Capítulo 6

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Os três dias de suspensão haviam se passado tão lentamente, se não estivesse contando as horas, Arizona podia jurar que haviam se passado bem mais dias do que de fato era.

— Vai matar a saudade da tenente — Karev brincou, enquanto entregava o capacete para a loira e a mesma subia na garupa de sua moto.

— Ah, Karev, por favor... não começa. Se eu puder evitá-la, pode ter certeza que eu o farei.

— Arizona, você precisa entender que lá dentro ela é nossa superior, não vai esquentar a cabeça de novo porque acho que ela não será tão boazinha quanto foi dessa vez.

— Boazinha? Tá de brincadeira.

— Pelo o que me falaram, ela nunca, jamais deu só três dias de suspensão para quem a desrespeitou.

— Sinal de que não sou só eu que sente vontade de mandá-la...

— Arizona... — Karev a interrompeu, com um tom de quem reprime.

— Enfim, passou... De qualquer forma já estou verificando a possibilidade de uma transferência.

— Você é louca de cogitar uma transferência tendo tão pouco tempo no batalhão.

— Soube que o batalhão 51 está com duas vagas em aberto, o que me diz... hein? — Arizona deu um cutucão na costela de Karev.

— O quê? Você quer que eu vá junto? Nem pensar, soube que o batalhão 51 só está com as duas vagas disponíveis porque os dois bombeiros que saíram não aguentaram a super carga horária e ainda as condições de trabalho. Tô fora.

— Ah — exclamou Arizona, sentindo a empolgação de uma possível transferência se esvair quase que imediatamente.

[...]

— Bom dia — cumprimentou a tenente, enquanto Arizona estava de costas, distraída, servindo-se de um pouco de café.

Arizona havia prometido para si mesma que tentaria conviver com a tenente Torres, embora o que ela mais quisesse fosse ignorar completamente a existência dela, como não teria essa opção ao menos se esforçaria para suavizar a sua situação com a tenente.

— Bom dia, tenente Torres — ela respirou fundo — café? — perguntou, levantando a jarra de vidro em sua mão.

— Por favor — pediu, observando a loira enquanto a mesma enchia a sua caneca — Obrigada, Robbins — agradeceu e, antes de se retirar, ela se inclinou um pouco e quase em um sussurro pediu para que a loira fosse até a sua sala.

Arizona esperou a tenente sair para só então se dirigir até a sala dela. A loira foi o caminho todo se perguntando o que havia feito de errado dessa vez. Será que havia enchido demais a caneca dela ou... não sorriu ao dar bom dia? Ironizou.

— Com licença — disse, ao entrar na sala.

— Robbins, sinto que começamos com o pé esquerdo e não é essa a intenção — Calliope passou a mão pelo cabelo, tentando escolher as palavras certas — Bem, não quero esse clima pesado... somos uma equipe e eu preciso confiar em você e você em mim, sem isso não vamos conseguir trabalhar juntas, não vai funcionar — a tenente a olhou, tentando manter seu olhar no dela por mais tempo do que havia conseguido — como vou conseguir confiar a minha vida a uma pessoa que não consegue me ouvir, e como você vai confiar a sua vida a mim se não acredita que as decisões que eu tomo são ou tentam ser, na maioria das vezes, o melhor para nos mantermos vivas no momento?

Arizona não pôde deixar de revirar os olhos internamente — Mas eu estava bem, tenente. Sei que errei ao passar pela sua autoridade — a loira a olhou, sentindo-se levemente desconfortável por ter que fazer isso — perdoe-me. Não entendo por que me poupou, eu queria estar lá com eles.

Ela viu um resquício de sorriso se infiltrar nos lábios de Torres.

— Eu não podia colocá-la em uma casa daquele tamanho em chamas sem saber se estava cem por cento bem para isso — havia algo nos seus olhos que denunciava que estava sendo sincera quanto a sua preocupação — Eu realmente acho que o tempo que tirou para se recuperar do tornozelo foi pouco... não podia arriscar perdê-la ou você se lesionar novamente. Você viu o quanto foi difícil controlar a situação da casa em chamas, eu jamais iria colocá-la lá dentro, não sem saber se você estava bem.

Arizona ficou sem palavras pela primeira vez, então era isso. Ela havia feito tudo aquilo, toda aquela cena, havia se zangado, se revoltado com alguém que só queria protegê-la e não puni-la por algo que ela nem sabia o que era.

— Eu queria ter conversado sobre isso com você naquele dia em que fui procurá-la no carro — continuou Torres — mas você não me deu chances, estava zangada comigo.

Arizona riu, sentindo-se um pouco patética — É, eu estava a ponto de matar um.

Torres sorriu e Arizona gostou de vê-la assim, tão natural, sem toda aquela formalidade que o cargo exigia.

— Enfim, você está bem? — perguntou — Quero dizer, estamos bem? Você não vai querer me matar se eu não colocá-la dentro de alguma casa ou prédio em chamas?

Arizona continuou sorrindo — Sim, estamos bem e não, não irei matá-la.

— Então hoje você está dispensada, pode ir para casa — falou, séria.

Arizona olhou-a por um tempo para ver até onde a tenente conseguiria manter-se séria ou se realmente estava falando sério.

— Só queria testar algo — Torres riu em seguida, observando a loira relaxar os ombros.

— Não sabia que você também sabia ser engraçadinha.

— Um pouco, mas não deixe os outros saberem, não quero relaxar — disse, se recompondo.

— Pode deixar — concluiu, se dirigindo até a porta.

— Robbins.

— Sim? — a loira se virou para olhá-la.

— Seu tornozelo... Cem por cento?

— Depois dos três dias em casa eu diria que ele está até mais que cem por cento — respondeu sorrindo antes de sair.

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Oláa, espero que estejam bem! 🥰 e que tenham gostado 😁

Beijinhos e se cuidem 😘

Qualquer erro será arrumado em breve!

















Broken - CalzonaOnde histórias criam vida. Descubra agora