Chico acorda no meio da noite, os braços de Caetano já não estavam mais em torno dele. Se virou apenas para perceber que Caetano se remexia em seu sono, meio encolhido, ele suava frio, balbuciando algo que Chico não conseguiu compreender, com certeza estava tendo um pesadelo.
"Caê..." - Chico tentou acordá-lo da forma mais gentil possível.
"Não, não..." - Caetano continuou a murmurar em seu sono.
"Acorda, amor..." - Chico estendeu a mão para toca-lo, mas Caetano acordou assustado, se afastando por impulso.
Caetano olhou, em pânico, respirava pesado, seu coração estava disparado. Há alguns segundos atrás aquela cela escura parecia tão real, mas agora tudo que via era Chico olhando para ele com um olhar preocupado. Olhou em volta, estava no quarto de novo.
"Ei, foi só um pesadelo... Tá tudo bem." - Chico disse baixinho e se aproximou devagar, passando os braços em volta de Caetano, que se aconchega mais perto e deita a cabeça no ombro dele. - "Só um pesadelo..."
"Já passou... eu tô aqui com você." - Chico sussurra e deixa um beijo na têmpora dele, acariciando os cabelos úmidos de suor de Caetano, que continuou em silêncio até que sua respiração normalizasse.
"Parecia tão real..."
"Há quanto tempo você tem esses pesadelos, Caetano?" - Chico esfregou as costas dele suavemente, sentia Caetano mais calmo agora.
"Desde a prisão."
"Por que não me disse nada?"
Caetano apenas deu de ombros, era óbvio que não queria preocupá-lo, Chico já tinha problemas o suficiente.
"Quer conversar sobre isso?"
"Eu tava lá de novo. Na cela. Eles tavam me perguntando sobre você, e eu não conseguia responder. Aí você apareceu, mas... eles te levaram. Eu não consegui te salvar." - Ele baixou o olhar, as mãos apertando o cobertor. - "Eu sei que é só um sonho, mas... parecia tão real."
Chico segurou o rosto de Caetano, obrigando-o a olhar para ele.
"Não é real." - disse, a voz carregada de convicção. - "Você tá aqui. Eu tô aqui. Eles não vão nos separar de novo. Eu prometo."
Caetano quis acreditar, mas o medo ainda o segurava.
"E se eles vierem atrás de você? E se você voltar pro Brasil e...?" Ele não terminou a frase, a voz falhando.
Chico balançou a cabeça, puxando Caetano para um abraço mais apertado, como se pudesse protegê-lo dos próprios pensamentos.
"Nada disso vai acontecer. Caetano, você passou por coisas que ninguém deveria passar. Esses pesadelos... eles vão aparecer, mas eu vou estar aqui pra te lembrar que acabou. Que a gente tá livre."
Caetano deixou escapar um suspiro trêmulo, enterrando o rosto no ombro de Chico. Ele sentia o calor do corpo dele, o cheiro familiar, e aos poucos o pânico começou a ceder.
"Você já teve pesadelos assim?" - perguntou, a voz abafada contra a pele de Chico.
Chico hesitou, então assentiu.
"Tive. Sobre você, sobre a prisão, sobre o que poderia ter acontecido se eu tivesse ficado no Brasil. Mas sabe o que me ajuda?" - Ele se afastou apenas o suficiente para olhar nos olhos de Caetano. - "Acordar e lembrar que você tá aqui. Que a gente tá junto."
Caetano sorriu, um sorriso pequeno, mas genuíno. Ele se inclinou e beijou Chico, um beijo suave, quase hesitante, como se estivesse pedindo permissão para se ancorar nele. Chico respondeu com a mesma ternura, as mãos acariciando as costas de Caetano, trazendo-o para mais perto.
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Amor Mais Que Discreto
Fiksi Penggemar"Mas pode dispensar a fantasia O sonho em branco e preto Amor mais que discreto Que é já uma alegria" Caetano conhece Chico no Festival de MPB de 1967, logo essa amizade se desenvolve em algo mais. Entretanto, que futuro poderia ter o relacionamento...
