Capítulo 35

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Cinco horas da manhã, esse foi o horário em que Calliope acordou. Ela sabia disso porque o celular de Arizona despertou e a loira estava tão exausta que sequer teve forças para desligar o aparelho.

A tenente havia dormido tão rápido que nem lembrava-se do motivo da crise de riso que tiveram minutos antes de adormecer completamente. Ela e Arizona haviam tido conversas sem fim. Gostava do som da risada de Arizona e a loira amava ver o sorriso largo da tenente e a maneira como ela ria com vontade, jogando a cabeça para trás e levando a mão até o abdômen, admitindo que sua barriga doía de tanto rir.

Apesar de ser cedo e domingo, Calliope não conseguiu voltar a dormir. Ela encaixou o seu corpo atrás do corpo de Arizona e viu a loira procurar pela sua mão, para jogá-la por cima do próprio corpo.

A tenente a abraçou como se o ato de afrouxar um pouquinho os braços do abraço fosse capaz de levar para longe o amor da sua vida.

Calliope estava com aquela pressa lenta de quem sabe que nada mais importava, de uma maneira ou de outra, ela e Arizona dariam um jeitinho de fazer com que suas almas se encontrassem novamente e seus dedos preenchessem os espaços na mão uma da outra mais uma vez, mais várias vezes.

A tenente finalmente havia encontrado uma válvula de escape no cafuné da loira, uma válvula que fosse capaz de tirá-la da realidade avassaladora em que estava vivendo desde a perda de sua esposa.

De repente ela quis parar o tempo antes que ele parasse com elas. A loira havia sido a primeira pessoa que tentou se aproximar e a tenente não sentiu-se incomodada com a intenção, pois não queria colocar ninguém no espaço que era de Penny.

Foi a primeira vez em que Callie quis que alguém se aproximasse, na realidade, ela quis que fosse Arizona, a tenente só conseguia se sentir assim com ela.

Calliope realmente acreditava em abraços que recarregavam a alma e por muito tempo ela sentiu como se sua bateria estivesse por um triz.

Apesar de ter sido rude com a loira nos primeiros dias dela no regimento, Calliope no fundo sabia o porquê. Ela sabia que parte de seu corpo tremia com a presença de Arizona, porque ela sabia que todas as marcas profundas que arderam por um bom tempo simplesmente pareciam desaparecer, ou ao menos formar uma fina camada de cicatrização, isso porque ela conseguia esquecer o caos da sua vida ao estar ao lado da loira.

Arizona ainda dormia quando Calliope levantou-se para ir ao banheiro, às seis e meia.

Saindo do quarto ela assustou-se ao encontrar Karev indo para a cozinha, por um instante ela sentiu-se envergonhada por está de pijama: a calça moletom de Arizona e uma blusinha branca de manga, com estampa de girassol.

— Tenente! — cumprimentou, surpreso — que honra, agora entendi por que Arizona estava tão cansada ontem à noite e queria vir pra casa — brincou, arrependendo-se em seguida — fique a vontade.

— Bom dia, Karev — ela sorriu, gentil — por favor por aqui pode me chamar de Callie, ou Calliope como preferir.

— Quer dizer que você é...ahn, a pessoa da Arizona? — perguntou, curioso.

Callie sorriu, tímida. Era uma sensação maravilhosa compartilhar com alguém que de fato namorava Arizona — Sim, eu sou a pessoa dela e ela é a minha.

Karev sorriu, feliz pela amiga — Enfim, felicidades ao mais novo casal... Fique a vontade — disse, antes de se retirar.

Depois de ir ao banheiro e voltar para o quarto, deitou-se novamente ao lado de Arizona e as duas dormiram até a hora do almoço, quando Karev bateu na porta, dizendo que ele e Jo haviam assumido a cozinha e feito lasanha.

Broken - CalzonaOnde histórias criam vida. Descubra agora