Capítulo 51

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Quando chegaram ao quarto de Callie, a capitã colocou-a na cama. Tirou o celular do bolso e colocou sobre a escrivaninha.

— Acho que aqui é a parte mais quentinha da casa — comentou, de costas para Arizona, enquanto abria o guarda roupa e separava um pijama e toalhas — sem dúvida bem melhor que o hospital.

Callie a guiou até o banheiro e ligou o chuveiro para a loira. Elas tentavam ignorar o clima estranho que pairava ali. Calliope conhecia cada pedacinho do corpo da loira, mas sentia que mesmo assim devia se retirar para que a mesma se sentisse confortável, aliás elas não tinham mais nada.

— Ahn...eu vou até a cozinha preparar alguma coisa — anunciou, timidamente antes de virar-se para sair.

— Callie!

— Sim? — a capitã voltou rapidamente.

— Consigo me livrar das roupas de cima, mas meu pé problemático não me ajudará com a calça jeans — confessou, sentindo-se sem graça.

— Você quer que eu a ajude a tirar a calça?

— Estou pedindo muito? — perguntou, com uma carinha envergonhada.

— NÃO! — Callie respondeu prontamente — Quero dizer, de maneira alguma.

Arizona se livrou das peças de cima, ficando de sutiã. Quando foi a vez de tirar a calça, antes que ela pudesse desabotoar, os dedos de Callie deslizaram sobre os botões.

Elas tentaram ignorar a tensão sexual que acontecia ali. Haviam feito isso tantas vezes, era quase loucura sentir como se fosse a primeira.

Arizona mexeu no cabelo, inquieta. As mãos tocavam a própria nuca, nervosamente. Sua respiração ficou mais  vagarosa, como se ao tentar respirar de uma vez seus pulmões não fossem capazes de fazer a função que deveriam fazer.

A loira apoiou as duas mãos sobre os ombros da capitã, em uma maneira de equilibrar-se. Quando Callie escorregou a calça pelas coxas da loira, sequer ousou desviar seus olhos do dela. Arizona achou a intenção um tanto provocativa, se a ideia da capitã era enlouquecera, de fato estava conseguindo.

Arizona continuaria, era tudo o que ela queria: seguir com o jogo de Callie. Mas queria resolver a situação das duas, ela não viajou por horas para ter uma noite de sexo, apesar de ela desejar mais que tudo ter o corpo de Callie novamente, ela a queria todos os dias. Uma noite apenas não bastaria. Queria conversar, queria se entender, antes de tudo.

A loira suspirou antes de agradecer a capitã, que entendeu que sua ajuda não era mais necessária.

— Se precisar você pode gritar que eu venho rápido, ok?

— Pode deixar — sorriu agradecida.

[...]

Calliope agradeceu por, há alguns dias, ter feito as compras. Sua geladeira e dispensa estavam abastecidas.

Ela preparou uma refeição enquanto a loira ainda estava no banho.

Após alguns minutos, Callie subiu devagar, tentando ouvir se o chuveiro ainda estava ligado.

— Arizona? — chamou.

A loira estava terminando de se vestir, sentada na borda da cama. O pijama que Callie havia lhe emprestado era tão confortável e ainda tinha o cheiro dela.

— Sim? — respondeu secamente. A loira não conseguiu ignorar as mensagens que chegavam no celular da capitã, sobre a escrivaninha.

"Me perdoe por ontem, eu realmente não queria ter bebido tanto"

"Por outro lado, somente assim consegui ter coragem haha"

"Coragem até demais"

"Queria me desculpar pelo beijo, mas seria ruim me desculpar por algo maravilhoso"

"Eu entendo que você não está preparada pra isso e admito que sou impaciente... mas por você eu mudo todo esse panorama"

— Por que não me chamou? — perguntou a capitã — Eu a teria ajudado.

— Não queria incomodar — Arizona não a olhou em instante algum — aliás, acho que irei ligar para um hotel, não acho que seja boa ideia eu ficar aqui.

Callie a olhou, confusa — O quê? Como assim? — disse, dando um passo em direção à loira — Combinamos que ficaria aqui e amanhã decidiríamos.

— Preciso de um telefone, você pode me emprestar? — perguntou, rispidamente.

— Ok — confirmou Callie, balançando a cabeça, chateada.

A capitã pegou o celular de cima da escrivaninha, indo diretamente até os contatos. Ela esperou por alguns segundos, sem sucesso. Tentou mais uma vez, e mais uma antes de ir em direção à porta — Vou tentar ligar do telefone lá embaixo — concluiu antes de sair.

Arizona percebeu o quanto a decisão repentina de ir embora havia afetado a capitã e saber disso havia, de alguma maneira, a entristecido. A loira também estava com raiva e sabia que não tinha direito, já que também havia ficado com outras pessoas, mas não havia levado ninguém para a sua casa, para a sua cama.

Pensar que dormiria numa cama onde Callie provavelmente havia se aventurado com alguma mulher fez seu estômago revirar.

— Não consegui ligar, estamos sem sinal. O noticiário vinha anunciando que boa parte da cidade ficaria com a comunicação comprometida — Callie suspirou — ainda que eu conseguisse falar com alguém, não sei como iríamos, o aviso é que todos permaneçam em suas casas então — ela olhou fundo nos olhos de Arizona —  mesmo que não queira, você terá que passar a noite aqui — Callie abriu a porta do guarda roupa e pegou cobertas — Depois trago algo para você comer — disse com a voz partida.

— Não precisa — Arizona sabia que estava cometendo um erro enorme ao dizer isso, claro que precisava, ela estava faminta.

— Como quiser — Callie retirou-se não entendendo o que havia acontecido ali. Há alguns minutos, enquanto estavam no banheiro, a loira havia dado quase todos os sinais verdes para que avançassem uma até a outra. Como ela tinha mudado assim, tão rapidamente?

De repente era como se o terreno onde havia estado há muito tempo e o conhecesse muito bem houvesse se transformado em um terreno minado. Não sabia onde pisar, essa sensação de que tinha tudo e de repente não tivesse nada era torturante.

Dizer que estava se acostumando a não ter Arizona era um eufemismo, tê-la na sua casa comprovava que ela era alguém impossível de esquecer ou se acostumar a não ter. De alguma maneira ou de outra se esbarrariam novamente, ela só não imaginava que mesmo tão próximas, ainda assim era possível estarem tão distantes.

~.~

Qualquer erro será arrumado em breve!

Broken - CalzonaOnde histórias criam vida. Descubra agora