VH
Não consegui enxergar mais nada a minha frente, nem vi o tempo passar enquanto subi a favela pra esse galpão. Assim que cheguei, desci da moto já segurando meu fuzil destravado.
RK: Tá tudo fechado. - Falou observando o galpão. Como a gente vai saber se ele tá aí?
Rapidamente toda a tropa que veio com a gente apareceu ali, alguns ficaram de vanguarda servindo de proteção pra gente caso alguém quisesse se intrometer e o bagulho ficasse quente, e os outros apontaram as armas pro galpão já esperando o pior.
VH: Trás o vacilão aqui. - Falei com um vapor. O mesmo trouxe o homem que era o braço direito do Barão até mim.
Eu ia deixar o cara livre, ainda mais por causa da menina dele. Mas pensei bem, e no meio do caminho mandei buscarem e trazer ele. Eu tinha que ter garantia de alguma coisa antes de arriscar.
VH: Tu tá ligado, que se a informação que tu passou não for a certa, tu morre, né?! Aqui, e agora. Eu tô com a tua família toda na minha mão, se tu tiver mentido sobre o paradeiro do Barão, é melhor tu avisar agora pra salvar a vida da tua família e a sua.
ND: Eu falei a verdade, VH. O Barão tá aí d-dentro, ele tá escondido aí desde que voltou pra favela. Eu não tenho certeza se tem alguém aí com ele, mas eu acho que não. As únicas pessoas que sabiam do paradeiro dele era eu e os médicos que iam pra aí pra cuidar dos ferimentos dele. - Disse rápido e gaguejando. Dava pra perceber o nervosismo do cara só na forma que ele falava.
É por isso que eu digo que se tem que escolher muito bem em quem confiar. Pressionei o cara e em menos de cinco minutos ele me falou tudo que eu precisava.
Saí de perto dele e fui até o portão do galpão, comecei a bater com a pistola no portão de metal que fazia um barulho do caralho do lado de fora, mas por dentro devia ser mais alto ainda.
VH: Tu tem a chave?
ND: N-não! Eu juro!
VH: Então vamo ter que abrir.
O RK veio pro meu lado e analisou o portão, ele viu que tinha uma tranca ali e atirou várias vezes nela. Depois, com dois chutes a tranca soltou por completo e ele abriu o portão pra cima.
O galpão era enorme, tipo, muito mesmo. Gritei pra alguns dos vapor seguir comigo e mandei o RK ficar na linha de frente do lado de fora. A cada segundo que eu percorria aquele galpão e não encontrava o fudido do Barão, minha aflição só aumentava. Eu tava usando frio, mas não era de medo, era de adrenalina e de ansiedade pelo o que eu ia fazer com aquele cara quando eu o encontrasse.
Do nada, ouvi três tiros seguidos de dentro do galpão e começou uma gritaria, corri pra aonde os tiros tinham vindo e encontrei o Barão baleado no chão.
VH: Eu falei que não queria ele ferido, porra.
FG: Foi mal, chefe. Mas o cara saiu correndo e atirou duas vezes pra me acertar, tu queria que eu fizesse o que? - Respirei fundo e olhei pro Barão caído no chão. Ele tinha levado um tiro no joelho, então não era tão grave assim. A arma, por sorte, tinha caído pra nem longe dele.
VH: Foi mais fácil te achar do que eu imaginei que seria. - Sorri e me ajoelhei pra olhar pra cara do filho da puta.
Barão: Tu devia tá no inferno, junto com teu pai. - Eu ri.
VH: Eu vou te mandar pra lá, já que tu tem tanta certeza que meu pai tá no inferno, vocês dois se encontram lá.
Levantei e puxei a camiseta dele pra ele se levantar também. Ele resmungou de dor quando conseguiu ficar de pé, mas eu não liguei e fui empurrando ele até sairmos daquele galpão.
Olhei o jeito como o RK mudou de postura assim que viu o rosto do Barão, o ódio tava estampado na cara dele e com certeza tava na minha também.
Xxx: Porra, a gente tem que vazar agora! - Gritou um vapor quando ouvimos o barulho de helicópteros sobrevoando a favela.
VH: Viram toda a movimentação do Vidigal até aqui, os cana já devem tá preparados pra subir. Prepara todo mundo aí, bagulho é sumir daqui e ir pro Vidigal o mais rápido possível. Se separa geral. - Gritei pros demais.
RK: Coé VH, e meu irmão, cara? Não deu pra gente procurar ele, não tem como deixar o moleque aqui.
VH: Mano, os cana tão quase invadindo a favela já, se tu quiser arriscar e ficar pra procurar teu irmão, fica. Mas eu tô vazando, tu vai se colocar em rosto e vai colocar o moleque também. Chegando lá no morro, a gente resolve com esse filho da puta. - Apontei com a cabeça pro Barão. - Até ele falar aonde tá teu irmão.
RK só balançou a cabeça concordando mas sem querer, mas era isso, pô. Não tinha o que fazer, a essas horas qualquer movimento era arriscado.
Subi na van preta que já tava ali a disposição e praticamente, joguei o Barão pra dentro. Ele gritou alguns xingamentos pra mim, mas eu não fiz questão de prestar atenção nisso. Eu só tava focado em como eu ia matar esse cara, da pior forma possível.
Eu ia ser o monstro que meu pai me criou pra ser.
...
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Por Nós [M]
Fanfiction📍Vidigal, Rio de Janeiro "Ela tem um jeito que me faz pensar que, O mundo ainda tem valor E que o amor faz sentido..."
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