Capítulo 9

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— EU? — perguntou, arregalando os olhos e levando o próprio indicador ao peito.

— Sim, você — ele apoiou os braços sobre o balcão — Eu estou tonto demais para dirigir e... não acho que seja uma boa ideia juntar dois bêbados.

— George... — Arizona fez uma pausa para então prosseguir — peça a qualquer outro.

— Todos nessa casa estão embriagados — disse, antes de andar cambaleando até a sala e pegar um bloco de notas, onde anotou, com tamanha dificuldade e em uma letra horrorosa, o endereço de Callie — me avise como ela está, certo?

— Certo — respondeu, a contragosto.

Dentro do carro ela já sentia-se nervosa. Odiou George por fazê-la ir até a casa da tenente mas não podia negar que a ideia de vê-la despertou uma faísca de animação dentro de si. Outra coisa que vinha ocupando os seus pensamentos era o fato de que Torres era viúva.

Lastimável, claro, mas ela também não podia deixar de se sentir em paz e feliz por isso. Será que estava sendo horrível demais ao pensar assim? No fundo ela sempre soube que Calliope trazia algo escuro, quase como uma melancolia, uma parte dela a denunciava facilmente.

Havia algo de triste na tenente, embora ela conseguisse ser quase que o oposto quando estavam juntas, mas na maior parte do tempo a tenente Torres era dona de uma infelicidade e tristeza quase sem fim.

Quando estacionou o carro em frente à casa da tenente e se dirigiu à entrada, tocando a campainha em seguida, encontrou uma mulher com o rosto abatido, roupas sujas de sangue e olhos fundos, de quem estava há muitas horas sem descansar.

— Arizona... — disse surpresa.

— Tenente Torres...digo, como devo chamá-la?

— O que está fazendo aqui?

— George está muito tonto e pediu para que eu viesse socorrê-la.

— Eu não preciso ser socorrida por ninguém.

— Ah... Tudo bem então — a loira não iria discutir com ela, claramente Torres não estava no seu melhor dia, mas a grosseria da jovem tenente havia deixado evidente em sua fisionomia que não havia gostado da forma como havia sido recepcionada. Ela virou-se para voltar para o carro quando sentiu a mão de Calliope em seu antebraço.

— Me perdoe — sussurrou, com a voz tão cabisbaixa que por um instante a loira achou que Torres fosse se desmanchar em choro — Eu não tô no meu melhor dia — sorriu sem graça. Calliope abriu caminho indicando para que a loira entrasse.

Arizona não havia deixado de observar como a mão da mulher a sua frente sangrava.

Quando já estavam do lado de dentro da casa, a loira correu os olhos rapidamente sobre o ambiente. Havia mais fotos dela e de sua esposa. A parte interna da casa era algo que obviamente havia sido pensado pelas duas, com móveis planejados e um sofá tão sofisticado que Arizona se perguntou quantas noites Calliope e Penny haviam passado ali, assistindo algo, virando a madrugada ou simplesmente de preguiça em um domingo pós almoço.

— Você precisa me deixar dá uma olhada nisso — disse a loira, colocando as chaves de seu carro sobre a mesa no centro da sala — Tem algum kit de primeiros socorros por aqui? — perguntou, olhando para uma Callie confusa e certamente tão embriagada que seria incapaz de se lembrar onde encontrar o kit — Certo, deixa eu pensar — disse, ao perceber que ela não responderia.

A loira tirou a blusa de frio e prendeu o cabelo em um coque frouxo — Onde tem um banheiro por aqui?

— No corredor à esquerda — respondeu.

Broken - CalzonaOnde histórias criam vida. Descubra agora