Na manhã seguinte, Chico acordou com a fresta de luz que invadia o quarto, mas sorriu quando sentiu Caetano ainda em seus braços. Ele ficou algum tempo assim, imóvel, apenas aproveitando aquele momento.
Chico observou cada detalhe do rosto de Caetano, ele parecia tão tranquilo dormindo assim, aqueles pesadelos já não pareciam lhe incomodar mais.
"Não vou deixar eles afastarem você de mim nunca mais." - Chico acariciou o rosto dele suavemente com as costas dos dedos.
Com seu toque, Caetano se remexeu um pouco, começando a acordar. Então Chico se inclinou para distribuir beijos entre o rosto e o pescoço de Caetano.
"Hmm... senti falta disso." - Um sorriso preguiçoso se formou nos lábios de Caetano e ele se virou para dar um beijo em Chico. - "Bom dia."
"Bom dia." - Chico sorriu de volta.
Caetano estendeu a mão para brincar com o cabelo de Chico.
"Você tá me olhando como se eu fosse desaparecer."
Chico riu baixo, inclinando-se para beijar a testa de Caetano.
"Não vou deixar você desaparecer." - Chico respondeu, a voz leve, mas com um fundo de seriedade. - "Tô só... te guardando na memória."
Caetano ergueu uma sobrancelha, puxando Chico para mais perto.
"Você tá poético logo de manhã. Dormiu bem?"
"Melhor do que em meses." - admitiu Chico, aninhando-se contra Caetano. - "Graças a você."
Caetano cobriu o rosto com a mão, um sorriso travesso escapando pelos dedos.
"Gostou, é?"
"Gostei? Tá brincando? Eu adorei." - Chico riu, os olhos brilhando com uma mistura de diversão e algo mais profundo. Ele se inclinou, beijando Caetano com uma lentidão que dizia mais do que palavras. Lembrou de Caetano rebolando em cima dele durante boa parte da noite e seus gemidos pedindo por mais. - "O que foi aquilo ontem à noite? Parecia que seu fogo não ia apagar nunca."
"Tava com saudade, ué." - Caetano respondeu, o tom leve, mas os olhos contando uma história mais longa, cheia de ausência e reencontro.
Eles se perderam num chamego preguiçoso, Caetano enroscado em Chico, que vez ou outra roçava o bigode no pescoço dele, arrancando risadas suaves. Cada toque, cada risada, parecia tecer um fio mais forte entre eles, como se o mundo lá fora pudesse esperar um pouco mais.
"Já deve tá bem tarde" - Chico suspirou, acariciando a coxa de Caetano. - "Em algum momento a gente tem que levantar, meu bem."
"Queria ficar assim o dia todo." - Caetano roçou o nariz na curva do pescoço de Chico. Só de pensar que no fim ele não voltaria para Marieta mais, fazia o coração de Caetano saltar de felicidade.
"Eu também, Caê." - Chico acariciou o braço de Caetano.
Caetano olhou para ele com um sorriso.
"O que foi?"
"Você quase não me chamava de Caê mais." - Caetano deu um selinho nele. - "Eu gosto."
De repente, ouviram batidas na porta. Chico olhou para Caetano, que apenas suspirou.
"Não deve ser nada importante."
Mas a batida continuou.
"Caetano!" - Caetano reconheceu a voz de Guilherme Araújo, seu empresário. - "Eu sei que você tá aí."
"É Guilherme." - Caetano revirou os olhos, se levantando e vestindo um short. - "Eu vou ter que atender."
"Mas e eu?" - Chico se levantou depressa, ainda estava só de cueca.
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Amor Mais Que Discreto
Fiksyen Peminat"Mas pode dispensar a fantasia O sonho em branco e preto Amor mais que discreto Que é já uma alegria" Caetano conhece Chico no Festival de MPB de 1967, logo essa amizade se desenvolve em algo mais. Entretanto, que futuro poderia ter o relacionamento...
