Apesar de Você

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Quando a turnê dos Doces Bárbaros acabou, Caetano foi direto para casa, ou melhor dizendo, para casa de Chico. Ele ainda tinha sua casa no Rio, praticamente inabitada, mas os jornais não podiam saber disso. Porque, na prática, estavam morando juntos.

"Chico?" - Caetano chamou, entrando e fechando a porta.

Ele olhou em volta, parecia não ter ninguém em casa, como já esperava. Chico tinha dito que provavelmente não conseguiria esperar por ele por causa do show beneficente no Rio Centro. Era um show em comemoração ao Dia do Trabalhador e haveria vários outros artistas.

Caetano deixou de lado as chaves que Chico tinha lhe dado há muito tempo. Ele percebeu um bilhete em cima da mesa. Era a caligrafia de Chico. Caetano pegou para ler quando percebeu seu nome no papel.

Caê,
Eu queria muito ter ido te buscar no aeroporto, mas se você está lendo isso é porque eu não cheguei a tempo. Desculpa. Sabe que eu estou morrendo de saudade.
Eu não vou demorar, estou louco pra te ver. Imaginei que você chegaria morto de fome e comprei pizza. A gente já sabe como termina quando eu tento cozinhar. Não precisa me esperar pra comer. Até mais tarde.
Te amo. 
                                                            -Chico

Caetano sorria feito bobo olhando para o bilhete. Se sentiu o cara mais sortudo do mundo por ter Chico. Ele era gentil, carinhoso, inteligente, engraçado... para não mencionar muito bonito. O que mais Caetano poderia querer? Não se importou que Chico não se estivesse ali para recebê-lo.

Caetano estava exausto, resolveu tomar um banho antes. Talvez Chico chegasse enquanto isso e poderiam jantar juntos. Caetano tomou um banho demorado, uma tentativa de relaxar os músculos tensos da viagem. Mas quando saiu do chuveiro Chico ainda não havia chegado. Caetano estranhou um pouco, mas se vestiu e foi até a cozinha comer algo.

Quando acabou, se sentou no sofá para esperar Chico. Estava cansado, mas queria tanto vê-lo chegar. Seu coração já não aguentava mais de saudade. Caetano ligou a TV, passava de um canal para o outro, entediado. Ele suspirou, Chico estava demorando.

Caetano mudou de canal, parou em um jornal. Ficou assustado quando viu a notícia de um atentado à bomba no... Riocentro. Algo se quebrou em Caetano quando leu aquela palavra. Não conseguia respirar direito. Ouvia os jornalistas repetirem "Riocentro". Era onde Chico estava.

"Não, não... isso não tá acontecendo. Chico não..." - As lágrimas ameaçavam transbordar dos olhos de Caetano e seu coração batia tão rápido que doía.

E para piorar, as informações do jornal eram confusas, não sabiam direito o que tinha acontecido. Ou talvez não quisessem informar tudo. Caetano não podia suportar aquilo mais. Ele pegou as chaves do carro e saiu desesperado. O resto era um borrão de lágrimas e pensamentos ruins, não sabia como conseguiria chegar lá.

                                               *

Quando chegou no local viu um carro destruído e várias pessoas em volta, mas o palco dos artistas e o resto do lugar parecia intacto. Isso não causou nenhum alívio em Caetano até seus olhos encontrarem Chico. Mesmo com aquela confusão foi fácil reconhecer Chico, e só então ele conseguiu respirar aliviado.

Quando seus olhos se encontraram, Caetano correu até ele e abraçou Chico mais apertado do que nunca.

"Tá tudo bem, Caetano. Eu tô bem." - Chico falou, ainda abraçado a ele, na tentativa de o acalmar do susto.

"Eu soube pela TV, eles não diziam muita coisa. Eu tava tão preocupado..." - Caetano disse, espavorido. Tocava o rosto de Chico, como se precisasse ter certeza que ele estava mesmo ali na sua frente. - "Se alguma coisa tivesse acontecido com você..."

Amor Mais Que DiscretoOnde histórias criam vida. Descubra agora