Afinidade casual

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Era até engraçado ver Shoto usando uma touca preta para esconder todo o cabelo, deixando apenas uma franja vermelha cobrindo parte da cicatriz. Daquele jeito, dava para pensar que ele era completamente ruivo e Izuku gostaria de apreciar com mais calma caso o rapaz não estivesse visivelmente super irritado. Não podia tirar-lhe a razão, no entanto. Por mais que estivesse se esforçando bastante para arrumar uma explicação plausível para Yuga os ter tirado da U.A. daquela forma, ainda assim o fator chantagem estava presente em todas as possibilidades.

Haviam sido descobertos mais rápido do que Izuku poderia ter previsto e, de algum modo, agora os três tinham ido parar na frente do estacionamento de uma loja de conveniência a algumas poucas estações de distância dos dormitórios por causa disso. O silêncio que se seguiu só não era completo porque Yuga mexia nervosamente com algumas moedas na palma da mão.

Algo estava fora do lugar.

Poderia ser que talvez eles tivessem interpretado errado, e o garoto havia pedido ajuda para resolver algum problema? Será que algum vilão o estava ameaçando? Isso não explicava toda a história do restaurante e muito menos as roupas de sair que foram instruídos a usar. Mas se estivessem sendo mesmo chantageados por terem sido descobertos, Yuga já teria dito alguma coisa… provavelmente. Não era do feitio dele fazer algo assim, afinal. Talvez só quisesse uma companhia para a noite? De certa forma foi o que ele pediu... Mas então por que estavam sentados no meio fio de uma loja aleatória no meio da noite ao invés de irem logo?

— Aoyama… — Izuku se virou surpreso na direção do rapaz que se levantou apressado. O tom da voz de Shoto indicava que ele já tinha perdido completamente a paciência.

— Yuga. — Izuku viu o namorado apertar os olhos e franzir as sobrancelhas, ao ser interrompido, e se perguntou se não seria melhor tentar acalmá-lo quando outro rapaz prosseguiu. — Já que vamos ser amigos, é natural nos chamarmos pelo primeiro nome.

Shoto chegou a abrir a boca para provavelmente contestar, mas foi interrompido pela aparição de um estranho vindo na direção do grupo. Izuku se pôs de pé no mesmo minuto. Quem quer que fosse ou o que quisesse com eles, era um homem alto e corpulento de cabelo bem curto, uma tatuagem no braço e semblante assustador. Deu um passo para trás quando ele parou bem na frente dos três e encarou cada um por um curto espaço de tempo em que ficaram em silêncio. Subitamente, a voz de Yuga ecoou pela rua mal iluminada.

— Você demorou, cherie!

— Eles me seguraram até tarde no trabalho hoje, mas com sorte não vamos nos atrasar muito. — A voz que ouviram condizia com a figura intimidadora, fazendo com que os cabelos da nuca de Izuku se arrepiassem um pouco. No entanto, Yuga parecia confortável quando se colocou ao lado do homem, que apontou na direção dos outros dois rapazes e prosseguiu. — São seus amigos?

— São sim. Esses são Midoriya Izuku e Todoroki Shoto. Você já os deve ter visto na televisão. — Yuga, então, moveu-se com agilidade e se enroscou no braço do desconhecido com um sorriso sincero no rosto. — Meninos, esse é Kigi Shigeru, meu namorado.

— Namorado? — Izuku piscou com a menção daquela palavra. Não que alguma vez tivesse achado que era o único a se relacionar com outro rapaz daquela forma no mundo, mas a ideia de encontrar alguém tão próximo o enchia com um certo alívio que não conseguia explicar. Deixou escapar um sorriso, quando uma lâmpada acendeu em sua mente. — Ah, então é isso que queria dizer com “realmente bem parecidos”... Eu estava achando que você iria contar sobre a gente para alguém...

— Por que eu faria isso? Você é meu amigo! — A voz do garoto vacilou um momento antes de continuar. — Lembra da carta que viu outro dia, Deku-kun? Você me deu coragem para entregá-la! Eu queria poder ter te contado assim que Shigeru-kun aceitou meus sentimentos... Quem não aceitaria uma carta tão bonita como aquela, não é?

A história de nós doisHistórias para pegar e não largar. Descubra agora