Cont.
Tereza semicerrou os olhos ainda parada na porta. Colin se afastou de mim e foi em sua direção. Eu apenas continuei no mesmo lugar.
- Chegou na hora do almoço como o planejado. Está com fome? - Ele pegou algumas bolsas enquanto falava, e as trouxe para dentro.
Reparei em Tereza enquanto dava seus passos delicados e calculados para dentro também. Notei que acima de sua bochecha, no lado esquerdo, estava um pouco roxo, e quando a mulher lançou um olhar para mim, desviei para as malas.
- Não. Mas sei que preciso comer, depois conversaremos. - depois deu um beijo na bochecha de Colin e andou em minha direção. A encarei. A mulher passou por mim e subiu as escadas, me lançando apenas um olhar.
- Podemos esperar ela na mesa. - Ele foi andando em direção a sala de jantar. Fiquei parada alguns segundos, até o homem se virar para mim, erguer uma sobrancelha em confusão e fazer um gesto com as mão para eu o acompanhar. - Não pergunte sobre a marca no rosto dela.
Ele se sentou na cadeira e eu em outra. Nos olhamos. Suguei o ar aos poucos, enquanto ainda mantia o olhar no dele, que me penetrava friamente, com um pequeno brilho de desejo.
- Tudo bem. - Desviei para o prato a minha frente que de repente se tornou muito interessante. - Sobre... Sobre a nossa conversa - Eu comecei, ainda olhando para qualquer coisa se não ele.
- Podemos terminar depois - Escutei um pequeno suspiro de risada. - A cada treino você melhora mais, e rápido, suas técnicas e força. Acredito que poderá se proteger de pessoas de qualquer lugar, se for preciso. Estou impressionado. - Eu ainda sentia seu olhar queimar no meu rosto. Virei para ele novamente, confiante.
- Obrigada. Eu só estava enferrujada, com alguns exercícios volto em forma. - Ele apoiou o braço na mesa e se aproximou.
- Não tenho dúvidas. - Sussurrou. Desviei o olhar.
O que eu sinto é confuso. Meu corpo grita, querendo toque, calor. Mas quando penso em ceder... Parece que não consigo, simplesmente. Eu preciso de toque. Eu preciso sair daqui. Eu preciso dele.
Tereza se aproxima e senta na mesa junto a nós. Evitei olhar para a marca roxa, que agora de perto estava mais intensa. Começamos a comer em silêncio. As vezes sentia Colin me olhar e Tereza continuava quieta e cada movimento seu era silencioso, como se não estivesse aqui e estivesse no mesmo lugar onde sua mente está agora. Eu queria saber onde ela foi e o que aconteceu lá. Queria saber, também, o que mudou para Colin me olhar assim agora.
E em quê comento vai acontecer a conversa? Eu precisava saber. Colin sabe que eu ouviria de algum jeito, então não vai ser em um lugar óbvio. Eu precisava armar um jeito de, pelo menos, ouvir algo deles.
Quando ainda restava um pouco de comida no meu prato, dei um suspiro preguiçoso e um gole na água.
- Perdi a fome. - Dei um leve empurrão no prato para frente. - Com licença. - Me levantei e ajeitei a cadeira.
- Está bem? - Indagou o homem dos olhos escuros.
- Tudo perfeito. - Segui para fora daquela área e parei atrás da parede que dividia a sala e a sala de jantar. Precisava que eles achassem que eu realmente iria para o quarto, e dar a oportunidade de eles trocarem alguma palavra importante. Talvez desse certo.
Um minuto se passou. Silêncio.
Dois minutos. Silêncio.
Alguns minutos e perdi a conta.
Quando ia me afastar dalí, ouvi algo.
- Ele fez isso? - Colin foi o primeiro. Silêncio. - Antonella está incomodada com algumas coisas, está longe agora. Fale alguma coisa. Eu estou segurando meu ódio desde que você passou pela porta, preciso saber. - a voz dele era baixa e urgente, mas, calculada.
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A CEO e o Mafioso
RomanceAntonella Clifford, com 25 anos herda a empresa de seu pai, tornando-se a nova CEO da empresa Clifford's, na Itália. Com a morte do mesmo, Antonella se vira com tudo o que foi ensinada para manter a empresa de pé, mas não deixando de se divertir com...
