Capítulo 44

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Quando foi anunciado o incêndio estrutural de grande proporção, o esquadrão que até o momento conversava distraído, prontamente levantou-se.

Era perceptível o quanto estavam apreensivos. Apesar de já estarem habituados a esses chamados, era quase impossível não se deixar afetar algumas vezes.

Calliope estava séria e, embora tivesse admitindo internamente a si mesma que ela quem tinha as rédeas dos seus medos e era a única capaz de domá-los, no fundo ainda havia um resquício de receio. Receio por não saber o que a aguardava dentro do grande prédio e de como aquele dia terminaria.

— Tudo bem? — perguntou a loira ao seu lado, tocando sutilmente o braço da jovem tenente.

Dentro da viatura nenhuma palavra, todos concentrados em direcionar a atenção apenas na situação adiante.

Callie sorriu gentilmente e balançou a cabeça em afirmação. A loira sorriu em seguida antes de chegarem ao local.

— Ei — Calliope a chamou rapidamente — preciso que se cuide, sem atos de heroísmo — sussurrou.

— Eu prometo se você me prometer também — sussurrou a loira — preciso de você de volta.

Calliope sentiu seu coração preencher com um sentimento caloroso e enternecedor. Sabia que, após as orientações do capitão, ambas só se veriam horas mais tarde, após de controlada a situação.

A jovem tenente não queria separar de Arizona e que droga era não poder demonstrar nada do que sentia.

Callie deu uma piscadinha para a loira, que sorriu e piscou em seguida.

[...]

— Não consigo mais, tenente — Minnick andava se arrastando com o peso extra nas costas.

— Corpo de bombeiros, alguém? — gritou Torres, ignorando o que Eliza dizia.

Um pedaço do bloco caiu próximo a onde estavam.

— Tenente Torres, na escuta? — chamou-a o Capitão Hunt, pelo rádio comunicador.

— Sim, capitão.

— Karev, George e Arizona precisam de ajuda, acha que consegue se deslocar até eles?

— Sim, senhor.

— Ok — disse o capitão.

— O quê? — vociferou Eliza — Não consigo subir mais alguns lances de escada — reclamou.

A tenente continuou a ignorá-la, vasculhando por vítimas em meio à fumaça e chamas.

— Claro que você vai até eles... é a sua namoradinha — atacou Eliza — ela podia está no vigésimo andar que você daria um jeito de ir socorrê-la, é por isso que não se deve misturar vida pessoal e profissional, não é tenente? — havia um tom de ameaça em sua voz fria.

— Eliza — começou Callie, com um levíssimo traço de aborrecimento na voz. Ela poderia revidar de inúmeras maneiras grosseiras e mal educadas e ainda usar de sua posição para envergonhá-la e puni-la, mas não faria isso — quando não temos o que falar, a gente fica calado, com certeza o seu silêncio é estimado e o melhor que você pode nos oferecer.

— Eu não vou subir mais dois andares — anunciou.

— Faça o que você quiser, Eliza — disse a tenente — mas antes, faça o favor de comunicar ao capitão o que está fazendo, chame-o no rádio e o deixe ciente, caso aconteça algo — ela direcionou um olhar para Minnick, que não moveu um dedo para acionar Owen Hunt — Ok — Torres suspirou ao pegar o rádio. Ela nunca passou por isso, nunca teve que comunicar Owen por algo facilmente evitável.

Broken - CalzonaOnde histórias criam vida. Descubra agora