CAPITULO 43

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Fechei a ultima mala que faltara para que meu pai a descesse e colocasse no carro. Guardei alguns produtos – cremes, desodorante, perfume e maquiagens – em minha necessaire.
A desculpa esfarrapada que eu encontrei de dizer a Gwen sobre minha "viagem" a Espanha foi de que meu pai precisara de uma ajuda em sua filial e que eu daria ele esse suporte, o representando; nos encontraríamos em menos de uma semana já que ela, junto com toda turma iria fazer uma visita depois do convite de Diego. Então será nesse momento em que eu contaria a ela tudo, não havia como ela ir embora, fugir daquilo, não lá.
Hoje, por incrível que pareça, a rua está bem movimentada, o que torna meu bairro estressante com tantos barulhos de carros e motores de motos; tem uma em específico que não para de passar por aqui. Quando desci pra colocar minha bolsa no carro, uma moto passou quase voando pela rua e parando duas casas a frente da minha. Em plena segunda feira as pessoas estão agitadas.

Entrei novamente para dentro de casa pra despedir mais uma vez de Julie e Emma, no achar delas eu só iria para Espanha para turistar e logo voltaria. Eu não diria a minha família que moraria lá ou que, sei lá, ficaria uns meses, não gostaria de ter que ligar para eles no meio da noite e dizer que tudo fracassou; melhor que, um dia, eu volte por simples fato de ter "conhecido" tudo por lá do que por não ter dado certo a minha "nova jornada". Seria humilhante, mais uma vez.

Julie está em prantos como se, de fato soubesse meu real motivo de ir pra tão longe. Emma agarrou minhas pernas e choramingou, implorando que eu a levasse. Me agachei a sua altura, peguei em seu lindo rosto tirando de lá uma mecha de cabelo e colocando atrás de sua orelha.

A Jade volta logo logo, está bem? - ela assentiu limpando as lágrimas com o dorso de suas mini mãozinhas. — E quando eu voltar, te prometo levar aonde você quiser. - sorri. Emma retribuiu o sorriso e me abraçou forte.

— Você vai ficar bem, filha? - Julie caminhou até mim e eu assenti.

Melhor que isso, amor. - meu pai a abraçou de lado. — Ela vai ser feliz.

Como uma daquelas cenas de filme clichê, eles se reuniram e me abraçaram forte, como uma, real, despedida. Lágrimas escorreram dos meus olhos enquanto eles me abraçavam e diziam o quanto iam sentir minha falta. Mamãe, antes que eu saísse, me entregou uma lancheira – não infantil, ok – com alguns lanches para eu fazer no avião, lanches veganos, típico. A abracei pela última vez e sai entrando no carro.
Enrico conferiu o taque que, aparentemente, está ok, conferiu tudo e deu a partida. Meu pai insistiu em me levar, alegando querer ter a prova de que Zach iria cuidar de sua filha enquanto estivesse longe dele.

Depois que voltamos de Hamptons, Enrico me contara sobre a promoção de Zach e que o mesmo não aceitara pois voltaria a Espanha. Por mais que seu funcionário tenha infringido algumas regras básicas sobre ética no trabalho, meu pai propôs a ele que trabalhasse na Sense psychology Corporation espanhola, não como um estagiário mas sim como um funcionário Sênior, ou seja, um cargo mais alto que ele iria conseguir aqui na cidade. Eu brilhei de alegria com soube e então meu pai soube que havia feito o certo. Ele também soubera de tudo, não da pra esconder as coisas de um ser humano formado em ler pessoas; talvez ele soubera que minha ida para Espanha era, provavelmente, sem retorno, não tão cedo.
Com esse gesto, pude notar, mais uma vez, que meu pai priorizou mais minha felicidade do que a reputação de sua empresa em contratar um estagiário que se envolvera com uma paciente. Assim como eu e Zach, Enrico manteria o sigilo até as coisas se acalmarem.

No domingo, assim que pisei em Nova York fui direto ao apartamento de Vincent, não suportaria magoa-lo. Não de forma errônea. Ok que eu já não estou agindo da forma mais correta, o trai, tenho a plena consciência disso e por isso terminei tudo. Sem dar espaço para reconciliação. Fui tudo bem amigável, acho que ele também esperava que isso acontecesse pois o mesmo agiu de forma serena. O casal sente quando não há mais química, quando esfria.

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