Nicolette limpou mais uma lágrima com o lencinho branco que seu pai lhe emprestou, encarando a irmã com os olhos chorosos. Sem poder acreditar que depois de tudo o que viveu, sua vida voltaria a ser como antes.
-Você vai poder me visitar quando quiser, Nick. -repete Becker.
-De ano em ano? -murmura Nicolette.-Moramos longe! Muito longe! Um oceano inteiro nos separa!
Justine revirou os olhos, se acreditar no tamanho do drama daquela francesa.
-E por que não posso ficar com você? -indaga.
-Pergunte isso ao seu pai. -diz Lizzie, lançando uma breve olhar ao general.-Ele acha que não sou uma boa influência pra você.
-Eu acho que as duas deveriam voltar.-corrije o general.
-Não fale como se ainda tivesse algum poder sobre a minha vida, general.
-Você é minha filha. Tem o meu sangue, não pode negar isso! É uma Austen!
-Sou uma Becker. -corrijo. -Uma Becker livre e desenpedida.
-Vamos ver por quanto tempo.
-Sei que você tentou falar com as autoridades sobre isso...tenho meus contatos, e também sei que não obteve nenhum resultado, não é?
-Ainda vou conseguir, perante a lei tenho meus direitos como pai!
-A lei da França. Na américa, as coisas são diferentes. Não digo que eles são totalmente evoluidos, mas pelo menos não guardam pensamentos tão antiquados quanto os Franceses.
-Você é francesa.
-Não é isso que diz a minha identidade.
-Podemos deixar essa despedida mais agradável? -intervém Nicolette. -Chega de brigas! Não aguento mais vocês dois discutindo o tempo inteiro! Podem esquecer tudo isso pelo menos agora?!
-Ela tem razão. -suspira Aneurin. -Não vamos nos ver...talvez...por meses...então não quero sair daqui brigados, ta?
-Não espere o meu perdão.
-Não estou pedindo. Só vamos evitar brigas.
Lizzie movimentou a cabeça, concordando. Ela também não queria passar o resto daquela despedida com brigas.
-Vou poder passar o próximo verão aqui, papai? -indaga Nicolette.
-Não acho que...
-Mesmo se for com a Pietra?
-Bom...podemos pensar. -murmura, finalizando o assunto por ali. -Precisamos ir, Nicolette. O nosso barco vai sair em meia hora...ainda tem um longo caminho até o porto.
-Mas já? -enrrugou o nariz, decepcionada.
Becker abraçou a irmã mais uma vez, certa de que também sentiria falta daquela pirralha. As coisas seriam bem mais fáceis se ela vivesse ali, exatamente na mesma terra que Elisabeth.
-Julie...vou sentir saudades...
-Eu também, Nick. Vamos nos ver em pouco tempo...Não precisa ficar assim!
-Passamos anos longe uma da outra, dois meses não foi o suficiente para recuperar o tempo perdido.
-Mas agora a gente tem a vida toda. Você sabe onde estou, e eu sei onde você estar. Nada mais pode nos separar. -sorriu um pouco, acariciando o rosto da irmã.
Nick se afastou um pouco dela, enxugando as lágrimas no lencinho que já estava mais do que humidecido.
-Vamos. -decreta o general.
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Agent Becker
AksiyonElisabeth, uma moça independente numa época totalmente machista que luta pelo reconhecimento do seu valor dentro de uma das mais secretas organizações do governo, a OSCU. Afastada da família após fugir aos Estados Unidos em busca da liberdade, aos p...
