Conflito e responsabilidade

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As luzes das estrelas iam ficando cada vez mais fortes conforme as da cidade se afastavam. Até a última estação, era uma jornada de mais que uma hora, na qual não conseguiram ficar sentados mesmo o vagão estando já vazio. Izuku se perguntava como o colega ao lado podia manter um semblante tão sólido depois de todo o acontecido durante aquele dia. Apesar da figura dele próprio e a de Shoto serem as únicas visíveis através do espelho que a janela formava, sabia que não estavam sozinhos, por isso lutou para não corar quando seus olhos se cruzaram pela já agora quinta vez.

Respirou fundo e focou-se no que estava por vir. Tudo o que tinham de informação prática era o destino enviado por mensagem e uma foto do colega em um lugar escuro com chão de cimento. Estavam se jogando diretamente para uma armadilha com a única esperança de conseguirem derrotar o mesmo homem que quase os havia matado há menos de duas semanas.

Suspirou. Talvez ter trazido Hakagure não havia sido má ideia, afinal, considerando que qualquer plano que poderia imaginar contava com esse elemento surpresa. No entanto, alguma coisa dentro de si parecia pesada. A noção de que aquilo tudo era sua culpa por ser o alvo primário do vilão e que estava arrastando cada vez mais colegas para essa bagunça o incomodava. A essa altura, Izuku sentia que já deveria ser capaz de estar mais próximo aos feitos de All Might e resolver seus próprios problemas.

Desceram em uma estação pequena e quase vazia, procurando não atrair olhares curiosos, e se dirigiram para a única saída. Assim que colocaram os pés na calçada, os celulares vibraram ao mesmo tempo. Com o coração acelerado, o rapaz alcançou o bolso da calça e o desbloqueou o mais rápido que pôde para ver apenas uma localização marcada não muito longe de onde estavam.

Buscou por uma confirmação de Shoto, que acenou com a cabeça indicando que estava pronto para o que viria, seja lá o que fosse. Nunca havia lidado com um vilão que o assustasse daquela forma antes, era como se cada parte do seu corpo estivesse em alerta o tempo inteiro enquanto desciam a rua em passos rápidos até o que parecia ser um edifício de tijolos vermelhos que destoava da paisagem e sem nenhuma iluminação interna. Era ali.

A porta da principal estava trancada. Contornaram o prédio até uma porta de metal que parecia feita para emergências e abriram-na com facilidade. Do lado de dentro, iluminada pelas chamas do colega, a primeira coisa que se via era uma escada que tanto subia quanto descia. O silêncio era estarrecedor. Durante um tempo, ficaram sem saber o que fazer até que a vibração dos celulares novamente fez seu coração quase sair pela boca. A mensagem que seguiu foi sucinta: “terceiro subsolo”.

Descer cada degrau era como dar mais um passo em direção ao desconhecido, mas não havia a menor chance deles desistirem naquele ponto. Assim que chegaram, não demorou muito para perceberem que estavam em uma garagem vazia com três fileiras de pilares a frente. Escutaram um clique e a parede oposta foi iluminada à distância. Mas o que chamou a sua atenção foi a figura de Ojiro amarrado em uma cadeira com um saco de pano cobrindo a cabeça, que pendia para frente. Correram até o rapaz no intuito de acordá-lo, porém Shoto segurou-o pelo braço assim que uma grande bolha laranja transparente envolvesse o garoto desacordado, aparecendo de lugar algum.

— Meus parabéns! — A voz conhecida não parecia ter exatamente uma origem, de forma que se viraram para vasculhar a escuridão enquanto um calafrio percorria as costas de Izuku. Se Headhunter estava em algum lugar, não podiam vê-lo dali. — Se tem uma coisa que a U.A. ensina bem aos alunos é a determinação e a coragem para serem grandes heróis. Agora o que a escola NÃO ensina para vocês é que às vezes alguns sacrifícios são necessários…

— Onde você está? — Shoto interrompeu-o, lançando algumas chamas em direções diferentes para iluminar o lugar, sem sucesso. — Covarde! Por que não se mostra e luta à altura?

A história de nós doisHistórias para pegar e não largar. Descubra agora