Ao chegarem no apartamento de Caetano, Chico fecha a porta e guia ele até o quarto, um braço em torno de seus ombros.
"Vamo pra cama."
"Ótima ideia!" - Caetano sorri, ainda longe de estar sóbrio, e morde a orelha de Chico.
"Não é isso que você tá pensando." - Chico olhou ele de lado. - "Você precisa dormir, Caetano."
Caetano fez beicinho, mas não insistiu, suas pálpebras começavam a pesar.
"Se eu dormir você vai embora..." - Caetano olhava para os próprios pés.
"Não vou, não." - Chico esfregava suavemente o braço dele.
"Vai sim." - Ele sussurra mais para si mesmo.
Ao chegar no quarto, Caetano se joga na cama, exausto.
"Tô cansado, sabe?" - Caetano disse, se espalhando nos lençóis, sua voz era tão baixa que Chico quase não ouviu.
"Shows, entrevistas, disco, tropicalismo..." - Seus olhos param em Chico agora. - "Fingir."
Chico se aproximou, sentando na cama e pegando a mão de Caetano.
"Eu sei, Caê..." - Ele suspirou, acariciando a palma dele com o polegar. - "Mas é o que você ama. Tenho certeza que você, mais do que ninguém, sentiria falta disso tudo em pouco tempo."
"Eu sinto sua falta todos os dias." - Caetano disse, um olhar melancólico em seu rosto.
"Estou aqui a cada dois dias..."
"Você nunca está!" - Caetano elevou a voz de repente, se sentando de uma vez. - "Você vem por duas horas, quase sempre! A gente só fode e se despede a tempo de você chegar em casa pra que ninguém desconfie!"
"Eu queria que fosse diferente, Caê." - Chico suspirou, massageando as têmporas. Tinha passado o dia todo no estúdio, se sentia tão cansado para discutir com Caetano. - "Você sabe que eu faria qualquer coisa por você..."
"Exceto admitir pra todos que está comigo." - Caetano disse com raiva e se arrependeu no mesmo instante. Ele não queria realmente dizer aquilo, talvez fosse o álcool em sua mente, mas já estava dito.
Houve um silêncio desconfortável por alguns segundos. Chico não respondeu, de cabeça baixa. Ouvir aquilo machucou, era como se Caetano coloca-se toda a culpa sobre ele, quando tudo que queria era protegê-lo.
"Olha, Chico, eu não queria realmente dizer isso. Eu nem penso assim..." - Caetano disse um pouco mais calmo, não suportando mais o total silêncio no quarto.
"Ah, você queria sim." - Chico olhou para ele, uma expressão magoada em seu rosto. - "Nós já passamos por isso, Caetano. Você sabe que tem muito mais envolvido! Sabe que tudo que eu faço é pra te proteger... nos proteger!"
"Eu sei, Chico! Eu já sei!" - Caetano praticamente gritou. - "Mas eu não preciso gostar!"
Caetano apertou os lábios, tentava reprimir as lágrimas que começavam a se formar em seus olhos. Seu coração doía, ele sentia raiva, mas não exatamente de Chico, e mesmo assim se viu descontando tudo nele.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Amor Mais Que Discreto
Fiksi Penggemar"Mas pode dispensar a fantasia O sonho em branco e preto Amor mais que discreto Que é já uma alegria" Caetano conhece Chico no Festival de MPB de 1967, logo essa amizade se desenvolve em algo mais. Entretanto, que futuro poderia ter o relacionamento...
