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THURZIN POV

— Voltei voltei voltei — falo assim que Bianca atende minha outra chamada de vídeo — Quem tem diabetes sai que o docinho chegou.

— Por enquanto eu posso ficar mas assim que eu terminar os chocolates acho que vou ter que ir no médico só pra conferir — Bianca diz sorrindo fraco — E as gravações? — ela pergunta.

Ela estava cansada.

Era mais do que notório que minha bebê estava exausta e precisava dormir por longas horas. Seus olhos quase fechados, sua cara de desatenta e suas olheiras mais visíveis eram resultado das várias horas acordada e trabalhando ela tinha passado.

E por alguns segundos eu me senti um pouco mal, porque por mais que eu consiga facilmente me colocar em seu lugar e entenda que ela me ama e que não faz isso por se sentir na obrigação, eu sei que ela tá acordada só por mim, para me dar atenção.

– Foram engraçadas — respondo — Você tá com muito sono, quer dormir princesa? — pergunto.

— Não — ela fala fazendo beicinho — Quero conversar com você — ela fala igual criança fazendo birra.

— Vamos assistir filme então — sugiro sabendo que ela vai dormir enquanto assiste e vejo a garota assentir animada.

— Vou escovar os dentes calma — ela diz se levantando da cama.

— Eu também — falo indo até o banheiro.

— Eu escolho o filme hoje — ela impõe.

— Ta bom — falo, achando melhor só fazer o que ela manda.

— Vai ser filme de chorar — ela diz dando pulinhos e eu gargalho.

— Se você sabe que vai chorar e ficar triste por que você vai assistir meu Deus?  Isso é coisa de louco — exclamo.

— Porque eu quero ficar triste e chorar né burro — ela diz com dificuldades por conta da boca cheia de pasta.

— Tá bom amor, filme de chorar então.

[...]

— Bom dia — falo saindo do quarto — A água tava muito gelada, quase não tomo banho.

— Bom dia não, boa tarde — meu pai corrige — As visitas tão chegando, tua mãe tá lá na frente procurando o carro.

— Tá bom — respondo — E hoje é sábado, dia de sonin muito seu mito — me justifico.

— Sei — meu pai diz — Teu irmão foi fazer uma limpeza no apartamento dele, acho que próximo mês ele se muda.

— Queria ter ido com ele — lamento.

— Chegamos — minha mãe grita lá de fora e eu vou abrir a porta, vendo Thaís e Thiago saírem do carro, sendo seguidos pelos seus pais logo depois.

Fred, meu cachorro, corre até o meu lado, curioso para ver quem tinha chegado, mas assim que vê que não era ninguém conhecido, volta para seu cantinho.

— Fala cara — Thiago diz me abraçando.

— Visão — respondo devolvendo o abraço.

— Oi anjo — Thaís cumprimenta apenas acenando.

— Fala tu — respondo — Entrem — digo abrindo mais a porta e cumprimentando também os adultos que eu nunca lembro o nome.

— Oi pequeno — Thaís diz fazendo carinho em Fred, que apenas a encarava confuso.

— Ele quase maior que você e você chamando o cachorro de pequeno — Thiago zoa — Ele morde? — o garoto me pergunta enquanto se aproxima do cão.

— Fred não gosta muito de socializar, mas não morde não — respondo — e se mordesse também agora já era né, já tão mexendo nele mesmo — falo sem entender a lógica e eles riem.

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Último e terceiro dia de maratona - 3/4

A nova contratada| Loud Thurzin Onde histórias criam vida. Descubra agora