Calliope tentou segurar o braço de Arizona, porém a loira rapidamente desvencilhou-se do toque da tenente.
— Arizona, precisamos conversar... — Calliope sentia seu estômago dá cambalhotas e seu coração batia tão acelerado que chegava a doer.
Os olhos de Arizona, pela primeira vez, transformaram-se em um céu nublado carregado de nuvens pesadas.
— Ah — havia um tom irônico na voz da loira que fez a tenente recuar — agora que precisamos conversar?
Arizona andou até o quarto, pensativa e Calliope não sabia o que fazer, então resolveu ir atrás.
— Eu fico me perguntando quando teríamos essa conversa se Eliza não aparecesse aqui.
— Nós teríamos essa conversa hoje.
— Ah, claro.
— Preciso que acredite em mim.
— Igual eu acreditei ontem? — Arizona fez uma pausa, ela recusava-se a encarar Calliope, recusava-se a olhá-la nos olhos, pois sabia que se o fizesse não conseguiria ignorar o fato de que estava a um ponto de chorar. Estava com raiva e era assim que ela se sentia, ela sentia vontade de chorar quando sentia esse sentimento tomar conta do seu peito — Por isso você não atendeu? Essa era a emergência?
— Não foi assim que aconteceu, Arizona.
— Você não me respondeu, Calliope — a loira massageou a ponte do nariz, apertando os olhos — Era com ela que você estava? Desde que horas estiveram juntas? Por que não me contou?
— Eu sei, mas não queria contar assim por ligação — Calliope estava nervosa e não conseguia pensar direito em como se explicar e tentar se explicar fazia parecer que ela estava mentindo.
— Então achou melhor mentir pra mim — concluiu Arizona — Eu não acreditaria se não tivesse provas, se Eliza não tivesse me mostrado todas aquelas... — Arizona estava com a voz embargada — aquelas fotos de vocês juntas, trocando carícias.
— Arizona não foi assim que aconteceu, meu amor.
— Como não foi assim que aconteceu, Calliope? — a loira subiu um pouco o tom da voz — Eu vi todas as fotos, como você quer desmentir isso?
— Erica perdeu a tia recentemente e...
— Então você resolveu consolá-la — interrompeu a loira.
— NÃO! — foi a vez da tenente aumentar o tom da voz — Não foi assim.
— Depois de todos aqueles carinhos trocados no bar... me diz, Calliope — a loira a olhou nos olhos a primeira vez — vocês foram continuar onde? Por isso você ignorou minhas ligações?
— Nós não fizemos nada, ela estava bêbada e eu fui deixá-la em casa, foi só isso que aconteceu — disse a tenente, desesperada e de uma vez só.
Arizona queria acreditar, mas ficava difícil quando Calliope já tinha omitido tantas coisas — E aquele beijo? A mão dela na sua? Você a segurando pela cintura?
— Arizona... — Calliope tentou se aproximar mais uma vez e mais uma vez a loira se esquivou — Esse beijo ela me roubou e...
— Roubou — a loira riu irônica — E você não fez nada? Queria ser beijada?
— Não! Eu parei. Ela estava embriagada, fora de si, a mão na cintura foi no momento em que ela quase foi ao chão.
— Eu preciso que você vá embora — disse de uma vez, com a lágrima escorregando pelo seu rosto.
— Arizona, eu estou falando o que aconteceu de verdade, por que não acredita?
A loira não respondeu nada, apenas saiu do quarto.
— Eu não mentiria pra você — disse a jovem tenente, andando atrás da loira.
Arizona abriu a porta, indicando para que saísse.
— Arizona... — Calliope estava com os olhos marejados — Não faz isso... — suplicou.
A loira a olhou por alguns segundos, olhando para o chão em seguida, engolindo em seco.
Após o silêncio torturante da loira, Calliope resolveu sair.
[...]
Naquela noite Arizona, por mais que tentasse esquecer, ao fechar os olhos as imagens de Calliope e Erica invadiam a sua memória.
Estava magoada e nem sabia se havia algo específico, mas sabia que o fato de Calliope não ter falado a verdade no momento em que teve oportunidade possuía grande peso.
Se Calliope não se sentia segura para falar sobre qualquer coisa com ela, era um sinal de que haviam de fato apressado as coisas.
[...]
Calliope virava na cama de um lado para o outro, ela sabia que seria uma noite em que não conseguiria dormir.
Não conseguia esquecer o rostinho decepcionado de Arizona e a maneira como ela se afastou das suas tentativas de se aproximar.
Sua cabeça estava um caos, já havia perdido as contas de quantos recados havia deixado para Arizona.
"Arizona, vamos conversar."
"Por favor, me atenda"
"Não me diga que é só isso, que não existe mais nós duas."
"Por causa de algo mal contado e ainda distorcido."
"Você não deveria acreditar em tudo o que te dizem a meu respeito."
"Eu ia contar... se não contei antes foi porque tive medo disso acontecer. Eu só queria me certificar de que você entenderia o meu motivo."
"Pensei que estivesse claro pra você o que sinto em relação a nós duas."
[...]
Arizona adormeceu com o celular em seu peito, havia dormido ouvindo a voz de Calliope.
Era evidente a tristeza na voz da tenente, mas ela precisava de um tempo para reorganizar algumas coisas.
Se perguntava como seria ter que encarar um dia de turno com ela, Erica e ainda Eliza, pensar nisso a deixava exausta.
Estava chateada com a situação e ainda com ciúmes. Ver Calliope aos beijos com Erica desbloqueou um sentimento que há muito tempo estivera adormecido. Claro que ela sentia ciúmes da sua namorada, mas não sabia que havia uma versão pior do ciúmes que ela já sentia.
Tentaria ignorar qualquer tentativa de Erica de se aproximar de Calliope, mas não sabia como seria estar no mesmo ambiente que as duas.
~.~
Qualquer erro será arrumado em breve!
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Broken - Calzona
FanficQuando Calliope Torres ficou viúva, sentiu uma nuvem nublada pairar sobre sua cabeça. A bombeira jamais se perdoou por não ter conseguido salvar a vida de Penelope Blake, sua esposa, desde então tornou-se uma pessoa enclausurada em culpa e amargura...
