? Meus pulmões parecem querer explodir com a força que estou exercendo sobre eles. Abri meus olhos lentamente e vi os quatro meliantes parados conversando ao pé da minha cama; to me sentindo num banquete, a diferença é que eu sou o prato principal prestes a ser devorado. Ainda com os olhos semi abertos, olhei fixamente para Steven, ele está apreensivo, ombros tensos e roendo as unhas. Desgraçado. O "mãos leves" o cutucou e ele se virou para mim, seus ombros caíram assim como suas mãos, ele sorriu. Ele está sorrindo para mim? Como esse lixo consegue ser tão desumano? Carter caminhou até mim parando ao meu lado, tentei me mexer mas minhas mãos travaram e quando subi meu olhar percebi que eles estão amarradas. Merda! O xinguei mentalmente.
Ele passou as mãos pelas minhas pernas nuas e num reflexo o chutei, Carter flexionou o maxilar e seu olhar caiu para sua perna aonde eu acertei. Me encolhi mais a cama e então um dos outros caras, o que me abordou, parou ao meu lado e segurou com força o meu cabelo. Gritei e mais uma vez acertei um chute em Steven que segurou minhas pernas, se levantando e parando seu olhar acima do meu.

— Fique quieta e colabore! - falou ríspido.

Meus olhos se encheram de nojo e raiva, meu corpo absorveu todas lagrimas e exalaram ódio. Num ato instintivo, cuspi em sua cara e sorri. Senti mais um puxão em meu cabelo e olhei para o cara de rabo de olho. Ele só pode ta achando que meu cabelo é elástico. Praga! Tentei me esquivar mas seu puxão me fez recuar.

— Vá puxar o cabelo da sua mãe, seu bosta! - gritei lhe dando uma cotovelada na coxa. Ele abaixou seu corpo com a dor, soltando meu cabelo. — Melhorou, obrigada. - voltei meu olhar para Steven que está furioso.

— Só preciso que colabore, Jade. - falou com calma, arqueei minhas sobrancelhas. — Estou falando sério, não queremos te machucar, eu só preciso que tudo saia conforme combinado. - inclinei minha cabeça indutiva, sem entender.

Carter se levantou juntamente com o "cabeleireiro" – o mandante – e gesticulou para ele me deixar. Agradeci mentalmente por aquilo, eu ficaria careca, inferno. Respirei fundo e me ajeitei sobre a cama, me encostando, meio sem jeito na cabeceira fria de ferro. Com apenas um gesto, Steven mandou os outros caras saírem do quarto e eles, assim fizerem. Lixos! Os acompanhei com o olhar e quando o último saiu lhe soprei um beijinho irônico.
Steven puxou uma cadeira que estava ao canto do quarto e a colocou ao lado da cama; ali sentando, ele ficou longos minutos me analisando, coçando a nuca e olhando pro teto. Perturbado. Meneei com a cabeça, induzindo ele a dizer algo.

— Preciso pagar esses caras, - suspirou fundo — sequestrar você foi, juro que foi, a última das saídas que pude pensar. - soltei uma gargalhada sarcástica.

— Você é doente, patético, um monstro. - cuspi as palavras em sua cara.

Seu rosto caiu sobre suas mãos, ele balançou sua cabeça repetidas vezes em negação e então a levantou me olhando, com um sorriso de canto a canto, como um psicopata. Estou com medo. Apavorada. Jamais ele me olhara dessa forma. Como um louco.

Você me tornou um doente. - murmurou, com os olhos fixos nos meus. Estremeci. — Eu era mais dependente de você do que imagina, Jade. - suas palavras conturbaram minha mente.

— Você me adoeceu - Carter se levantou arrastando a cadeira me assustando.

— CALA A PORRA DA BOCA E ME ESCUTA! SUA VADIA! - gritou.

Meu rosto se esquentou e todas aquelas lágrimas que achei que meu corpo tinha absorvido, veio, por fim, a tona, inundando meu rosto. Meu nariz arde como se tivesse jogado um jarro de água com sabão dentro das minhas narinas, meu olho queima e dessa vez por angústia. Me fundi dentro de meu corpo, em posição quase fetal, com os braços amarrados, totalmente vulnerável a fúria do, real mandante do meu sequestro e agressão ao meu pai. Meu pai...eu quero meu pai.

O DespertarOnde histórias criam vida. Descubra agora