Capítulo 58

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— Eu estou bem, sério — disse a loira, com os olhos "caidinhos".

— Não está — Calliope a colocou sobre a cama, ignorando a bagunça que estava o quarto da loira.

A capitã procurou um termômetro dentro da própria bolsa que havia levado. Ela inclinou-se sobre o corpo da loira e pôs o termômetro embaixo do braço dela.

— Não precisa disso tudo — resmungou Arizona, ao sentir o material gélido em contato com a pele.

— Você deveria ter me dito que não estava bem, desde que horas está assim?

A loira virou-se para o lado, ignorando a pergunta e fechando os olhos para descansar.

Callie saiu do quarto para realizar uma ligação, ao voltar Arizona já havia adormecido. Ela deitou-se ao lado da bombeira e retirou o termômetro. Ouviu a loira murmurar sonolenta e quando tentou se afastar, Arizona virou-se rapidamente e pousou a cabeça sobre peito dela, a envolvendo com o braço.

A capitã apenas a abraçou, se livrando dos sapatos e puxando a coberta após perceber que Arizona tremia os lábios de frio, embora dentro da casa a temperatura não estivesse assim tão baixa.

Callie se certificou de manter o termômetro por perto para verificar novamente, caso a temperatura continuasse a subir e a febre não suavisasse em momento algum.

A capitã não afastou da loira por nenhum segundo sequer, e não se permitiu descansar embora ela estivesse exausta da longa viagem.

Por diversas vezes ela se pegou observando a loira dormir, a respiração tão profunda e pesada que ela se questionava se deveria acordá-la para saber se estava sentindo algum outro mal estar.

Calliope havia se decidido: ela não iria embora aquele dia, não sabendo que Arizona não estava bem. A verdade é que, mesmo se a loira estivesse cem por cento bem, ela não saberia dizer se ainda assim iria embora.

Havia essa pressa urgente em querer que tudo ao redor se resolvesse. Ela sabia que no momento em que fosse embora, um vazio estranho acabaria com ela.

Apesar de estar cansada, não era o seu corpo que precisava descansar, era o coração.

Certamente era isso que todo mundo sentia minutos antes, ou até dias antes de se despedir. Era uma dor pungente e dilacerante.

Arizona se mexeu e sussurrou alguma coisa inaudível e Calliope sorriu, encostando os lábios nas mechas loiras.

[...]

— Que bom que você ainda está aqui, eu dormi por quantas horas? — Arizona se sentou na cama, encostando as costas na cabeceira — Você está bem? Está com uma aparência...

— Horrível? — Calliope sorriu — Eu sei — ela colocou a bandeja sobre a mesa ao lado da cama — Foi o que consegui fazer, parece que um furacão passou pela sua despensa.

Arizona confirmou com a cabeça — Karev  — suspirou — aliás, onde ele está?

— Esteve aqui mais cedo, você estava dormindo. Hoje é a folga dele, deve ter ficado ressentido por ter esvaziado a despensa porque disse que iria ao mercado.

Arizona sorriu antes de olhar ao redor — Você arrumou meu quarto?

A capitã confirmou — Fiquei com medo de perder você no meio dessa bagunça e demorar dias para encontrá-la — disse, antes começar a rir.

Arizona revirou os olhos — Obrigada — a loira bateu com a palma da mão no espaço vazio ao seu lado. Calliope deitou-se ao lado dela, apoiando a cabeça em seu peito.

Broken - CalzonaOnde histórias criam vida. Descubra agora