Capítulo 23

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Antonella

Saio do banheiro e dou uma olhada em volta do quarto de Dante, respiro fundo sentindo o aroma delicioso que tem aqui, mas saio logo. Quando estou perto de uma das portas dos quartos ao lado, escuto alguém falando baixo, não dá para eu escutar direito, então me aproximo mais. Na porta há uma pequena brecha que dá para ver quem está dentro, e lá está aquela mulher nojenta conversando com alguém, não posso ver quem é pois a abertura é pequena, então me concentro na voz.

- Ela é sua namorada? Ou melhor, mais uma vítima? - Ela pergunta. Eu já peguei implicância com sua voz. Ouço a pessoa suspirar pesadamente. - Só pode ser isso, porque você não consegue amar ninguém. Sempre larga depois de um tempo. - ela continua.

- Isso não te interessa! - Dante, é ele quem está com ela. E para a minha chateação, não negou. Por algum motivo isso me machuca, meu coração acelera e me bate uma pequena decepção, eu fico com mais raiva ainda de estar sentindo algo que por anos fugi.

- Claro que me interessa. Aquela noite que tivemos foi perfeita para mim, eu realmente achei que tínhamos uma conexão. Vai me dizer que você não sentiu nada?! - a voz dela fica trêmula mas o tom falso é nítido.

- Como você consegue? Você está com meu irmão - Ele fala. O que será que eles tiveram? E se ele sentir algo por ela...?

- Eu quero você. Não esqueci a última vez - Eu não queria ouvir mais nada, por algum motivo isso me magoa e eu não preciso passar por isso. Quando estou saindo dali, escuto mais uma coisa.

- Afinal, veio para o jantar desta vez para... - Dante fala em um tom mais alto dessa vez, e depois não escuto mais nada. As palavras vão ficando mais baixas conforme me afasto.
Desço a escada mais rápido e vou para a sala, encontrando Louis, Enrico e senhor Francisco de pé no barzinho que tem no canto da sala.

- Algum problema, Antonella? - Louis pergunta ao perceber minha expressão.

- Não, está tudo bem, obrigada. - sorrio fraco.

- Vocês já se conhecem? - Enrico pergunta, fazendo uma cara de sínico. Eu não o respondo, virando o rosto para outro lado.

- Sim, nos conhecemos a alguns meses, criamos uma grande amizade. - Louis responde com um sorriso arrogante. Eu ignoro, não estou com cabeça pra mais nada.

- Bom, eu vou subir e descansar. A noite não foi como eu queria, mas realmente preciso esticar as pernas. - Francisco fala. Mesmo tentando ser casual, parecia ter um peso nos ombros e seus olhos, às vezes, parecia distante. Eu sabia bem como aquele peso era, eu havia sentido duas vezes. Ele deu a volta na bancada e veio até a mim. - Minha menina, espero que venha me visitar mais vezes. - Me dá um beijo na testa.

- Eu virei - Digo tentando ser amigável. - Boa noite. - Desejo. Ele sobe as escadas e eu me viro para Louis.

- Você viu Bianca? - Enrico me pergunta quando não podemos mais ver seu pai nas escadas. Ele sabe onde ela está, mas queria saber se eu os vi. Talvez ele tenha a trazido para este jantar sabendo o que causaria. Isso só confirma que Dante e ela já tiveram algo. Entretanto, o que ele não sabe é que não vai me afetar como quer.

- Preciso ir embora, você vai agora? - perguntei a Louis.

- Sim! Vamos juntos?! - Ele fala e eu me viro para ir.

- Ah, então vocês estão juntos? Já trocou meu irmão, princesa? - Enrico fala querendo me irritar.

- Vai se foder! - Falei virando apenas o rosto para ele, fazendo pouco caso. De relance, vi Dante descer as escadas com a mulher atrás dele. Ambos estavam com as expressões nada boa.

A CEO e o MafiosoOnde histórias criam vida. Descubra agora