— Me diga como está sendo trabalhar com Eliza... — Arizona estava debruçada sobre o balcão, mordiscando um pedaço de queijo enquanto observava sua namorada preparar o macarrão. Havia acabado de descobrir um novo vício: admirar Calliope enquanto ela preparava qualquer coisa na cozinha.
A tenente, ao mesmo tempo em que estava concentradíssima e empenhada a descascar legumes, parecia descontraída e disposta a falar sobre qualquer assunto sem se cortar, ou sem exagerar no sal ou até mesmo sem queimar o que quer que estivesse preparando na hora. Arizona gostava da maneira como ela colocava um pouco sobre a palma da própria mão e experimentava, fixando o olhar em algum ponto enquanto se concentrava no sabor em sua boca. Em seguida ela levava um pouco até a boca de Arizona, para saber a sua opinião.
A loira achava meigo quando Callie assoprava o material esfumaçado sobre a colher e dizia "cuidado, está quente" e aguardava ansiosa por sua aprovação.
— Um verdadeiro pesadelo — respondeu, revirando os olhos.
Arizona riu da reação da tenente — Está tão, mas tão ruim assim? — a loira tomou um curto gole do vinho em sua taça.
— Eliza parece absorta a maior parte do tempo — Calliope despejou sobre uma panela o molho, fazendo com que a cozinha fosse invadida por um cheiro irresistível de tempero caseiro — Se ela tivesse que passar pela prova para ser admitida no batalhão, certamente seria reprovada... — Callie misturou os ingredientes ao molho, mexendo-os por um tempo na panela — Ela leva um tempo vergonhoso para se locomover em um cômodo, uma lentidão sem tamanho... é distraída, na maioria das vezes ela se distrai fácil — Calliope se aproximou do balcão e sentou-se em frente a loira, que levou um pedacinho do queijo até a sua boca — Ela sim não tem padrão para ser bombeira, não nesse batalhão e no meu esquadrão — completou, saboreando o queijo em sua boca.
— Ela reclamou de você para o capitão Hunt — disse Arizona.
— É claro que reclamou, depois do último esporro — Calliope tomou um gole do vinho, dando de ombros — Se ela não está satisfeita, que peça para o pai dela conseguir enfiá-la em algum outro batalhão, porque eu tornarei as coisas para ela insuportáveis.
Arizona balançou a cabeça concordando com a tenente — Não aguento mais fingir que te odeio — revelou — e ainda tem Erica que, depois que discutimos, ela acha que o caminho está livre.
Callie riu da cara que Arizona fez.
— Você se casaria comigo? — perguntou a tenente, observando o rosto zangado da loira iluminar rapidamente.
— Por que não?
— Um dia eu vou querer isso, se você quiser eu quero muito — Calliope apoiou o cotovelo sobre o balcão e o queixo na palma da mão. Com a outra mão a tenente estendeu-a sobre a superfície, procurando pela maciez da mão da loira.
Quando suas mãos se tocaram, a loira sentiu-se aquecida e satisfeita por estar ali com Calliope, a sombra de um sorriso perpassou seu rosto. Enquanto acariciavam seus dedos por alguns instantes em um silêncio que de maneira alguma era constrangedor ou inadequado, Callie lembrou-se da panela no fogo.
[...]
Aquela noite elas dormiram abraçadinhas. As idas de Arizona até sua casa eram frequentes. A loira tinha quase certeza de que Eliza rondava o prédio do seu apartamento. Karev a havia visto algumas vezes no mesmo trajeto que ele e algumas vezes com o carro estacionado a alguns metros da sua portaria.
A jovem tenente não conseguia esconder o quanto odiava aquela mulher. Havia dito diversas vezes para Arizona fazer uma ocorrência, pois Eliza era louca.
— O que fará no final de semana? — Callie estava deitada com a cabeça de Arizona em seu ombro e com a mão livre ela acariciava o antebraço da loira com a palma da mão, alisando-o.
— Não sei, você tem algo em mente?
— Huh... — Callie pensou por uns instantes, tentando fazer parecer como se já não tivesse planejado o final de semana perfeito para as duas — Eu pensei que talvez, ahn... nós pudéssemos ir, bem... ahn, para um lugar — disse, por fim.
A loira não conseguiu evitar um sorrisinho, sentia o corpo da tenente tenso enroscado ao seu, como se ela estivesse exageradamente nervosa com a sugestão.
— Sem chances de você me falar aonde vamos? — perguntou, sem expectativas de uma resposta positiva.
— Sem chances — Calliope deitou por cima da loira, com a palma da mão sustentando o peso do seu corpo, de maneira a cercar a loira — Então, combinado?
— Claro, meu amor — respondeu antes de beijá-la.
[...]
Naquele final de semana, a jovem tenente a levou ao planetário e ficou satisfeita ao perceber que a loira havia adorado, tanto que seus olhos eram incapazes de piscar.
Algumas vezes Arizona procurava sua mão, em meio à escuridão da cúpula, iluminada apenas pelos objetos celestes.
Quando o encontro acabou e as duas já estavam dentro do carro, voltando para a casa da tenente, Arizona não deixava de repetir a si mesma o quanto estava feliz.
Havia toda a situação exaustiva por terem que esconder o que realmente existia, o que elas haviam criado, mas o fato de saber que havia um "nós" entre as duas era prazeroso.
Existia uma alegria estranha quando ela entrava na casa de Callie e tirava o sapato, permitindo-se sentir o carpete preencher confortavelmente os espaços entre seus dedos.
Conseguia se ver fazendo isso por muitas vezes porque Callie havia feito estadia no seu coração. Estava sendo difícil não tentar sorrir bobo sempre que falavam o nome dela no esquadrão. Era uma alegria boa saber que elas se tinham.
~.~
Qualquer erro será arrumado em breve!
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Broken - Calzona
FanfictionQuando Calliope Torres ficou viúva, sentiu uma nuvem nublada pairar sobre sua cabeça. A bombeira jamais se perdoou por não ter conseguido salvar a vida de Penelope Blake, sua esposa, desde então tornou-se uma pessoa enclausurada em culpa e amargura...
