*Capítulo 12*

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VH

Escutei meu celular tocando pela sexta vez seguida. Nem vi quem tava me ligando, só atendi já puto com a pessoa.

Ligação 🤳

VH: Isso é hora de ficar ligando pros outros, caralho?

Júlia: Pau no seu cú!

VH: O que tu quer, Júlia?

Júlia: Você vai me xingar se eu te pedir um favor?

VH: Vou.

Júlia: Que pena, problema é seu.

VH: Fala logo o que tu quer, mano.

Júlia: Eu preciso que você venha aqui na Barra me buscar, eu não consegui um jeito de ir embora então tive que ligar pra você.

VH: Pra início de conversa, por que tu tá aí na Barra uma hora dessas?

Júlia: Vem me buscar e eu te explico direitinho, vem logo por favor. - Respirei fundo e levantei da cama. - Não conta nada pro pai e pra mãe, eles vão me matar.

VH: Ainda bem que tu sabe.

Júlia: É sério Victor, não conta pra eles. Não agora.

VH: Tá, tá. Cadê a localização de onde tu tá?

Júlia: Te mandei já. Meu celular vai descarregar daqui a pouco, então se eu não te responder é por isso.

Desliguei a chamada e fui ver a localização que ela tinha me mandado. Já conhecia esse lugar pelo nome, então foi mais fácil.

Peguei as chaves do carro e sai de casa tentando fazer o mínimo de barulho possível. Dei a partida e acelerei pro lugar lá, a Barra não ficava tão longe. Não demorou pra eu chegar lá.

Parei o carro do outro lado da rua e não saí. Tentei mandar mensagem pra Júlia mas acho que o celular dela já tinha descarregado. Fiquei esperando ela ali, mas comecei a prestar atenção quando escutei uma gritaria vindo da entrada daquela festa.

Uma mina morena tava gritando, cabelo dela tava todo pra cima. Acho que tinha brigado, sei lá. A loira do lado dela também tava gritando, algumas unhas dela estavam até faltando. As duas continuaram no escândalo, um moleque aleatório apareceu do lado delas e elas aumentaram mais ainda o escândalo.

O cara tentava falar alguma coisa pra elas mas eu não conseguia entender. Nariz dele tava machucado e sangrando um pouco, mas de resto tava suave.

Vi a Júlia saindo da festa. Ela tava com um sorriso besta na cara enquanto vinha até mim arrumando o cabelo.

Quando ela passou do lado daquelas pessoas, as duas garotas começaram a gritar pra ela que iriam chamar a polícia. O moleque tentou pegar no braço dela pra conversar, mas ela se soltou e mandou dedo pros três.

VH: O que aconteceu? - Perguntei quando ela entrou no carro.

Júlia: Desci a porrada nos três. - Eu ri. - Coisas leves.

VH: Achei que tu pegou muito leve com o carinha.

Júlia: Fiquei com dó.

VH: Tinha que ter dó não. - Ela riu de leve. - Bateu neles por que?

Me arrependi de ter perguntado. Júlia quando começa a contar uma história não para de falar até contar detalhe por detalhe. Ela falou tanto, que chegamos no morro e ela ainda tava contando.

VH: Bem feito pra tu. Se tivesse ficado em casa e parado com o fogo no cú, nada disso teria acontecido.

Júlia: Teria sim, ele tava me usando de qualquer jeito.

VH: É, mas teria evitado a humilhação que tu passou. Bem feito também.

Júlia: Tá vendo como você é? Você tinha que me consolar, não falar "bem feito".

VH: Vou jogar na tua cara sim. - Ela bufou.

Júlia: Você não vai contar pra ninguém que eu saí, né? - Encarei ela. - Por favor, cara.

VH: Vou contar nada não. - Revirei os olhos e ela sorriu. Júlia pediu pra eu deixar ela na casa da Amanda. Parei o carro em frente a casa, e ela desceu do carro.

Desci do carro também e esperei a Amanda aparecer. Júlia bateu no portão umas sete vezes, quando ela ia bater de novo, a Amanda apareceu com uma cara de quem acabou de acordar.

Amanda: Enfia a mão no cú, caralho.

Júlia: Ignorante! - Falou entrando dentro da casa dela.

Amanda: Claro né, sou acordada com sete murros no meu portão. - Quando ela terminou de falar, notou minha presença e revirou os olhos. - Esse cara tá fazendo o que aqui, Júlia?

Júlia: Nada, ele já tá indo embora. - Gritou de dentro da casa.

VH: Para de ficar apoiando a Júlia a fazer as merdas dela.

Amanda: Cê tá falando é comigo?

VH: Tá vendo outra pessoa aqui?

Amanda: Pra tua informação, a Júlia faz as merdas dela por que quer.

VH: Por que ela sabe que tu vai ficar encobrindo ela nos bagulho.

Amanda: Eu não sou mãe e nem pai dela. Não tenho que proibir ou deixar ela fazer alguma coisa, ela faz por que quer. Eu não me envolvo mais nisso.

VH: Sempre que ela quer sair escondida, ela vem pra tua casa. Então, tu tá envolvida mesmo não querendo.

Amanda: Victor, tá de madrugada e você tá me estressando. Se você quer reclamar de alguma coisa, fala com a Júlia e não comigo.

VH: Recado dela vai vir também, relaxa.

Amanda: Não tem como ficar relaxada com você na minha frente me dando sermão.

VH: Que sermão, garota?

Amanda: Você se faz muito.

VH: Não tô te dando sermão não, parceira. Tô só te pedindo pra não ficar deixando ela fazer essas coisas, ela fica usando tua casa como desculpa por que tu aceita calada.

Amanda: E eu já disse que eu não sou nada pra proibir ou deixar ela fazer alguma coisa.

VH: Beleza então. - Virei as costas pra ela e entrei dentro do carro indo de volta pra casa.

...

Por Nós [M]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora