Dois meses haviam se passado desde que Calliope resolvera sair da vida de Arizona.
A loira não via mais sentido algum ir para o batalhão, embora amasse o que fazia, ela não conseguia deixar de sentir o que sentia ao passar pela porta da sala de Calliope e não encontrá-la concentrada em seus papéis, debruçada sobre uma tonelada de burocracias enquanto segura uma caneta e morde a pontinha da tampa.
Parte da alegria em ir para o batalhão era saber que a encontraria na copa preparando café, ou nos corredores a olhando carinhosamente, tentando disfarçar a vontade que tinha de agarrá-la e revirando os olhos tão sutilmente que Arizona podia correr até seu encontro se não tivesse um bando de marmanjos a sua espreita.
Naquela manhã nublada a loira levantou-se a contragosto, havia tantas garrafas de bebidas alcoólicas em seu quarto que levou um tempo até ela encontrar o outro par do seu chinelo.
Na noite anterior ela havia ido a uma casa de show e não sabia como havia conseguido chegar em casa. Beijou tantas bocas desconhecidas, talvez na esperança de que algum daqueles beijos fosse minimamente parecido com os lábios de Callie.
Seus dias estavam igualmente enfadonhos. A vontade de ligar para Callie era imensa, mas ao mesmo tempo ela sentia raiva por Calliope ter ido embora e toda vez que ela cogitava discar o número da tenente, mesmo que o tivesse excluído de sua agenda ela o sabia decorado, a loira desistia por se lembrar do que a havia feito passar.
Estava vivendo os piores dias de sua vida e nem George conseguia animá-la com suas sugestões de final de semana, ou ainda com o sábado de jogos. A verdade é que George se parecia muito com Callie e a loira queria se esquecer de tudo que lembrava a mulher que um dia foi o grande amor da sua vida e, ela precisava admitir, talvez ainda conseguiria ser pelo resto da sua vida, mesmo que a loira tentasse esquecê-la, o ato de se esforçar para esquecer já faria com que ela se lembrasse de Callie.
Ao olhar pela janela branca de neve, Arizona sentiu o frio castigar o seu corpo e tudo o que ela mais queria era ter esses momentos de preguiças prolongadas com Calliope. Lembrou-se do corpo quente de Callie a esquentando, e da maneira como ela se preocupava em mantê-la aquecida e em seguida se enroscava atrás do seu corpo, formando uma espécie de conchinha.
A loira se jogou na cama novamente, cobrindo o rosto com o travesseiro e desabando a chorar. Vinha sendo assim desde que soube, por George, que Calliope já estava atuando no outro batalhão.
Sentia falta de Callie e não sabia até quando aguentaria essa mão apertando o seu coração toda vez que lembrava-se dela.
[...]
O tempo frio desativou os servidores da central de alarme.
Calliope estava sendo cautelosa em manter o seu esquadrão por perto. Com a emergência fora do ar e com a temperatura lá fora chegando a congelar motores de carro, ela não arriscaria a mandar o seu pessoal averiguar acidentes na estrada, com certeza teria.
Sentia falta dos bombeiros do seu antigo batalhão, mais que isso sentia falta de Arizona e, com a neve caindo sem cessar, sentiu falta do chocolate quente que só ela sabia fazer. Com a temperatura congelante, ela quis estar no único lugar onde sentia-se protegida: no abraço de Arizona.
Durante dias ela esteve a ponto de ligar para a loira, mas imaginou que, dentre tantas vozes para ouvir, com certeza a dela não estaria na lista. Imaginou que Arizona não quisesse ouvi-la e muito menos vê-la.
Arrependeu-se, claro, mas não podia continuar assim. Havia combinado com George para não tocar no assunto "Arizona" durante as ligações, mas ela tinha a impressão de que ele falava indiretamente, como da vez em que ele disse que as noites de jogos vinham sendo a noite dos garotos.
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Broken - Calzona
FanfictionQuando Calliope Torres ficou viúva, sentiu uma nuvem nublada pairar sobre sua cabeça. A bombeira jamais se perdoou por não ter conseguido salvar a vida de Penelope Blake, sua esposa, desde então tornou-se uma pessoa enclausurada em culpa e amargura...
