Caetano quase não conseguiu dormir aquela noite pensando em Chico. Ele parecia tão perdido ontem à noite, não devia ter deixado ele ir. Pensava em seus olhos quando finalmente encontraram os seus, parecia haver tanta mágoa. Por que?
Já era tarde quando Caetano conseguiu se levantar. Ele simplesmente continuava exausto, precisava de um café. Então se esforçou para sair do quarto, mas antes que pudesse chegar na cozinha, ouviu alguém bater na porta.
O coração de Caetano saltou. Só podia ser Chico, sabia que ele viria conversar sobre ontem, provavelmente tinha esquecido as chaves de novo.
Caetano correu para abrir a porta, mas para sua decepção não era ele. E sim Gil, o amigo não parecia nada satisfeito, o que fez o sorriso de Caetano cair lentamente. Gil empurrou um jornal em suas mãos, enquanto passava por ele, entrando.
"Dá pra acreditar nisso?!" - Gil parecia indignado.
"Bom dia pra você também." - Caetano olhou surpreso para ele.
"Acho que você não diria isso se tivesse lido as últimas."
Caetano franziu a testa, não estava entendendo nada, ele olhou confuso para o jornal em suas mãos. Gil tinha deixado dobrado em uma matéria sobre o festival, então logo do lado ele pôde ler:
"GILBERTO GIL LIDERA VAIA CONTRA CHICO BUARQUE"
A compreensão se espalhou pelo rosto de Caetano, ele não conseguia mais prestar atenção no que Gil estava dizendo, só sabia que reclamava. Caetano pensou no jeito que Chico estava ontem, o olhar que lhe dirigiu antes de sair. Chico não pensava que eles tinham algo a ver com aquilo, não é? Por que justo ele faria algo assim? Isso tudo era ridículo.
*
Caetano estava sentado sozinho na sala, um cigarro em uma das mãos, enquanto a outra batia os dedos ansiosamente na mesinha do telefone ao lado do sofá. Chico não apareceu no dia anterior, então Caetano tinha passado a tarde ligando para ele, mas todas suas tentativas foram frustradas, ninguém atendia.
No início tinha ficado preocupado, mas agora tudo aquilo já começava a irritá-lo. A linha sempre ocupada, Chico só podia ter tirado o telefone do gancho. Como ele podia ignora-lo? Como podia acreditar naquelas mentiras absurdas, sem nem mesmo ouvi-lo?
"Foda-se" - Caetano apagou o resto do cigarro no cinzeiro e se levantou, pegando suas chaves para sair. Não era justo, Chico podia até não acreditar nele, mas ele iria ouvi-lo.
*
Caetano planejava ir até o apartamento de Chico, mas, como já imaginava, encontrou-o no bar onde costumavam se reunir com Toquinho. Mal entrou, seus olhos cruzaram com os de Chico, que estava sozinho numa mesa de canto, um copo pela metade à sua frente, o olhar turvo de quem já tinha bebido demais. Caetano caminhou até ele, o coração apertado
"Eu tava preocupado com você." - Caetano disse aflito, sentando-se de frente para ele. - "Você saiu daquele jeito... não aparece mais, nem atende minhas ligações."
Chico ficou em silêncio, o olhar fixo no copo, evitando os olhos de Caetano. Como ele tinha coragem de aparecer ali, depois de tudo, e falar como se nada tivesse acontecido?
Caetano estendeu a mão para tocar seu braço, mas Chico se esquivou, o gesto rápido, quase instintivo.
"Que foi, Chico? Por que tá agindo assim?" – A voz de Caetano tremia, a irritação começando a se misturar com a mágoa.
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Amor Mais Que Discreto
Fiksi Penggemar"Mas pode dispensar a fantasia O sonho em branco e preto Amor mais que discreto Que é já uma alegria" Caetano conhece Chico no Festival de MPB de 1967, logo essa amizade se desenvolve em algo mais. Entretanto, que futuro poderia ter o relacionamento...
