Júlia
Quando era de tarde, o Felipe me chamou pra uma festa aqui na Barra. Não queria vir, mas ele insistiu por que não queria vir sozinho então eu vim pra acompanhar ele e tentar me divertir também.
Nunca vim nessas festas aqui da pista, por que ninguém me chamava e mesmo se chamasse meu pai nunca deixava eu vir. Ele diz que pode ser perigoso por causa dos inimigos que ele tem e essas coisas.
Mas não vou mentir que sempre tive vontade de vir, pelas coisas que eu escutava, as festas aqui eram boas pra caralho.
Isso aqui tá uma aglomeração de playboy? Sim.
Mas vou tentar me enturmar de algum jeito. Pelo o que eu percebi, o Felipe conhece quase todo mundo por aqui, por que em cada lugar que a gente passa, alguém cumprimenta ele.
Júlia: Como cê conhece esse povo todo? - Ele riu e me abraçou pela cintura.
Felipe: Coisas da vida. - Deu de ombros e fomos chegando em um grupinho de pessoas que estavam um pouco afastadas do resto do povo.
Felipe cumprimentou todo mundo e todos cumprimentaram ele de volta mas não repararam na minha presença. Eles ficaram conversando entre si e eu não entendia nada, então resolvi ficar quieta no meu canto e esperar o Felipe criar o senso de me introduzir no assunto.
- Você tá perdida? - Uma morena do cabelo grande me perguntou. - É que, só a gente fica nessa parte da festa geralmente. O resto fica pra lá...
Júlia: Não tô perdida. - Respondi seca.
- Tem certeza? - Agora uma loirinha que entrou no assunto e perguntou. Respirei fundo.
Júlia: Eu tô com o Felipe. - As duas garotas se entreolharam e depois me encararam de cima a baixo.
- Felipe? - As duas perguntaram ao mesmo tempo.
Júlia: Por que vocês duvidam de cada resposta minha? - Percebi que o Felipe me olhou e ele voltou até mim. - Euem.
Depois disso elas ficaram caladas e o Felipe foi me apresentando pro resto do grupinho. Ele falava meu nome pro povo e alguns me cumprimentavam, outros só balançavam a cabeça pra mim e outros me ignoravam.
Eu me encostei na parede e observava todos eles conversando, o Felipe tentava algumas vezes me introduzir no assunto e eu até tentava também. Mas parece que geral ali não ligava pra minha existência.
As duas garotas que tinham falado comigo ficaram me encarando com um olhar de descaso o tempo todo. Eu sustentava o olhar só pra ver até aonde elas iriam. Algumas vezes elas cochichavam no ouvido uma da outra e riam.
Eu sei que elas estavam falando de mim, não sou besta nem nada.
De duas, uma. Me acharam linda demais e tão querendo me pegar ou querem sair na porrada comigo por algum motivo que eu não conheço.
Puxei a mão no Felipe e segurei nele, ele desviou a atenção da conversa pra mim.
Júlia: Quem são essas meninas e por que elas me odeiam? - Falei baixo só pra ele.
Felipe: A morena é a Brenda e a loira é a Nathalia. E elas não te odeiam.
Júlia: Realmente, não tem como me odiar. Eu sou perfeita. - Ele riu.
Felipe: Exatamente pô. - Sorriu e me deu um selinho.
Como alegria de pobre dura pouco, o Felipe logo voltou a conversar com esse povo e me deixou de lado mais uma vez.
Se soubesse que era assim eu nem vinha. Estaria dormindo como uma princesa.
Gastei minha maquiagem, meu perfume e minha melhor roupa pra essa festa e ela tá sendo um cú.
Felipe: Toma. - Me deu um copo. Olhei dentro e vi uma bebida com cheiro forte.
Júlia: O que é isso? - Fiz careta.
Felipe: Bebida.
Júlia: Que bebida?
Felipe: Algumas misturadas. - Falou sem dar importância. - Quer?
Júlia: Por que eu aceitaria bebida do seu copo de o barman tá logo ali? - Ele riu de novo.
Felipe é retardado e até ri bastante normalmente, mas hoje ele tava com tanto riso atoa que tava me incomodando.
Felipe: Tô só te oferecendo, relaxa. - Bebeu um gole da bebida duvidosa. - Mas se tu não quiser, pode ir lá no barman e comprar uma bebida pra tu, pô.
Balancei a cabeça pra cortar o assunto. Por mais que eu confiasse no Felipe, eu não curto aceitar bebida de ninguém se eu acho a bebida com procedência duvidosa, entendeu? Todo mundo fala que eu sou neurótica demais e eu sou mesmo.
Infelizmente eu sou uma mulher, e eu sei os medos que eu tenho que ter. E as precauções pra esse medo não virar realidade.
O som desse lugar tava alto pra caralho, com umas música em inglês horríveis.
Pra mim festa boa são as que tocam funk, um forró ou um pagode. Isso aqui tá é triste.
Música tá ruim, as pessoas não foram agradáveis comigo, o Felipe tá pagando de maluco perto dos amiguinhos e me ignorando, isso aqui não tem como piorar.
...
Eai criançada, cês tá bem?
Queria indicar hoje pro cês a história "Jesus Chorou" (inspirada na música do racionais hein) da Tizi_vasquess
Essa história tá foda pra crlh, vão lá dar uma olhada que cês vão gostar
VOCÊ ESTÁ LENDO
Por Nós [M]
Fanfiction📍Vidigal, Rio de Janeiro "Ela tem um jeito que me faz pensar que, O mundo ainda tem valor E que o amor faz sentido..."
![Por Nós [M]](https://img.wattpad.com/cover/281032448-64-k253618.jpg)