Capítulo 47

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Agora que sabia que se tornaria capitã, Callie estava suavemente mais leve. Claro que esse cargo traria mais responsabilidades e vez ou outra, por mais que estivesse fazendo um ótimo progresso em suas sessões de terapia, ela ainda sentia um resquício de medo toda vez que via a sua namorada entrar em alguma casa ou prédio em chamas.

Embora Arizona lhe dissesse diversas vezes que não cometeria nenhuma estupidez, às vezes a loira acabava falhando e ela sabia que ao fazer o que havia dito que evitaria custe o que custar, estaria comprando uma briga gigantesca com a sua namorada/tenente. Mas o que ela poderia fazer?

Sabia que precisava voltar para Callie, mas ela havia nascido para salvar vidas e por mais que tentasse pensar em si em primeiro lugar, seu instinto acabava falando mais alto.

[...]

— Tenente Torres, preciso que acionem os canhões de água agora! — disse George pelo rádio comunicador, havia um tom alarmante em sua voz que despertou um velho sentimento em Callie.

A residência de dois andares possuía locais de difícil acesso e Callie quis por inúmeras vezes entrar e solucionar tudo, salvar todas as vítimas e trazer seu esquadrão são e salvo, mas sabia que não era assim que funcionava.

Quando seus bombeiros saíram um por um, caindo no chão, exaustos e com o rosto tão sujo de fuligem que seriam facilmente confundidos, Callie só conseguia pensar em que momento Arizona sairia.

Seus olhos estavam atentos na entrada da casa, que aos poucos desmoronava e em questão de minutos estaria no chão.

[...]

— Você não pode me punir por fazer o meu trabalho — esbravejou a loira, as duas estavam na sala de Callie, era a primeira briga que tinham em meses.

— Não estou punindo — Callie sentou-se atrás de sua mesa.

— Não? Tem certeza? Você me ignorou o dia todo e sequer procurou saber se eu estava bem, se há algo que a esteja deixando assim quero que me diga.

A tenente suspirou — Sim, fiquei chateada porque, mais uma vez, você ignorou tudo o que havíamos combinado.

— Não ignorei.

— Tudo bem, Arizona.

— Eu não posso ignorar o meu dever.

— E você acha que eu posso viver, que eu vou conseguir conviver com a culpa se algo acontecer com você? — a voz de Calliope vacilou por um instante e Arizona quis abraçá-la e dizer que jamais iria deixá-la porque se encarregaria de voltar todas as vezes, mas sabia que não dependia dela — E eu não falo como sua tenente, eu falo como sua namorada. Eu não peço mais nada de você, somente para que volte pra mim — ela apoiou os cotovelos na mesa e passou a mão pelo cabelo.

— Amor... — Arizona contornou a mesa para ficar mais próxima de Callie, pela primeira vez desde o início da discussão a loira havia cedido e suavizado o tom da voz, que esteve alterada em todo o diálogo — Desculpa.

Calliope girou na cadeira, virando-se para Arizona. A loira sentou-se em seu colo, sentindo as mãos de Callie enlaçar seu quadril — Desculpa — sussurrou mais uma vez, com a pontinha do nariz encostada no nariz da tenente, que estava de olhos fechados.

[...]

— Nós não vamos discutir isso aqui, Arizona — Calliope jogou o corpo sobre o sofá de sua sala, sentindo-se exausta por ter que falar sobre isso mais uma vez.

Após passar por cima de sua ordem mais uma vez, Arizona achava-se no direito de justificar suas atitudes com a tenente.

Há poucos dias de se tornar oficialmente capitã, Calliope sentia o estresse, juntamente a ansiedade, ganhar espaço consideravelmente grande no seu dia a dia.

Broken - CalzonaOnde histórias criam vida. Descubra agora