Maratona 3/5
Amanda
Eu tenho quase certeza que eu tô morta e a única coisa que sobrou aqui na Terra foi o meu corpo mesmo. Hoje eu fiz hora extra no serviço e pra compensar ainda tive que ir pra faculdade. Minhas notas estão um pouco ruins então eu tô cumprindo além da minha carga horária pra tentar melhorar elas um pouco mais.
Eu tô exausta, fisicamente e psicologicamente. Eu só quero tomar um banho quente e dormir na minha caminha.
Cheguei no Vidigal agora de noite e só de ver o morro que eu vou ter que subir me dá vontade de chorar. Eu podia pedir um mototaxi mas eu não tenho grana nem pra isso.
Hoje no serviço eu recebi a ligação da Bianca me contando sobre o que aconteceu com a Júlia e eu entrei em desespero junto com ela. Eu queria ter chegado mais cedo mas não consegui, mas acho melhor ir lá na casa dela agora pra ver como ela tá. A Bianca também tá indo, eu tentei ligar pra Júlia mas o celular só dava desligado.
Comecei a subir o morro em direção a casa dela, quando cheguei em um beco perto de lá, senti alguém puxando meu cabelo com uma força do caralho e me jogando contra a parede. Senti minha cabeça latejar quando eu bati com ela na parede.
Amanda: Qual foi? - Falei alto o suficiente pras três meninas que tavam ali. Duas estavam mais atrás rindo enquanto a outra, que eu reconheço ser a Isabela tava mais na frente me encarando puta.
Já sabia o que ia acontecer só de olhar pra cara da Isabela, a "ficante" do Victor.
Isabela: Eu que te pergunto. - Gritou praticamente na minha cara. - Qual é da tua com o VH?
Empurrei ela pra longe de mim, ela tava quase me beijando de tão perto que tava da minha cara.
Amanda: Mulher, pelo amor de Deus vai caçar o que fazer.
Ela riu sem graça e voltou a chegar perto de mim, quando ela levantou a mão rápido pra tentar puxar meu cabelo de novo, eu dei um tapa na mão dela e a afastei.
Amanda: Se tu encostar em mim de novo, a gente vai ter um problema maior do que o VH.
Eu não sou do tipo que briga por macho, Deus me livre fazer o papel da pão careca chifruda.
Mas não é por isso que eu vou deixar qualquer uma encostar a mão em mim. Meu problema não é o motivo que fez essa garota fazer isso, meu problema com ela agora é sobre mim.
Isabela: Cê vai fazer o que, Amanda?
Amanda: Quebrar sua cara, caralho. Sai da minha frente.
Isabela: Então me responde, o que tu ta tendo com o VH?
Amanda: Eu não te devo satisfação de nada não, garota. Vai caçar um emprego pra tu ao invés de ficar brigando por macho que nem sequer te assume.
Isabela: O mesmo vale pra tu, né? Porque todo mundo sabe que eu e ele temos alguma coisa, você é só mais uma das marmitinhas que ele come.
Avancei nela e segurei o cabelo dela com força, ela tentou tirar minha mão do cabelo dela mas não conseguiu, forcei a cabeça dela pra baixo pra ela não conseguir me acertar.
Amanda: O foda é que não dá nem pra te chamar de chifruda, porque pra ter chifre precisa ser assumida.
As outras duas que não tinham se envolvido até agora, vieram pra cima de mim pra me tirar de cima da Isabela e conseguiram, mas antes eu arranquei um tufo do cabelo dessa menina.
As duas me seguraram e a Isabela conseguiu levantar e veio pra cima de mim de novo.
Amanda: Vai ser três contra uma agora? Tu não se garante em nada mesmo em, filha?!
Ela deu um tapa forte pra caramba no meu rosto e a minha cabeça começou a latejar de novo. Não tinha nem como eu fazer nada, porque as outras duas putinhas tavam me segurando.
No final do beco eu consegui ver um dos vapor olhando pra cá, ele tava falando alguma coisa no radinho mas não consegui ouvir o que era. Parei de olhar pra lá quando a Isabela voltou a falar.
Isabela: Tu vai ficar longe do VH, tá escutando?
Amanda: Se não o que?
Isabela: Se não, eu vou fazer contigo coisa bem pior do que eu acabei de fazer.
Amanda: Mas você vai conseguir fazer sozinha ou as duas putinha aqui vão te ajudar de novo? - Ela me encarou casa vez mais puta. - Tu sabe que não consegue fazer porra nenhuma sozinha.
As duas meninas me largaram de repente e me empurraram pra cima dela, ela ia começar a puxar o meu cabelo e eu não ia baixar guarda porra nenhuma. Não deu tempo dela fazer isso porque alguém tirou ela de perto de mim e ela começou a gritar igual uma maluca.
VH: Tu tem merda na cabeça, porra? - Gritou alto na cara da Isabela.
Isabela: É tu que parece ter. Só tava dando o recado pra essa daí.
O Victor segurou o braço dela com força e saiu arrastando ela daquele beco. Antes de ir, ele gritou pras duas meninas irem pra casa delas se não elas iam pra salinha.
Como quem tem cú, tem medo, elas fizeram o que ele mandou.
Ele foi embora com a Isabela gritando e brigando com ele e me deixou sozinha naquele beco.
Eu nunca me senti tão burra na vida. Mas de verdade, eu queria o que? Eu sempre soube a fama de "putão" que o Victor tem aqui no morro, não devia ser novidade e nem me surpreender que apesar de tudo que a gente tava tendo nesses dias, ele preferiu ir com ela ao invés de ficar comigo ou pelo menos me perguntar se eu tava bem.
Limpei a minha roupa e peguei a minha bolsa que no meio da briga tinha caído no chão. Vou ir pra minha casa, eu posso ver a Júlia amanhã. Sinceramente, por hoje já deu pra mim.
...
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Por Nós [M]
Fanfiction📍Vidigal, Rio de Janeiro "Ela tem um jeito que me faz pensar que, O mundo ainda tem valor E que o amor faz sentido..."
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