Capitulo II

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"Todos veem o que você parece ser, mas poucos sabem o que você realmente é."
Maquiavel

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A vida não era fácil para o jovem Levi, desde que nasceu. Foi abandonado pela própria mãe na frente da igreja e por fim, virou escravo ambulante do padre, que mesmo jurando voto de castidade praticava ato carnal com as viúvas em busca de perdão.

Mesmo machucado e mancando, correu o mais rápido possível e bateu o sino da igreja e respirou aliviado, quando se sentou no chão, após ter conseguido cumprir com sua obrigação diária. Passou as mãos na barriga e sorriu. A noite jantaria e mataria a fome de dias.

Respirando fundo para buscar ar, correu tanto que nem teve tempo para notar que estava machucado. Tocou em seu joelho que sangrava, mas o desespero bateu em seu peito quando percebeu que o seu caderno de desenho deixasse para trás. Logo no dia que receberia a visita do secretário da duquesa, que pagava por desenhos aleatórios do seu amante jovem.

— Droga! –Murmurou

Levi, não gostava de resmungar embaixo no teto do senhor. Não era pecador e sim pobre!

Tentou se levantar e desistiu pela dor e mágoa, que sentia no momento. O dinheiro que juntava a tempos, era para conseguir comprar uma casinha no campo e sumir da capital. Tudo que queria era ficar, longe dos abusos psicológicos, físicos, do padre bem-visto aos olhos da sociedade leviana. Os nobres confiavam na falsa dignidade do maldito, que o espancava quando bem-queria e nunca deixava claro o motivo ao rapaz da surra. .

— Levi – Uma voz doce coou no corredor e ele sabia que ia ganhar, paiõezinhos quentinho.

— Estou aqui senhora Heize - Respondeu a mulher de cabelos grisalhos. Naquela tinha estava com um vestido simples da cor cinza e possuía uma pele aveludada.

Sua pronúncia deixava clara que era estrangeira, vieste da Escócia ainda moça. Era viúva e contigo trouxe uma filha, tão linda como a senhora de meia-idade.

— O que aconteceu menino?-Se abaixou tocando no rosto do jovem que estava pálido e ainda mais magro.

— Fui atropelado, senhora Heize, por um babaca de duque esnobe– Se explicou e a mulher suspirou — Nada que não esteja acostumado. Não se preocupe senhora Heize, logo estarei recuperado-Enfatizou com um tom muito irônico de sua parte.

—Ainda és humano Levi, ser pobre não significa perder a sua dignidade – Falou fazendo um carinho no rosto do rapaz, que segurou a mão gorda da senhora e agradeceu por ter pelo menos alguém ao seu lado.

A vida era difícil. Com carinhos que recebia dela, tinha motivos para continuar firme.

Com ajuda da senhora se levantou e foi para sua cama. O padre não se encontrava no dia, pois, estava na cidade vizinha celebrando o casamento de um conde. Então, teria a tarde para poder se recuperar. Tudo estava em perfeita organização a igreja em um brilho impecável e todas as roupas do padre, lavadas e passada.

— Me revolta tanto, por você dormir no mesmo lugar que o sino da igreja. Custa o padre ceder um quartinho em sua casa?

Levi, sorriu pela raiva que a senhora estava e com os três anos que ela chegasse em sua vida já tinha aprendido, que não devia intrometer nós desvandeio. Conhecia afúria da mulher. Era bondosa com ele e a única figura de materna que possuía. Aos seus olhos, mãe era assim; protetoras!

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