"Eu admiro aqueles que conseguem sorrir com os problemas, reunir forças na angústia, e ganhar coragem na reflexão. É coisa de pequenas mentes encolher-se, mas aquele cujo coração é firme, e cuja consciência aprova sua conduta, perseguirá seus princípios até a morte"
Thomas Paine
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Capital estava calma, apesar dos nobres desfilarem com seus narizes em pé como se nada pudesse atingi-los. Como as hierarquias de época era vista com bons olhos, bastou uma condução virar uma das ruas da Capital com cavalos elegantes, portando guardas reais, que rapidamente pessoas foram se aglomerando na tentativa de ver a rainha, só que dentro da carruagem estava o príncipe o futuro rei de Londres.
As damas sorriam estendendo seus lenços de uma forma elegante para os soldados, que olhavam discretamente mais como bom homem viril, atentos, talvez sua futura mulher estaria entre uma delas.
Os cavalheiros tiravam seus chapéus das cabeças em respeito ao príncipe, que do lado de dentro analisava os cidadãos e sorria de canto lembrando da forma que à falecida tia os chamavam. Só que quando viu curvas afortunadas, andando na calçada acompanhada de sua dama de companhia, agiu rápido e deu batidas no vagão e o cocheiro entendeu o recado, diminuindo a velocidade.
Valério sorria por ver 'milady' Penélope, toda perdida na dimensão do mundo paralelo da literatura. De fato a senhorita não sabia ao certo se andava ou tentava ler. O príncipe ria baixinho quando suas expressões mudavam irritada e a pobre criada ao lado da mulher a puxava delicadamente pelo braço para não se trombar com as pessoas que ali caminhava.
'Milady' Penélope tinha um poder muito forte sobre tal homem, que desde adolescência a admira, porém, nunca se quer deu a devida atenção como outras damas que morreria pela oportunidade de valsar com o príncipe. Mesmo seis temporadas carregando o título de solteirona e quase com trinta anos, a bela ruiva era a única que teve a oportunidade de ser tirada para uma dança pelo Príncipe Laércio e o duque Antony.
No fundo, a dama sabia que tudo não passava de um gesto de cavalheirismo ou até pena já que ela ficava sempre sentada apenas observando. Suspirou e fechou seu livro, irritada, fazendo Valério gargalhar; este era o momento que achava ela ainda mais bela.
Quando a carruagem virou a rua das mansões principais o homem perdeu a visão da sua senhorita e murmurou, ao ponto de lembrar que talvez, por sua própria culpa ele veria sua amada se casando com outro. O pior que o milorde que pediu permissão para cortejo não passava de um visconde falido, interessado somente no dote da senhorita.
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A carruagem parou em frente a mansão luxuosa da família dos Kingston e sem ao menos deixar o cocheiro abrir a porta o príncipe saltou da condução um pouco irritado por odiar viagens e pela sensação de não possuir a única pessoa que desde da adolescência desejou. Precisava resolver este assunto e teria ajuda da sua família. Era por isso estava ali. Precisava de aliados inteligentes para ter sucesso na sua missão.
— Milorde – Clodoaldo atendeu a porta e vendo de quem se tratava, fez uma reverência — Seja bem-vindo vossa majestade.
— Obrigado! Os senhores da casa se encontram?-Valério perguntou sabendo que o primo mais velho não estava. Queria ter noção de como andava as coisas sobre o enlace.
— O Duque não se encontra vossa majestade, apenas os senhores, Marquês e Levi.
— Valério?-O príncipe se levantou o olhou na direção da escada e andou alguns passos até o primo Heitor, que o abraçou contente — O que te traz aqui, meu primo?-Perguntou se recompondo como um cavalheiro na idade e o mais velho apenas riu, bagunçando os cabelos pretos, liso do primo.
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TESTAMENTO DA DUQUESA
RomanceLivro I da trilogia "Os Kingston " Em uma Era Vitoriana, que Burgueses são importantes e deixam claro seu sangue, quando desfilam pelas ruas de Londres. Os que não possuem fortunas, títulos comem o pão que o diabo amassou. Era o caso da plebeia...
