*Capítulo 58*

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Cap 58 pt.2

Júlia

Depois que o RK foi embora, eu continuei aqui na casa dele. Tô com uma preguiça de descer o morro e ter que enfrentar o meu pai depois de ter desaparecido a noite inteira sem dar sinal de vida. Nem imagino o tanto que ele vai me xingar. Quando ele ligou pela vigésima vez, eu atendi pronta mentalmente.

Ligação

MT: Júlia? - Falou e eu percebi o tom de preocupação na voz dele.

Júlia: Oi pai. - Falei com uma vozinha doce.

MT: Onde tu tá, caralho? Tu e teu irmão somem a noite inteira e não dão sinal de vida. Tão achando o que, porra?

Júlia: Relaxa pai, eu tô segura e não fiz nada de errado. Sobre o meu irmão, eu só sei que ele tinha ido pra formatura da Amanda. De resto não sei.

MT: Você tá aonde? - Falou ainda com raiva.

Mandei a localização pro meu pai e mais uma vez falei que estava bem e segura, mas conhecendo ele, mesmo eu falando isso, ele não vai ficar calmo.

MT: Não é pra sair daí. Espera que eu vou te buscar.

Júlia: Eu consigo descer o morro sozinha.

MT: Não vou repetir, parceira. - Desligou.

Respirei fundo e sai da cama de uma vez. Fui até o banheiro e tomei um banho rápido, saí e me vesti. Depois deitei de novo e esperei meu pai, enquanto ele não chegava, eu mexia no celular atoa.

Escutei um barulho muito alto vindo do portão e resolvi me levantar, o meu pai tava puto pra caralho, mas não a ponto de quase arrombar o portão. Essa casa ficava na parte alta do morro e era um pouco afastada das outras, não tinha tantas casas perto desse lado específico do morro, então eu dúvido que fosse algum morador "normal" fazendo esse barulho.

Quando saí da porta da cozinha, senti meu cabelo sendo puxado com muita força e fui jogada no chão. Eu ia gritar, mas na mesma hora um homem enorme agachou em cima de mim e segurou minha boca me calando e a outra mão no meu pescoço apertando.

Barão: Tu vai ficar caladinha e vai obedecer tudo que eu mandar, se não tu morre agora.

Ele pegou uma fita que tava ali do lado e usou ela pra tapar minha boca, tinham também duas cordas que ele usou pra prender meus braços. Ele levantou de cima de mim e me levantou pelo cabelo, senti meu olho lacrimejar de dor.

Mesmo sentindo dor pelo corpo, eu me recusei a chorar. Uma coisa que meu pai sempre me ensinou, é que nessas horas não se pode demonstrar fragilidade. Não importa o quão mal você esteja. Eles usam isso ao favor deles.

Barão: Até que tu é bonitinha pra ser filha do MT. - Deu um sorriso horroroso. - Vou pensar se te mato ou se brinco contigo antes.

Nojo foi tudo o que eu senti por esse homem, quando isso acabasse eu ia tomar um banho de desinfectante.

Meu celular tinha caído no chão e tava desbloqueado. Ele aproveitou a oportunidade pra pegar ele e olhar as conversas com o meu pai.

Barão: Tu já até adiantou meu trabalho, princesa. Tu atraiu seu pai pro lugar certinho que eu queria. - Ele começou a me puxar pelo cabelo até sair fora da casa. Quando saímos, vi um monte de homens armados e preparados com colete a prova de balas.

Não foi isso que me surpreendeu, eu já esperava por isso. Ninguém é doido de invadir uma favela sozinho.

O que me surpreendeu, é que a maioria dos caras que estavam ali eu conhecia. Por que eram os soldados do meu pai.

Por Nós [M]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora