Capítulo vinte e um

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Maria Luiza


Eu poderia esperar qualquer coisa, desejar outras tantas, mas nunca pensei que isso pudesse acontecer.

Meus braços ganharam vida própria e enlaçaram o pescoço do Pedro, que por sua vez tem uma mão firme em minha nuca e outra firmemente apertada em minha cintura.

O beijo é cadenciado e delicioso. Não tenho vontade de parar e não pareço ser a única. Bate a percepção que ele se controla no beijo, não sei se para não me assustar ou não fazer com que eu me afaste.

Lentamente ele afasta muito pouco seu rosto do meu, sem deixar de encarar meus olhos.

— Sei que deve ter muita coisa passando por sua cabeça agora, mas, por favor, vamos terminar de curtir essa vista e manter essa bolha por mais um tempo? — Assinto e ele deixa mais um beijo em meus lábios, antes de me abraçar e passarmos a prestar atenção ao fim do pôr do sol.

Quando ele falou sobre eu ter muita coisa em minha cabeça, segurei um riso nervoso, pois a bem da verdade não estava pensando em nada enquanto nos beijávamos, a não ser reparar em todos os detalhes para jamais esquecer e viver o momento.

Agora, enquanto estou abraçada a seu corpo quente, ouvindo seu coração bater acelerado, a realidade vai batendo, mas nem assim o arrependimento aparece. Como poderia se há anos desejei isso sem nem conhecê-lo e uma vez que conheci, mesmo sem querer confessar, queria viver isso e muito mais?

Sou despertada dos meus pensamentos, quando algumas pessoas próximas começam a aplaudir o pôr do sol.

— Tem gente que leva isso realmente a sério. — Comento.

— Cada louco com sua loucura, já dizia o ditado. Vem, vamos conversar. — Ele entrelaça nossos dedos e seguimos para um banco desocupado na praça.

Não sei se é o melhor lugar do mundo para conversarmos por ter tanta gente andando, crianças gritando, músicas tocando por perto e cigarras cantando, mas gosto de ser tão informal e tão longe do nosso ambiente profissional.

— Olha, não sei se precisamos falar muito. — Começo. — Passamos parte do dia juntos, você teve momentos de lembranças profundas e estávamos envolvidos no clima da situação... — Sinceramente, nem sei o que estou querendo dizer, só que um senso de defesa toma a frente em mim, e prefiro tirar qualquer peso ou importância antes que ele faça isso e estrague o que aconteceu. Que seja eu a dar um fim...

— Você acha que eu estava imbuído de sentimentalismo por causa das lembranças que tive e por isso te beijei?

— Acho que pode ter relação sim.

— Eu beijei você, porque estava com vontade de fazer isso há alguns dias já. Eu desejo você! — Minha respiração falha, exatamente nesse instante. — Calhou de ser hoje, talvez por estarmos longe da empresa e acabou que agimos mais livremente.

— Pode ter sido isso sim. Mas terá que parar aqui. — Impossível deixar o lamento fora da minha voz.

— Não tem que ser assim. — O Pedro aproxima-se ainda mais de mim, segura minha cabeça e cola nossas testas. — Não tem que ser...

— Como não? — Beijo sua boca, pela simples razão de estar tão perto da minha, por querer e por saber que não poderei por muito tempo. É duro deixar seus lábios novamente. — Nós não poderíamos ser mais improváveis, chefe.

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