RK
Eu já tava dirigindo a horas e ainda não tava nem na metade do caminho. A tal Aline disse que precisava usar o banheiro então eu fiz uma parada. Ela saiu do carro e deixou o moleque já que ele tava dormindo.
Sai do carro e peguei um cigarro começando a fumar. Escutei a porta batendo atrás de mim e a Júlia saiu.
Júlia: Olha só, se você tem problema de bipolaridade ou transtorno de personalidade, eu acho que você deveria resolver isso com um psicólogo.
RK: Do que tu tá falando, maluca?
Júlia: Desse seu jeito estranho. Tu ficou estressado do nada e ainda por cima só me responde na ignorância. Então eu tô te dando uma dica, que se você tiver algum transtorno é pra você ir se tratar.
RK: Eu tô normal, Júlia.
Júlia: Não, caralho. Você não tá normal, e se esse for o seu normal, eu vou ficar bem longe de você. Porra, eu não sou obrigada a ficar aturando tuas ignorâncias todo dia não.
Respirei fundo e peguei a mão dela trazendo o corpo dela pro meu.
RK: Foi mal.
Júlia: Foi mal o caralho!
RK: Eu não gosto dessa mulher. - Ela me olhou confusa. - É por isso que eu tô estressado, não é contigo é só com a situação, tá ligada?
Júlia: Você não gosta dela por que? Você nem conheceu a moça e ela nem falou nada. Que tipo de preconceito é esse aí?
RK: Não sei porque eu não gosto dela. Só não bati com ela.
De verdade nem eu sei que porra tava acontecendo. Só tô com um bagulho estranho no peito desde que vi essa mulher. Ela é estranha e também fica me encarando que nem psicopata.
RK: Mas na moral? Tu também é toda burra. Se eu não tivesse mandado tu entrar no carro aquela hora, tu já ia anunciar pra mulher que é filha do MT. Tu fala isso pra qualquer pessoa ou tu só é burra pra caralho mesmo?
Júlia: Eu não sei se você sabe, mas o marido dela é aliado do meu pai, ela sabe que você é a mesma coisa e provavelmente ela também sabe que tá andando num carro cheio de droga. Então o que tem demais eu falar disso com ela, se ela também é envolvida?
Ela respirou fundo e cruzou os braços.
Júlia: Se você não gosta dela, problema é teu. Eu não tenho nada haver com isso.
RK: Eu há te pedi desculpas.
Júlia: Não. Tu não pediu desculpas, tu só disse "foi mal".
RK: Desculpa, Juliana.
Júlia: Juliana é minha pica. - Ri de leve porque sabia que ela odiava esse apelido. - Eu não tô vendo graça.
Puxei de leve o cabelo dela até o rosto dela tá perto do meu e beijei ela devagar. Ela ficou resistindo e me dando tapinha no braço até que parou e me beijou de volta.
Júlia: Eu não vou te desculpar só porque você tá me beijando.
RK: A gente resolve na cama depois então. - Desci minha boca pro pescoço dela e dei um um chupão que ficou a marca. Eu ia continuar mas ela se afastou assustada e apontou com a cabeça pra trás de mim.
O moleque tava ali de braços cruzados olhando pra gente.
Luan: Onde tá a minha mãe?
Júlia: Ela foi no banheiro rapidinho, mas já deve tá voltando. - Ela disse toda envergonhada e eu tive que segurar a risada.
Luan: Eu quero ir no banheiro e tô com fome.
A Júlia me deu uma cutucada nas costas.
Júlia: Leva ele.
RK: O banheiro fica lá ó. - Apontei.
Júlia: Ele só tem cinco anos, Henrique. Leva ele, se não ele pode ficar perdido e ele também quer comer.
Luan: Eu não tenho cinco anos. - Ele fez uma cara feia pra Juliana. - Eu tenho seis.
RK: Caralho hein, parceiro, muita diferença isso aí. Tu é quase um idoso já, pô.
Luan: Vocês que é.
RK: Ih ala, que moleque folgado. - A Júlia me deu uma cotovelada.
Júlia: Leva logo ele.
Fui andando na frente com o moleque atrás de mim. Levei ele até o banheiro e fiquei esperando do lado de fora. Quando ele acabou, ele saiu e eu fui pro outro lado da loja.
RK: Tu quer comer o que?
Ele apontou pra um doce que tinha na vitrine. Paguei e dei o doce pra ele junto com um suco que ele pediu.
RK: Tu pode comer no carro? - Ele balançou a cabeça afirmando.
Enquanto a gente voltava, ele não disse mais nada. O menino era todo calado, nem dava pra eu falar nada porque na idade dele eu era igual.
Quando chegamos no carro, a mãe dele já tava lá e quando ela viu a gente, ela me deu aquele olhar estranho que tava me pertubando pra caralho.
Eu ignorei essa mulher e segui a viagem. A gente chegou no Rio quando já era de manhã. A Júlia, a mulher e o menino tavam dormindo e eu tive que acordar os dois quando a gente chegou no Alemão.
Aline: Obrigada. - Ela saiu do carro junto com o filho.
O menino olhou pra trás e balançou a mão dando tchau, dei de volta e parti em direção pro Vidigal.
Enquanto eu dirigia, o celular da Júlia começou a vibrar sem parar e nem assim a garota acordou.
Balancei ela e ela não acordava, comecei a achar que ela tava morta mas fiquei de boa quando ela abriu os olhos e pegou o celular de uma vez.
RK: Pega tuas coisa e espera aqui. - Falei quando chegamos. Eu tinha que entregar o carro pros cara ainda.
Não demorou, só deixei o carro na mão de um menor e ele foi levar pra desmontagem. A Júlia ainda tava num canto do beco com as malas tudo no chão. Ela tava olhando pro celular e eu percebi que ela tava tremendo.
RK: Qual foi? - Ela virou o rosto pra mim mas eu vi que ela tava com a cara toda manchada porque tava chorando. - Que foi, Júlia?
Ela respirou fundo e tentou limpar o rosto. Quando ela se "acalmou" um pouco, ela colocou o celular na minha mão.
RK: Que porra é essa? - Olhei pra foto de novo pra ter certeza de que era ela.
Tava em um perfil de fofoca da favela, várias fotos da Júlia pelada e um vídeo. Desliguei o celular dela porque não queria ver o que tava escrito naquela merda e nem o que tavam falando dela.
RK: Vem cá. - Puxei ela pra mim e ela passou os braços por mim me abraçando.
Fiquei com ela assim naquele beco até ela se acalmar, ela chorou pra caralho e eu não sabia direito o que falar pra ela, só abracei ela de volta.
RK: Tu sabe quem fez isso? - Ela balançou a cabeça ainda tremendo.
Júlia: Foi o Felipe. - Ela limpou o rosto. - Ele tinha aquelas fotos e eu não sabia que ele tinha gravado aquele vídeo meu e dele.
RK: Tu consegue levar suas coisas pra tua casa sozinha? - Ela balançou a cabeça. - Então vai.
Ela estendeu a mão pra eu dar o celular mas eu guardei no meu bolso.
RK: Te devolvo depois.
Júlia: O que tu vai fazer com o meu celular?
RK: Nada. Só não quero tu olhando prá isso toda hora. - Ela respirou fundo e concordou.
Esperei ela ir embora e peguei a minha moto em casa, depois fui pro Alemão resolver essa porra eu mermo.
...
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Por Nós [M]
Fanfiction📍Vidigal, Rio de Janeiro "Ela tem um jeito que me faz pensar que, O mundo ainda tem valor E que o amor faz sentido..."
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