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Nem sempre a morte é o fim, as vezes ela é apenas o recomeço para quem fica. E era assim que Antonella se sentia depois de meses em que aquele dia trágico tirou sua esposa, óbvio que os dias não eram mais iguais, mas o amor que Ella sentia por Catarina, não se apagaria nem mesmo com a morte de sua esposa.

Aos pouquinhos as coisas começavam a entrar nos eixos, Jorge já estava morando com sua filha e neto, e Sérgio e Laura estavam instalados ali também. Já não havia mais seguranças, conversas misteriosas, reuniões longas, e nada que pudesse ligar o passado de seu pai, a tudo o que ele deixou para trás, ou melhor, a tudo o que ele resolveu deixar com algumas pessoas de sua confiança, mas se desligando completamente para cuidar de Antonella.

Laura e Antonella fecharam as lojas se instalando com novos negócios agora nos Estados Unidos, o que aparentemente era definitivo. Jorge e Sérgio, estavam satisfeitos após investirem em uma montadora norte americana, se dedicando totalmente aos negócios.

Por longos meses, Antonella tentou acreditar na possibilidade de sua esposa aparecer em sua casa a qualquer momento, mas logo após Sérgio e Jorge resolverem as pendências no país de origem, eles não saíram mais do território americano, fazendo-a descartar de uma vez essa possibilidade.

— Laura, posso deixar o Carlinhos aqui? Preciso pegar umas coisas na floricultura, é rápido.

— Sim... está tudo bem? — Questionou Laura vendo-a com o semblante cansado.

— Sim, ele está agitado esses dias.

— Lala. — Disse Carlinhos apontando para Lara que assistia um desenho na tv.

— Nem acredito que ele já tem dois aninhos, menino lindo da tia. — Disse Laura pegando ele e beijando suas bochechas.

— Obrigada, obrigada! Não demoro.

Ella entrou no carro e suspirou, estava preparando uma festinha para comemorar o aniversário dele, e aproveitou para acompanhar cada detalhe, podendo se distrair um pouco.

As vezes ela sentia um aperto no peito por não ter Catarina ao seu lado acompanhando o crescimento de Carlinhos, o primeiro aninho, os primeiros passos, o primeiro dentinho, e a primeira palavra, que ao contrário do que esperava, foi Lala, sua inseparável amiguinha Lara.

— Bom dia, eu vim buscar as flores que encomendei. São quatro arranjos de lírios azuis.

— Só um minuto.

A garota entrou um pouco nervosa, algo que Antonella percebeu, mas não se importou. Ela começou a procurar as malditas flores azuis, e se deu conta de que não tinha nada ali.

— Droga! — Disse baixinho apertando as têmporas. — Eu vou matar essa novata que vendeu todos os lírios reservados.

Ela tomou coragem e saiu envergonhada, encarou a postura de Antonella ali e ficou um pouco pensativa em como abordar o assunto.

— Desculpa, mas os lírios azuis foram vendidos...

— Você sabe que paguei antecipadamente para garantir meus arranjos?

— Sei, senhora, e peço desculpas, mas acontece que... infelizmente a menina nova acabou vendendo sem consultar ninguém. Podemos reembolsar...

— Eu não quero reembolso...

— O que está acontecendo aqui?

Ella se virou ao ver uma mulher alta entrar, ela tinha os cabelos castanhos claros, e algumas sardas nas bochechas rosadas.

— Carol, os lírios azuis foram vendidos. — Disse a funcionária tensa, apesar de saber o quanto sua chefe era tranquila.

— Desculpe, senhora?

Sobre-viverOnde histórias criam vida. Descubra agora