Junho de 1968
O tropicalismo foi crescendo e se destacando como movimento de ruptura, a contragosto de parte da MPB. Além da pressão por parte da imprensa, sempre contrapondo Chico ao pessoal da tropicália, sobretudo Caetano, que frequentemente tinha suas falas distorcidas.
É claro que nenhum dos dois tinha acreditado em qualquer coisa que leram nos jornais. Muito pelo contrário, aquilo não poderia ser mais que divertido para eles. Todos falando da oposição de Chico ao que Caetano estava fazendo, enquanto o próprio chegava no apartamento dele, quase sempre, enchendo-lhe de beijos. Na verdade, isso tudo deu uma certa liberdade para que se encontrassem com mais frequência. Caetano não poderia estar mais satisfeito, a imprensa poderia publicar o que quisesse sobre eles, desde que Chico continua-se dormindo com ele quase todas as noites.
Naquele dia, Chico chegou com um jornal dobrado debaixo do braço e um sorriso travesso. Deu um beijo nos lábios de Caetano e foi logo mostrando a manchete de jornal, mais uma entrevista de Caetano, completamente distorcida, estampava a capa em letras garrafais:
"CHICO NÃO PASSA DE UM RAPAZ BONITO DE OLHOS AZUIS."
Eles já estavam sentados no sofá há alguns minutos, rindo da maior parte do que foi publicado.
"Bom, acho que eles não sabem de todos os detalhes, não é mesmo?" - Caetano sorriu largo, enquanto deixava o jornal de lado e se inclinava para Chico.
"Sabe que eu nunca diria uma coisa dessas, né?" Caetano perguntou, subindo no colo de Chico, as coxas encaixadas de cada lado do corpo dele, os olhos brilhando com provocação.
"Claro," Chico respondeu, puxando-o para um beijo lento, como se quisesse saborear o momento.
"Embora você seja mesmo um rapaz bonito de olhos azuis..." - Caetano sussurra em seu ouvido, se afastando apenas o suficiente para ver a reação dele e rir com a expressão séria no rosto de Chico.
"Mas não só isso, nunca só isso..." - Caetano se apressou em completar, enquanto enchia seu rosto de beijos. Chico ri com a sensação, se sentia nas nuvens.
"Eu não posso imaginar o que publicariam se soubessem sobre nós." - Chico diz, entre risos.
"Bom, mas uma coisa a gente tem que admitir. Enquanto eles publicam essas besteiras, nós podemos passar mais tempo juntos despreocupados."
Caetano beija Chico, sorria e brincava de trocar carícias com ele.
"Desde que a gente continue assim, eles podem publicar quantas besteiras quiserem." - Chico brinca.
Caetano se jogou no sofá, puxando Chico consigo. Chico não resistiu e deitou-se sobre ele, aninhando o rosto na curva de seu pescoço, respirando o perfume familiar que já associava a noites como aquela. Caetano deslizava os dedos pelos cabelos de Chico, num cafuné que parecia capaz de apagar qualquer preocupação.
"Sabe, o Gil tá chateado que você não foi às reuniões da Tropicália que ele te chamou," - Caetano disse, com um tom leve, mas curioso. - "Sem falar daquela vez que você apareceu bêbado."
Chico riu, um pouco envergonhado.
"Caê, o Gil sabe que eu só fui lá porque queria te ver." - Ele fez uma pausa, escolhendo as palavras com cuidado. - "Eu admiro pra caramba o que vocês estão construindo, de verdade. Só... não é a minha praia. Não consigo me imaginar fazendo o mesmo."
Ele ergueu o olhar, buscando os olhos de Caetano, como se temesse que ele não entendesse.
"Você entende, né?"
"Claro, meu bem." - Caetano respondeu, com um sorriso suave, selando a conversa com um beijo delicado na testa de Chico. A última coisa que queria era discutir o Tropicalismo com ele. O movimento era sua paixão, mas Chico... Chico era mais. E as duas coisas podiam coexistir, não podiam?
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Amor Mais Que Discreto
Fanfiction"Mas pode dispensar a fantasia O sonho em branco e preto Amor mais que discreto Que é já uma alegria" Caetano conhece Chico no Festival de MPB de 1967, logo essa amizade se desenvolve em algo mais. Entretanto, que futuro poderia ter o relacionamento...
