Capítulo 24

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                                  Antonella

Acordei com um solavanco, sentando na cama tentando controlar minha respiração. Olho para o relógio no criado mudo que marca as cinco da manhã. Estava suando, minha pele grudenta. Agoniada, vou para o banheiro tomar banho.

Enquanto estou debaixo do chuveiro e a água quente escorrendo pelo meu corpo, ponho as mãos na parede e encosto a testa lembrando do pesadelo que me fez acordar.

Eu estava na cama do meu quarto de quando ainda morava na mansão, mexendo no meu notebook. Com 15 anos de novo. Até escutar barulhos altos que fizeram meu coração disparar e o medo crescer rapidamente. Eram muitos tiros. Saí correndo porta a fora encontrando sangue no corredor, muito sangue. Olhei no corredor, para ver alguém de joelhos no chão e outra pessoa ao seu lado de pé, estava tudo muito confuso e não identificava ninguém, mas eu sentia medo, muito medo do que poderia acontecer com a pessoa ajoelhada, eu estava trêmula. Eu me importava com quem estava de joelhos, sabia que era próximo, mas não sabia quem era.

Um tiro foi dado.

Dei um grito,"não" eu disse, caindo no chão. O tiro não foi em mim, mas meu peito doeu, muito, tanto que me fez despertar do pesadelo.

Parecia tão real. Enquanto a água do chuveiro escorria pelo meu corpo, as lágrimas iam junto. Ainda sintia a tristeza, um cansaço e alívio por ter sido apenas um sonho. Mas odiei sentir essa dor novamente. Eu perdia mais alguém.
Acabo meu banho em meia hora. Saio para me arrumar e ir trabalhar, vou chegar mais cedo que todos, não quero ficar em casa e encontrar Louis, não agora.
Depois de arrumada, saio a caminho para a porta da sala, ao abrir a mesma lembro-me do que Dante falou, eu não estou afim dessas coisas hoje. Então, ligo para meu chefe de segurança e aviso que quero falar com ele na empresa. Talvez se eu me cercar de seguranças ele não faça um escândalo com tiros para todos os lados apenas para me abordar.
Saio pegando meu carro e indo para a Clifford"s. Não faço nenhuma parada no caminho.

— Bom dia, Giuseppe. — Falo ao passar por ele na entrada, continuo andando e o mesmo vem atrás de mim. — Não deixe Dante Stefano entrar aqui em hipótese alguma, entendeu? — dou uma olhada para ele que acena em concordância.

— Sim, senhora. — Ele põe as mãos para trás ao fazer o gesto.

— Já conversamos sobre isso, pode me chamar de Antonella. — Sorrio amigável para o homem de meia idade, depois aperto o botão do elevador.

— Claro, desculpe-me. — sorri envergonhado.  — Mas sinto em falar que parar Dante é impossível. — Fala em um tom mais baixo e apreensivo, como se estivesse escondendo algo.

— Então sabe quem ele é... Apenas enrole-o. — falo rindo sem humor algum, espero mesmo que ele estivesse blefando quando disse que iria me "sequestrar". — Me avise quando vê-lo. — Se fosse algo mais importante que apenas me buscar, não tenho dúvidas de que Dante entraria mesmo se eu colocasse mil seguranças e a polícia na frente desse prédio.

— Vamos tentar. — fala e eu agradeço antes dele sair para avisar aos outros. O elevador chega e eu entro acionando o botão para meu andar.

Como Alice está de férias, hoje terá outro secretário e o mesmo só chegará 7 horas e após esse horário a empresa já vai estar cheia.
Chego em minha sala, deposito minha bolsa na mesa e pego um café antes de me sentar para começar o trabalho. Hoje não vou precisar ficar por muito tempo, não tenho reuniões marcadas, se caso aparecer alguma, mandarei adiar.

Às 9 horas, ligo para o meu secretário que já devia ter chegado, o chamando até minha sala, não demora para o mesmo chegar aqui. Ele é alto, musculoso, pele negra e cabelo curtinho enrolado.
Enquanto eu o atualizava sobre algumas coisas, percebi que ele é um homem engraçado e simpático. O telefone do meu escritório toca, ao atender ouço a voz de Giuseppe.

A CEO e o MafiosoOnde histórias criam vida. Descubra agora