O tempo pareceu estar parado enquanto os dois rapazes ficaram de pé, frente a frente, ambos encarando os próprios sapatos, sem dizer nada. Desde o primeiro ano, quando pôde finalmente rever a sua mãe, Shoto estivera evoluindo para o tipo de pessoa que é capaz de encarar de frente os problemas emocionais. Ou assim ele pensou. Agora, no entanto, seus lábios se cortorciam mudos pela ardência na garganta. Sentia-se envergonhado e assustado. Fechou os punhos ao lado do corpo até o ponto em que as mãos doeram e não foi capaz de controlar os soluços enquanto algumas lágrimas pingavam no chão. Sabia não ter direito de chorar na frente dele, mas não conseguiu mais se segurar.
Um instante depois e os braços de Izuku o estavam envolvendo em um abraço que mal o deixava respirar. Ou talvez não fosse por isso que o ar custava a entrar em seus pulmões. Afundou a cabeça nos ombros dele e pôde sentir seu cheiro, mas tudo parecia girar e seus joelhos estavam fracos demais para aguentá-lo de pé, de modo que simplesmente desabou junto com o menino, que os apoiou até se sentarem no chão, sem se desgrudarem em momento algum.
Ele também estava chorando.
Foi só nisso em que conseguiu pensar enquanto a culpa queimava em seu estômago e a palavra "perdão" saía de seus lábios distorcida pelos grunhidos que fazia ao apertá-lo contra o peito. Não soube quanto tempo ficaram daquele jeito, mas quando nenhum dos dois tinha mais nenhuma energia ou água nos canais lacrimais, mesmo assim não se afastaram. Shoto sabia que o outro podia ouvir a batida acelerada de seu coração entre os soluços que ainda lhe cortavam a respiração. Havia muitas coisas que queria e precisava dizer, mas quando Izuku esticou o pescoço para vê-lo, tinha os olhos carregados de preocupação ao limpar o rosto do namorado com a ponta dos dedos e dizer baixinho.
— Está tudo bem… tudo bem… Calma, respira. Está tudo bem.
Ainda com os olhos grudados nos de Shoto, Izuku repetiu a palavra "respira", seguida por movimento de inspirar e expirar, para que o outro acompanhasse como um exercício. Shoto obedeceu aos comandos, tomando fôlego no mesmo ritmo que o menino ditava, até seu corpo conseguir relaxar, finalmente, e os soluços passarem. Com Izuku por perto, era tão fácil se sentir seguro que aquelas palavras bastaram para a dor em seu peito diminuir.
Não pôde evitar reparar em como o inchaço fazia as pintinhas ressaltarem, ainda mais fofas, como se fossem estrelas do céu. Tomou o rosto do rapaz entre as mãos e o aproximou, até que pontas dos narizes dos dois se tocaram e Shoto pôde ver os cílios dele vibrando de leve. Incrível. Ficaram assim por um tempo, se encarando sem que palavra alguma fosse dita.
A próxima coisa que fez foi juntar os lábios nos de Izuku e sentir um arrepio se espalhar pela espinha.
Encararam-se, por uma fração de segundo, antes de repetir o gesto uma segunda vez, e então uma terceira, quarta, quinta, cada vez mais cheios de vontade de se agarrar um ao outro e não soltar. Shoto não sabia direito o que tudo aquilo significava, mas naquele momento, apenas lhe importava a forma como Izuku se segurava em sua camiseta, puxando-o contra si conforme as duas línguas buscavam desesperadamente uma pela outra. Mesmo tendo apenas se passado um dia, era como se uma agonia houvesse se formado em seu peito em forma de saudade.
Por baixo da roupa, subiu as mãos pelas costas dele, desde a lombar até quase os braços, e só se deu conta do que havia feito quando precisou separar o beijo para tirar a blusa de Izuku, que foi jogada em um canto do quarto. Inclinou-se, então, na sua direção, apoiando no chão primeiro a palma e depois o cotovelo, conforme se punham deitados. Beijou-o no pescoço, nos ombros, na clavícula e então nos peitos, ouvindo os a reação do rapaz a cada etapa. Precisava dele. Precisava dele agora.
Os músculos do torso e dos braços de Izuku eram tão grandes e definidos em contraste com a sua aparência no primeiro ano, enfim se tornando característico de alguém cuja individualidade é a super força. Shoto se afastou um pouco para vê-lo, com um olhar quase escrutinante, e praticamente perdeu o fôlego quando o outro encarou de volta, mordendo o lábio de baixo.
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A história de nós dois
Hayran KurguNo último ano da Academia de Herois, Todoroki Shoto e Midoriya Izuku têm que lidar com a pressão de serem grandes heróis e competirem pelo primeiro lugar, enquanto desenvolvem sentimentos um pelo outro.
