*Capítulo 43*

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RK

RK: Bom dia.

Cida: O que você quer aqui? - Me atendeu já na grosseria e tentou fechar o portão na minha cara mas eu coloquei a mão.

RK: Tudo bem com a senhora, dona?

Cida: Sai da minha casa agora!

RK: Cadê teu filho?

Cida: Chega disso, já fizeram coisa demais pro meu filho por causa daquela menina do inferno. Você quer fazer mais o que?

RK: Matar ele. - Ela me olhou assustada e ia começar a falar. - Pra sorte da senhora, eu não vou fazer isso. E se eu fazer, não vai ser na tua frente.

Cida: Pelo amor de Deus, deixa ele em paz.

Na hora, o tal Felipe apareceu ali e ficou do lado da mãe. Olhei bem pra cara dele achando graça.

O cara tava todo arrebentado e eu nem tô exagerando. Ele tava com gesso em uma perna e tava de muleta. O rosto dele tava roxo pra caralho, todo inchado e o corpo tava todo machucado.

RK: Já até adiantaram meu trabalho.

Felipe: A piranha mandou mais um pra me cobrar?

RK: Na real não, mano. Eu vim porque eu quis mermo, já que tu gosta de ficar espalhando foto dela por aí só sustenta o que tu arrumou pra cabeça.

Felipe: Não me arrependo não. Ela mandou o irmão dela vir aqui me dar uma surra, eu só devolvi.

RK: Tu traiu ela, foi cobrado e depois disso ainda fez mais merda com o nome dela. - Neguei com a cabeça. - Tu é burro pra caralho.

Cida: Saí agora daqui. - Gritou na minha cara e eu empurrei ela pra trás pra ela sair de perto de mim.

RK: Para de gritar na minha cara, porra. - Apontei pro cara. - Tu tem dez minutos pra ta na principal. Se não eu venho e faço o que eu tenho que fazer aqui mermo, na frente da tua mãe.

Não rendi mais papo e sai de lá, quando cheguei na principal, alguns caras me cumprimentaram e eu fiquei esperando pelo cara. Acendi um cigarro pra tentar relaxar um pouco mas não resolveu porra nenhuma. Quando acabei, vi ele entrando no beco e ele já veio direto na minha direção.

RK: Me dá teu celular.

Ele engoliu em seco e pegou o celular no bolso. Ele destravou e me deu. Procurei pelo celular dele todas as fotos que ele tinha da Júlia e apaguei todas, ele tinha o número dela e eu apaguei também pra não deixar nada dela ali.

Não ia ter outra coisa pra fazer, esses perfil de fofoca de favela costuma ter vários dono e tudo anônimo. Mas rapidinho eu descubro quem é e mando apagar aquela porra.

RK: Toma. - Entreguei o celular pra ele, ele pegou e ficou me encarando já que eu não tinha falado mais nada.

Felipe: É só isso? Posso ir embora?

RK: Não. Tu vai escolher um bagulho primeiro.

Felipe: O que? - Perguntou enquanto eu tirava minha arma da cintura.

RK: Tu vai querer levar em qual mão, parceiro? - Ele arregalou os olhos e eu cheguei mais perto. Um menor da boca veio pro meu lado e me segurou.

HG: Barão não vai curtir isso aí não, RK. Tu tá cobrando morador da favela dele, sem autorização dele. Ele já ficou puto quando o VH veio aqui fazer a mesma coisa.

RK: Se o Barão tiver achando ruim, manda ele vir resolver comigo.

HG: Tô te avisando. O cara aí tá na proteção, quem vai acabar sendo cobrado é tu.

RK: Vocês tão protegendo esse aí por que?

HG: Ele pediu depois da surra que o VH deu nele. O moleque ficou dois dias no hospital e o Barão forneceu a segurança pra ele já que o VH fez a cobrança sem autorização de ninguém. - Eu ri.

RK: Vocês são comédia demais. - Destravei a arma e olhei pro tal Felipe que tava com a cara de assustado segurando o choro. - Já escolheu?

Ele tremeu enquanto levantava a mão direita pra mim. Não perdi tempo pra disparar dois tiros na mesma mão. Ele gritou antes de cair no chão chorando e eu guardei a minha arma de novo.

Me abaixei pra ficar na mesma altura que ele.

RK: Tu entendeu o recado ou eu ainda preciso falar contigo? - Ele balançou a cabeça rápido. - Suave então.

Ia me levantando pra ir embora mas ouvi alguém falando alto e virei pra trás.

Barão: Qual foi do k.o, RK? - Praticamente gritou. - Vocês agora tão achando que pode vir aqui e cobrar meus morador sem me avisar antes?

RK: Se teus morador não tem postura, o jeito é esse.

Barão: A parada é que: não é assim que funciona.

RK: Vai ser assim que vai começar a funcionar então. Se teus morador desrespeitar alguém da minha favela, vai levar cobrança e ponto. - Apontei pro Felipe. - Esse aí ainda deu sorte que quem cobrou ele foi eu e o VH. Porque se fosse o MT, ele já tava numa vala no primeiro vacilo com a filha dele.

Barão: Então quem resolveria comigo tinha que ser o MT. Mas ele fica mandando outros pra resolver a obrigação dele.

RK: Ele não me mandou pra nada. Eu vim porque eu quis.

Barão: Já que tu é tão independente assim, a cobrança pra tu vai vir e tu vai sustentar sozinho. - Ri dele e neguei com a cabeça.

RK: Tu não encosta em mim, parceiro. A única coisa que tu vai fazer é ficar quieto no teu canto pra não começar uma coisa que tu não vai sustentar.

Barão: Tu é muito corajoso pra ficar me ameaçando e botando marra pra cima de mim na minha favela, moleque.

Fiquei surpreso quando ele parou de falar merda e ficou calado, quando vi que o MT e o VH tinham chegado ali na principal também, entendi. A essa altura, os dois já deviam saber do que rolou.

MT: Continua ameaçando aí, pô. Quero atrapalhar nada não.

Barão: A gente tem um papo pra trocar.

Pelo canto do olho vi o VH puxando o Felipe pela camisa até ele ficar em pé. O cara ainda tava chorando e tremendo, mas mesmo assim o VH não teve pena. Só deu pra escutar o barulho do tiro que ele deu na outra mão dele, e depois empurrou o cara pra fora do beco. Ele gritou mais ainda.

MT: Fala aí.

Barão: VH e RK tão entrando aqui e cobrando morador meu, como se tivessem alguma autoridade na minha favela.

VH: Nem tu tem autoridade na sua favela.

MT: Se você não ensina a disciplina pros daqui, os de fora vão ensinar. É assim que funciona e tu já tava ligado. Tu protegeu o cara que mexeu com a minha filha igual um moleque, quem merece cobrança é tu por essa palhaçada.

Barão nem tentou falar nada, ele sabia que tava no erro por não ter feito alguma coisa antes. O MT falava e ele ficava de cabeça baixa só concordando pra não piorar pro lado dele.

Não teve muito papo, só esclareceram o que tinha acontecido e foi isso. Sai daquele beco junto com o MT e VH. Eu queria ir ver como a Júlia tava e devolver o celular dela, mas tinha uma parada apertando minha mente e eu ia resolver isso antes.

RK: Tu conhece a mulher do Barão?

MT: Por que?

RK: Só quero saber.

MT: Eu não. Ele nunca apareceu com essa mulher por aqui.

Balancei a cabeça e não falei mais nada. Eu ainda ia passar na casa da minha mãe, ela tava falando na minha cabeça que tinha dias que eu não ia visitar ela, e quando eu chegar lá, eu resolvo essa parada de uma vez.

...

Por Nós [M]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora