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Júlia
Vim pro curso na força do ódio. Eu faltei a semana passada toda, por isso a minha mãe me obrigou a vir hoje. Pedi pra ela me trocar de curso por que não quero mais ficar aqui, mas ela não quis. Disse que eu tenho que ter um "motivo plausível" pra querer trocar. Mas, infelizmente, eu não posso falar que saí escondido, me meti em uma briga e não quero ficar por que o cara que eu gostava estuda aqui.
Eu não vi o Felipe hoje e tava dando graças a Deus por isso. O que eu menos queria no momento era olhar pra cara dele.
Na hora que a aula acabou, arrumei minha mochila e sai da sala. Algumas pessoas estavam andando rápido e eu nem entendi nada. Só continuei andando. Quando eu saí do portão vi várias pessoas na saída, acho que estavam esperando alguma coisa.
Eu não sabia o que era e sinceramente não me interessava, devia ser alguém que ia brigar ou alguma coisa do tipo. Isso acontece direto mas pra mim não tem graça.
É sempre assim, juntam um monte de pessoas pra tentar botar medo em uma pessoa só. Na covardia mesmo. Por isso não gosto. Se quer brigar, que pelo menos seja justo pros dois lados.
Escutei alguém me gritar, revirei os olhos e andei mais rápido pra tentar sair de perto dele, mas ele já estava do meu lado.
Felipe: Júlia, eu posso conversar com você? - Falou com a respiração ofegante e eu parei de andar o encarando.
Júlia: Tem como você me deixar em paz, caralho? - Ele olhou ao nosso redor e eu percebi que a multidão tava se aproximando da gente. - Que tá acontecendo aqui?
Felipe: Vem comigo, por favor. - Pegou na minha mão mas eu tirei ela na mesma hora.
Como se não bastasse uma só pertubação, escutei as risadas daquelas meninas e eu bufei. É brincadeira um negócio desses, não é possível.
Brenda: Achou que ia encostar na gente e iria ficar por isso mesmo? - Falou atrás de mim.
Júlia: Mulher, pior que eu achei. - Me virei pra ela. - Juntar bondinho pra tentar botar medo? Bem coisa de sexto ano do fundamental, hein gata?!
Nathalia: Mas você foi mulher de mexer com a gente, agora é só você sustentar. - Deu um sorriso cínico pra mim.
Júlia: Fui tão mulher que consegui bater em vocês duas sozinha. - Olhei pro Felipe. - Aliás, bati em vocês três. Mas você precisa reunir um tanto de gente pra tentar me botar medo por que sabe que sozinha não consegue.
Todo mundo que tava ao redor riu um pouco baixo, mas ainda deu pra escutar. As duas ficaram com vergonha e se entreolharam.
Júlia: Se vocês quiserem brigar comigo, arrumem um motivo. Eu não vou ficar gastando meu tempo atoa e por motivo idiota.
Brenda: Idiota é o caralho, você encostou na gente! Já chegou cheia de marra na festa e ainda achou que tinha o direito de fazer o que você fez.
Júlia: Eu tinha o direito sim. Ou tu acha que eu sou otária pra escutar os outros falando e fazendo mal pra mim e ficar quieta?
Nathalia: Garota o teu mal é se achar demais. - Riu e chegou perto de mim. - Lá você conseguiu o que queria, mas agora você não vai conseguir. Você tá sem coragem até pra botar toda a marra, igual você colocou lá.
Júlia: Que marra, garota? Eu me defendi por que escutei tudo o que vocês falaram de mim no banheiro. Tu queria que eu ficasse caladinha aceitando aquilo?
Brenda: Se o Felipe te usou como brinquedo sexual dele, aí o problema já é de vocês dois. Pelo menos pra isso você serviu.
Fechei os olhos e respirei fundo tentando me acalmar e se possível não chorar por ser intitulada como "Brinquedo sexual" na frente de todo mundo.
Felipe: Cala a porra da boca, Brenda. - Falou alto.
Brenda: Por que? Tá com pena do brinquedinho que você usou?
Eu continuei calada e escutando o que eles falavam. De um lado tinha o Felipe tentando me "defender" e ao mesmo tempo sair como coitado. E do outro tinha a Brenda e Nathalia que usavam tudo que é considerável como ofensa contra mim. "Puta" "Otária" "Idiota" "Brinquedinho sexual" foram as coisas que eu mais ouvi ali.
Enquanto isso todo mundo que tava ao redor da briga continuou sem nem se mover. Pareciam estar adorando aquela porra. Todos tavam cochichando ou até gritando pra elas me meterem a porrada logo.
Eu ia voltar a falar, mas senti alguém me segurando e me virei de uma vez pra pessoa. Odeio essa mania que todo mundo tem de ficar tocando em mim.
Júlia: Era o que me faltava mesmo. Tá fazendo o que aqui, senhor? - Ri sem graça enquanto via ele ali.
RK: Calada e entra no carro. - Virou as costas e andou até o carro que tava ali na frente.
Dei de ombros e segui ele, não entendi por que ele tava aqui mas de qualquer jeito foi bom. Escutei a Brenda e a Nathalia gritando pra mim, enquanto a multidão falava que eu era medrosa e coisas do.tipo.
Não liguei muito pra isso, só entrei no carro como o RK tinha "mandado". Durante o caminho tentei perguntar o que ele tava fazendo ali, mas ele não me respondeu. Se fez de Kátia a cega e continuou dirigindo sem trocar uma palavra comigo e nem sequer me olhou.
...
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Por Nós [M]
Fanfiction📍Vidigal, Rio de Janeiro "Ela tem um jeito que me faz pensar que, O mundo ainda tem valor E que o amor faz sentido..."
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