*Capítulo 60*

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Cap 60
pt. 1

Duas semanas depois...

Amanda

Minha mãe tava me ajudando a comer a comida horrível do hospital. Eu tava encostada na cama, comendo por ela. Porque se dependesse de mim, eu não tinha comido nada desde o dia que entrei aqui.

No dia que eu e o Victor fomos baleados dentro do carro, nós dois perdemos a consciência. Eu só acordei quando já tava dentro da ambulância, e com as portas abertas, consegui ver de relance o corpo do Victor na outra ambulância em frente com vários policiais ao redor dele. Eu tentei gritar e até mesmo me levantar, mas não me deixaram chegar perto dele desde então. E com a dor que eu tava sentindo naquele momento, eu só aceitei.

Estamos internados no mesmo hospital a duas semanas, eu tô me recuperando dos dois tiros que tomei na barriga. Tendo que lidar com uma dieta líquida horrível que minha mãe me obriga a comer todos os dias. Não me deixam ver o Victor. Não deixam ninguém entrar lá. Minha mãe me contou que a Mirella teve que ser retirada por policiais e ser medicada porque ela estava tendo um ataque de pânico e não parava de gritar literalmente implorando pra deixarem ela ver o filho.

Eu não consigo nem imaginar como ela se sente sendo privada de ver o próprio filho, ainda mais depois de ter perdido o marido. Tá todo mundo péssimo com essa notícia, minha mãe, meu pai, eu, acho que todos nós choramos quando a notícia chegou até a gente. E eu não consigo pensar como o Victor vai reagir quando descobrir.

Eu tô com tanta falta dele, mas não me deixam ir visitar ele de jeito nenhum. Eu só sei que a ala dele está abarrotada de políciais e assim que ele receber alta, ele vai ser preso na penitenciária de segurança máxima. Eu não soube reagir a isso. Simplesmente não entra na minha cabeça. A minha preocupação só aumenta porque sei que até hoje ele tá internado na UTI, então, os tiros devem ter sido graves.

Minha mãe disse que tem tentado ao máximo ajudar a Mirella, na medida do possível. Tá todo mundo se ajudando, o tio KL, a tia Eduarda, o Cauê, a Bianca, meu pai, a tia Lorena e até a tia Emilly. Tá todo mundo junto todos os dias desde a morte do MT.

Ninguém me fala mesmo como a Júlia tá, eu perguntei pra todo mundo e ninguém soube me dizer. Eu só queria estar perto pra poder abraçar e cuidar dela agora.

Minha mãe disse também que a guerra infelizmente ainda não acabou. Ninguém sabe se o Barão tá vivo ou morto. Mas, enquanto não sabem disso, todo mundo tá quieto. Ninguém tá com disposição de continuar essa guerra agora.

Mas eu sei que assim que o Victor descobrir, ele vai continuar. E ele não vai parar enquanto não acabar com a vida do Barão da pior forma se ele ainda estiver vivo. E eu não tô pronta pra isso. Ninguém tá.

Amanda: Não quero mais.

Débora: Você não comeu nem metade. - Eu ia falar alguma coisa mas assim que abri a boca, ela meteu a colher cheia de líquido dentro e eu engoli com raiva. - Olha só que delícia.

Minha mãe acabou de me obrigar a comer a janta e o horário de visita acabou. Minha mãe se despediu de mim e foi embora triste, por ela, ela permanecia comigo aqui até eu ter a alta.

Tentei dormir mas não conseguia. As noites aqui são péssimas, eu nunca consigo descansar.

Se passou horas e eu ainda não tinha conseguido pregar os olhos, resolvi sair da cama e peguei o suporte que estava com meu soro e saí me arrastando por aí atrás de uma enfermeira que pudesse me dar um remédio pra dormir. Se eu passasse mais uma noite em claro, eu ia enlouquecer.

Por Nós [M]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora