*Capítulo 51*

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VH

Antes do RK sair do Vidigal, meu pai me deu o papo que era pra ir atrás. Se ele precisasse de ajuda era pra eu tá lá, mas nem o RK sabia disso. Eu queria ter ido pra reunião, mas se o MT manda tu fazer uma coisa, tu vai fazer e ponto. Mas não entrei dentro da favela, eu só ia entrar se precisasse pra ser menos arriscado pra ambos.

Fiquei na entrada do morro escondido, a maioria dos soldado do Barão tava naquela área. Se acontecesse alguma coisa, eles iam sair daqui e dava tempo de eu tentar parar eles.

Fiquei umas horas ali, tava até pensando em ir embora porque parecia tudo sob controle. Quando eu escutei um tiroteio, mudei de idéia na hora.

Escutei os cara falar um pouco, mandaram só dois pra dentro da favela pra ver de onde vinham os tiros e resolver a parada. A parte fácil desse plano é que o Barão pelo visto só tem soldado burro. Quem escuta um tiroteio e manda só duas pessoas pra ver o que tá rolando? Capaz das duas pessoas morrer junto.

Não tô reclamando, é até mais fácil pra mim lidar com gente burra.

Não perdi mais tempo e entrei dentro do morro também, a parte foda seria caçar o RK nessa favela inteira. Mas eu ia dar o meu jeito. Comecei a andar depressa entrando em qualquer beco pra ver se ele tava ali, mas nada.

Quando eu cheguei numa parte mais acima do morro, vi que tinha gente andando rápido e um pouco desesperada.

VH: Que que tá pegando, minha senhora? - Gritei pra uma idosa que tava tentando correr pra longe.

Xxx: Teve um tiroteio ali na viela de cima, tem duas pessoas mortas lá. - Gritou de volta enquanto se afastava.

Mortas?

Andei depressa até a viela que ela disse e encontrei o corpo da mulher que eu achava ser a Letícia já morta. O rosto dela tava todo desfigurado de tanto tiro que ela levou na cabeça. Quando olhei pro lado, vi o RK caído ali também e desacordado.

VH; Porra...- Fui até ele e abaixei. Eu não sabia o que ia fazer se o cara tivesse realmente morto, ia deixar o corpo ali ou levar de volta? Não sabia.

Olhei direito e vi que ele ainda tava respirando, suspirei e balancei o rosto dele. Ele demorou pra reagir, mas depois grunhiu de dor e abriu os olhos devagar.

VH: Tu consegue fazer só um esforçinho? Porque eu não consigo te carregar no colo não.  - Falei com sinceridade e ele grunhiu de novo afirmando.

Levantei ele devagar e tentando ter cuidado, tenho nem idéia da dor que esse cara deve tá sentindo agora. Coloquei o braço "bom" dele apoiado no meu ombro e ajudei ele a ficar em pé segurando o outro lado pra ele ter firmeza.

RK quase não conseguia andar, praticamente tive que segurar ele e ir arrastando um pouco pra conseguir sair daquela viela. Fui o mais rápido possível porque já conseguia ouvir o barulho dos vapor chegando ali.

RK: Calma. - Falou com dificuldade e eu parei um pouco. Quando olhei pra cara dele, percebi que ele tava quase perdendo a consciência de novo.

VH: Fica de olho aberto, tu não pode perder a consciência não.

Ele tentou fazer o que eu pedi e eu continuei arrastando ele pra fora do morro. Sinceramente? Sei nem como eu consegui, mané.

O cara era pesado, e os vapor tava em todo canto procurando. Mas com custo, consegui sair do morro por uma saída que não tava sendo vigiada e cheguei no meu carro.

Ajudei o RK a entrar no banco de trás e ele ficou deitado lá. Ele ainda tava de olho aberto e respirando com dificuldade. Entrei no banco do motorista e dei partida pro Vidigal, nem sei em qual velocidade eu tava.

Hora ou outra eu tinha que chamar o RK pra ver se ele ainda tava consciente. Na velocidade que eu tava, não demorou pra chegar no Vidigal e fui direto pra casa da minha mãe.

Meu pai ia pra tantas missões que voltar pra casa baleado e quase sem consciência era quase uma rotina. Sempre quem tinha que lidar com isso era a minha mãe, que passava madrugadas e dias cuidando dele. Nem sempre dava pra levar ele pro postinho ou pro hospital, ou porque não dava tempo ou porque  era arriscado. Acabou que meu pai e minha mãe decidiram montar um "quarto de hospital" na casa pra quando precisasse. É maluquice, mas pra gente era normal.

Tudo que precisa tem dentro daquele quarto, e eu sei que minha mãe já tava em casa então só fui direto pra lá que era a melhor opção. Liguei pra ela quando ainda tava no carro e falei a situação toda pra ela já deixar os bagulhos que ia precisar preparado.

VH: Tá vivo?

RK: Ainda tô. - Falou com dificuldade.

VH: Então continua, porque vou precisar te levantar aí de novo.

Entrei na garagem de casa e saí. O quarto ficava depois da sala, não ia precisar andar tanto. Abri a porta do passageiro e ajudei o RK a sair de novo. Entrei dentro da casa e minha mãe já tava na porta do quarto esperando já arrumada como ia precisar.

Enquanto eu ia levando o RK pro quarto, a Júlia apareceu correndo escada abaixo e só parou quando viu a cena. Ela arregalou os olhos e ia falar alguma coisa mas eu interrompi.

VH: Agora não, Júlia.

Ela fechou a boca na hora, mas continuou olhando tudo com uma expressão de choque na cara. Coloquei o RK na maca que tinha no quarto e logo em seguida minha mãe me dispensou pra deixar ela fazer o que precisava.

Júlia: Você acha que ele vai ficar bem? - Me perguntou quando eu voltei pra sala. Ela tava imóvel ainda olhando todo o sangue que tinha ficado no chão.

VH: Acho.

...

Por Nós [M]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora