Capítulo 7

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- Uau. Por que ele fez isso? - Minha amiga pergunta.

- Para tentar me deixar com vergonha, eu acho. - Falo e vejo Alice dando uma volta em torno do coração.

- É, ele errou feio...Branquinha, tem algo aqui! - Ela aponta para o lado do enorme coração. Me aproximo e puxo a lateral percebendo que o coração se abre como uma enorme caixa. E acabo me surpreendendo com o que havia dentro.

MEU DEUS.

- Você é uma mulher muito sortuda. Eu acho que vocês combinam - Ela brinca, com a mão na boca.

É a porra de uma foto enorme do seu pau ereto sob a cueca branca. Com certeza ele queria se vingar por causa de ontem. Eu o subestimei.

- Ele sabe jogar. - Falo mais para mim do que para Alice.

- O que você pretende fazer com isso? - Ela pergunta rindo.

- Vou queimar. - Ela me olha com pena. Eu rio de sua cara. - Quer para você? - pergunto.

- Claro que não, senão eu não saio de casa nunca, iria ficar me masturbando na frente dessa foto. - Rio e fecho o coração.

Peço para Alice, antes de saír da minha sala, que chame alguém para buscar e queimar esse presente ridículo. Fico a tarde toda no trabalho, tendo contratos para assinar, reunião para ir e após tudo isso, quando são 18 horas, Luca entra na minha sala.

- Oi maninha... conta tudo - reviro os olhos, mas conto uma parte resumida de tudo que aconteceu com os irmãos.

Nós precisamos nos atualizar para que possamos sempre contar um com o outro, sou quase um livro aberto para esses dois, a única coisa que não sabem sobre mim é a escuridão que eu escondo, e quase contei para Dante. O homem conseguiu tirar informações de mim que ninguém além de minha amiga e meu irmão conseguem.

Quando lhe disse que é algo complexo e que não queria contar, estava me referindo a tristeza, essa dor que há dentro de mim, não é exatamente a tristeza, sou feliz, me divirto bastante, sou uma garota sorridente, sou muito intensa. Mas tem... essa dor. Sinto que tem algo faltando. Quando meu pai se foi, é como se tudo que eu tivesse feito para me proteger da dor, fosse em vão e voltasse com tudo.

Odeio ser tão sensível, nunca gostei de ser fraca, já fiz coisas que não me orgulho achando que me transformaria em uma pessoa mais corajosa, mais forte, mas o que eu não sabia era que eu estava fazendo mal a mim mesma. Guardando tudo para mim, só juntando dor com dor. Conversar com Stefano me fez perceber que precisamos ter alguém ao nosso lado para contar, alguém para dividir a dor, temos que libertar isso que dói dentro de nós. E por muito tempo eu a guardo, tentando ser forte e não sofrer por ninguém.

Perder minha mãe, foi a chave para abrir a porta da escuridão, o medo. Me envolver com amizades tóxicas foi o caminho para a insegurança. Namorar mentalmente desestabilizada foi meu erro, não estava preparada. Por isso eu cansei de ser fraca, e hoje em dia só guardo tudo, como se nada me abalasse, e tenho medo de me relacionar e desestabilizar novamente.

Tudo isso Alice não precisa saber, imagino que ja tenha uma noção do meu medo. Ela me conhece muito, mas não me pergunta por achar que eu que decido me abrir ou não.

Talvez um dia. Enquanto isso, viva a festa!

...

Quando faltam 10 minutos para às 20 horas - o horário de saída dos funcionários - eu desço para o térreo. Chagando lá, subo em uma cadeira e chamo a atenção de todos que trabalham ali.

- Boa noite - desejei a todos que direcionaram o olhar para mim. - queria deixa claro que eu não estou namorando. Aquele presente foi uma brincadeira idiota de um amigo, então não quero comentários sobre isso! - avisei. Se não, isso poderia chegar aos ouvidos da imprensa e viralizar por aí o meu falso namoro. E então, ele poderia fazer uma grande bagunça com apenas um presente, o que eu acho ser a sua real intenção. Me deixar com medo.

A CEO e o MafiosoOnde histórias criam vida. Descubra agora