Izuku nunca antes estivera tão nervoso ao sentar na presença da mãe. Não que ela já não tivesse uma ideia do nível de relacionamento entre ele e Shoto, mas para terem sido pegos pela primeira vez daquela forma ainda era bastante constrangedor. E aparentemente todos os três envolvidos se sentiam da mesma forma. A comida na mesa era curry e, mesmo enquanto estavam se servindo, Shoto não arriscou tirar o olhar do próprio prato. Izuku começou a pensar se seria melhor que ele fosse embora pela tarde, mas um suspiro longo da mulher ao lado o tirou da espécie de transe no qual havia entrado sem perceber.
— Shoto-kun nunca me contou muito da sua família... — Ela mexeu um pouco o suco no copo enquanto falava, em um tom tão tranquilo que fazia parecer que o acontecimento de um pouco antes era algo criado pela cabeça de Izuku. Podia ser que ela não tivesse percebido, no fim das contas? No mais, o assunto que estava puxando era um pouco delicado, portanto o rapaz se forçou a engolir rápido o que tinha na boca para mudar de tópico, até que ouviu sua mãe continuar mais veloz. — Meu filho disse que você tem uma irmã.
— Do… Um irmão e uma irmã. — Shoto finalmente olhou para frente ao responder, sua expressão pensativa, mesmo que as bochechas ainda estivessem meio rosadas e o tom de voz mecânico. — Eu sou o mais novo.
— Oh, uma família grande! — Ela soltou de forma mais alegre, ignorando o jeito que o menino gaguejou no início. Então prosseguiu, sem deixar de sorrir: — E você pretende ter filhos no futuro?
— Mãe! — Izuku praticamente gritou, sem conseguir conter a expressão boquiaberta. Seu rosto começou a queimar quando estava prestes a dizer para Shoto que não precisava responder.
— Não. — O tom de voz de seu namorado era tão convincente que tirou Izuku de qualquer linha de pensamento para escutar o que vinha a seguir. — Eu não vejo motivo para alguém desejar para si uma criança... Além do mais, com o perigo que envolve as nossas carreiras, isso não seria prejudicial para ela?
— Entendo. — Inko respondeu assim que terminou o gole do suco e então mudou de assunto outra vez, sem pedir mais explicações, finalmente deixando o clima na mesa de alguma forma tranquilo.
Izuku não pode deixar de dirigir o olhar ao namorado algumas vezes, enquanto terminava de comer, impressionado ainda com a resposta dele sobre crianças. Não era como se nunca tivesse pensado no assunto, mas isso sempre lhe pareceu algo distante e abstrato, de forma que ouví-lo falar de uma maneira tão concreta e racional era um tanto quanto estranho.
Pegou um pedaço de peixe do prato e mastigou devagar. Bem, de qualquer modo, esse tipo de coisa não poderia acontecer naturalmente entre os dois e, por isso, era uma discussão sem sentido em primeiro lugar. Convencido por esse raciocínio, o rapaz terminou de comer e esperou os outros dois para recolher os pratos e levar até a cozinha. Shoto ficou na sala, enquanto ele e a mãe lavavam e secavam a louça em conjunto.
— O relacionamento de vocês dois está cada vez mais sério, não é? — Ela disse ao esfregar uma panela, sem tirar os olhos do que fazia.
Izuku parou de secar um prato e contraiu os lábios. Depois daquela afirmação, literalmente qualquer coisa poderia vir, certo? Será que ela estava dizendo isso por causa da conversa anterior ou porque tinha visto algo comprometedor mais cedo? Se tivesse que lidar com mais um ensinamento sobre camisinhas, preferia ser engolido pelo chão naquele instante. Bom, talvez fosse uma observação mais geral pelo fato de Shoto vir visitá-lo com certa frequência… de qualquer maneira, Izuku sentia que a forma como respondesse àquilo iria determinar a continuidade da conversa e ele não tinha ideia de como queria que a conversa continuasse. E principalmente não queria entrar em detalhes pessoais sobre sua vida afetiva com a própria mãe. Quer dizer, isso era normal, certo? Não era como se ele não pudesse contar com ela, mas…
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A história de nós dois
FanfictionNo último ano da Academia de Herois, Todoroki Shoto e Midoriya Izuku têm que lidar com a pressão de serem grandes heróis e competirem pelo primeiro lugar, enquanto desenvolvem sentimentos um pelo outro.
