Continuação...
– Espera! – Peço para o senhor à minha frente que, ao se virar, solta um suspiro pesado, parecendo triste. Me pergunto se é por pena.
– Tenho ordens de não conversar mais que o necessário com a senhorita. Sinto muito... – Com a cabeça baixa, faz menção de sair do quarto.
– Por favor – As palavras saem como um sussurro – Só me diz... – Não consegui terminar pois sou interrompida pela rouquidão de sua voz.
– Ele não vai te machucar se o tratar com respeito. – É só o que diz antes de sair, fechando a porta atrás de si, me deixando sozinha novamente.
Olho para a bandeja depositada na cama, sem vontade de comer. O nervosismo tirou qualquer fome que eu poderia sentir. A única coisa que posso fazer é me acalmar, pensar claramente, não esquecer quem sou e nunca perder a cabeça. Sou capaz de lidar com uma situação dessa, posso conversar com ele para entender o motivo de eu estar aqui exatamente.
Medo.
Ele disse que serei morta se Dante não se importar o suficiente comigo, então... não posso contar com isso. Quais são os planos deste homem?
Solto um gemido ao me mover na cama, sentindo algumas dores, que foram causadas ontem. E o ódio adentra meu corpo com tudo. Eu me entreguei, deixei que Louis tocasse meu corpo de diversas maneiras antes dele trair minha confiança. Eu estava bêbada. Ele sabia e aproveitou o momento de vulnerabilidade, para depois me trazer para este lugar. O que ele recebe em troca?
Não percebi as horas passarem, sentada no chão novamente, depois de ter comido o que havia no tabuleiro há algumas horas atrás. O sol já se pôs. Quando ouço a porta se abrir, me levanto alerta, e vejo aquele que me prende neste quarto entrar. Reparo seus passos confiantes, elegantes, sua postura inabalável e seu cheiro facilmente viciante vindo até mim. Eu poderia deixar que ele me tomasse por uma noite, fácil, se fosse em outra ocasião. Este homem aqui na minha frente está ciente de tudo o que ele é.
Está usando uma calça azul quase preta, a blusa social branca, aberto apenas alguns botões, deixando á mostra seu peito musculoso. O cabelo escuro, recentemente cortado. O rosto em gloriosas linhas retas, todo delineado, o queixo e a mandíbula marcados. E o mais assustador, os olhos negros, aqueles que direcionei o olhar, que ganhou minha total atenção, que estremecí com o que me fazia sentir no fundo do peito. Havia tristeza, embora o rosto não demonstrasse expressão alguma. Por trás dessa casca toda, há dor.
Quase perdi a força das pernas, não sei o motivo, elas tremeram um pouco mas me mantive de pé. Soltei um suspiro leve, ainda presa no olhar. Algo nele me faz querer conversar. Entender tudo pacificamente. Quem abriu a boca primeiro foi ele.
– Desculpe-me – Passou a mão na nuca e abaixou a mesma rapidamente. Parecia desconfortável, ainda assim, não havia bondade visível. – Tive que dizer aquilo, para Louis ouvir antes de voltar para sua casa. – A voz era grossa e suave ao mesmo tempo.
– Ele vai voltar para a minha casa? – Pergunto nervosa. Dante vai mata-lo antes de eu voltar. Não terei minha vingança se, de algum jeito, eu sair daqui.
– Sim. Dante não poderá toca-lo, a não ser que queira te colocar em perigo, no máximo irá tortura-lo. – Ele me dá as costas e se senta na cama, me olhando no canto do quarto. – Assim, poderá dar o recado que mandei.
– Dante não está apaixonado para vir me salvar, para iniciar uma guerra entre máfias apenas por mim. Pode me matar e adiantar o processo. – Tento ser firme no tom enquanto falo, sem mostrar o quanto estou com medo. Dante se sentiria culpado e cuidaria da minha família, como estava fazendo comigo. Mas não pude deixar de sentir uma tristeza absurda com a possibilidade de não me despedir deles.
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A CEO e o Mafioso
RomansaAntonella Clifford, com 25 anos herda a empresa de seu pai, tornando-se a nova CEO da empresa Clifford's, na Itália. Com a morte do mesmo, Antonella se vira com tudo o que foi ensinada para manter a empresa de pé, mas não deixando de se divertir com...
