Capítulo 2

670 80 34
                                        

— Droga, droga, droga — zangou-se Arizona, ao olhar a hora em seu celular.

Ela não conseguiria tomar café e, se o trânsito cooperasse, ela chegaria no horário. Imaginou o esporro que levaria ao chegar atrasada no primeiro dia. Só de imaginar, seu estômago reclamou de fome e nervosismo.

[...]

No batalhão, Calliope lia algumas papeladas concentradíssima, enquanto bebericava o café em sua caneca.

Ela olhou de relance o relógio em seu pulso, 07:20. Estava acordada há muitas horas, sabia que estava passando da hora de procurar um médico. Desde o falecimento de Penny, Calliope havia tendo dificuldades para dormir e sabia que privação de sono era um problema grave que poderia interferir no seu desempenho profissional, além de trazer danos à saúde.

A tenente foi até a cozinha encher sua caneca de café mais uma vez. O esquadrão estava reunido na copa. Ela olhou rapidamente ao redor, sabendo que faltava alguém.

Arizona chegou, completamente atrapalhada. A loira havia pegado o pior dos engarrafamentos, estava tendo um péssimo dia.

Callie a olhou e Arizona soube nesse exato momento que estava encrencada.

— Pessoal — começou a tenente — preciso que levem a sério quando digo para serem pontuais, se tivéssemos algum chamado minutos atrás, a equipe estaria incompleta.

Arizona sequer conseguiu se desculpar, sabia que estava errada e sabia também que não deveria ter saído ontem à noite, dia de semana.

— Robbins — com muita dificuldade a tenente lembrou-se do sobrenome da loira — vá se trocar e esteja no pátio em — ela olhou para o relógio em seu pulso — dez minutos, sem atrasos dessa vez — ordenou antes de sair.

Arizona correu para o vestiário e trocou-se o mais rápido que pôde, o que foi um grande desafio, pois ela estava em jejum até o momento, sentia que estava em câmera lenta.

— 20 polichinelos e 20 flexões, a flexão pode ser com os joelhos apoiados — disse Calliope, com as mãos para trás.

Arizona ficou extremamente com raiva, mas é claro que ela não iria deixar transparecer. Odiou ter que vir para esse batalhão, achava um absurdo ter que se submeter a penalidades desse tipo. Que a colocassem para fazer manutenção dos equipamentos, ou a deixassem um pouco até mais tarde do que o habitual, ela não se importaria. Mas ali, naquele momento com seu estômago roncando e sentindo-se fraca ela não tinha outra alternativa a não ser acabar logo com aquilo.

Quando terminou, a loira sentiu sua visão escurecer e tudo a sua volta girar.

— Arizona — ouviu a voz do seu amigo, Karev, também transferido com ela. Era uma sensação horrível, ele estava perto o suficiente para ouvi-lo, mas era como se sua voz estivesse distante.

[...]

A loira havia desmaiado, não sabia por quanto. Acordou em um sofá. Olhou ao redor e viu a tenente atrás de um computador, concentrada o suficiente para perceber que a loira finalmente havia acordado.

Arizona tentou se levantar rápido demais, arrependendo-se em seguida.

— Ei — disse a tenente, levantando-se de sua cadeira e se aproximando da loira, que ainda estava meio desnorteada — calma — ela se abaixou na frente de Arizona, de modo a ficar da sua altura — desse jeito acabará desmaiando novamente.

Havia um sorriso no canto da boca da tenente e o tom descontraído em sua voz fez a loira perceber que no fundo Calliope não deveria ser uma péssima pessoa como ela havia imaginado.

Arizona alisou as próprias mechas. Ela tentou se levantar novamente, ignorando o que a tenente havia dito. Ao fazê-lo, ela sentiu a cabeça zunir, sua garganta estava seca e seu estômago continuava a doer. A loira se desequilibrou ao tentar andar, por sorte Calliope a segurou, colocando-a no sofá novamente.

— Eu disse para ir com calma — disse Calliope, colocando a mão sobre o dorso da mão de Arizona e tirando rapidamente, ao perceber que não deveria.

A tenente levantou-se, colocando a mão sobre o bolso da calça — Deveria ter me dito que não havia tomado café — ela olhou a loira, pálida — Eu jamais teria feito você fazer exercícios em jejum.

Um silêncio se seguiu e Arizona não deixava de pensar no quanto desejava sair daquela sala. A presença da tenente a intimidava, apesar de ela está sendo simpática.

— Bem, fique aqui enquanto providencio algo para você comer — Calliope saiu da sala, deixando-a sozinha.

Arizona olhou ao redor, curiosa. A sala era escura e a janela atrás da cadeira de Calliope parecia que não era aberta há muito tempo.

Foi na fotografia em cima da mesa que o olhar da loira se concentrou.

Uma foto de Calliope ao lado de uma ruiva linda. A foto era espontânea, a tenente estava sorrindo e Arizona achou o sorriso dela incrivelmente lindo e atraente. A loira realmente se perguntou por que ela não sorria mais vezes. Na foto, as duas estavam lateralizadas, Calliope atrás da moça ruiva que acariciava uma lhama.

Em uma das prateleiras na sala, mais foto das duas, dessa vez se beijando. Era o casamento delas, a loira não deixou de imaginar o quanto a tenente era uma mulher linda. Tinha um ar de superioridade e mesmo por trás da farda de bombeira, ela conseguia ser atraente, deixando as curvas de seu lindo corpo dizer que ela era uma mulher que aparentava se exercitar com frequência.

A tenente entrou na sala, interrompendo os pensamentos de Arizona.

— Eu não sabia o que trazer — Calliope carregava um copo de café cheio e quente em uma mão e na outra dois sanduíches — mas imaginei ser importante você colocar algo forte para dentro.

— Obrigada, tenente — agradeceu a loira, observando a aliança na mão de Calliope quando a mesma lhe entregou o café.

O celular de Calliope tocou e ela rapidamente o atendeu.

— Oi — disse, antes de se retirar da sala.

Arizona olhou para a foto na prateleira, observando mais uma vez o sorriso de Calliope e imaginando o quanto essa ruiva deveria ser alguém de sorte.

~.~

Olá! ❤️

Beijinhos e se cuidem 😘

Qualquer erro será arrumado em breve!

Broken - CalzonaOnde histórias criam vida. Descubra agora