— Que azar nós tivemos — disse a tenente, com uma voz tão fraca que se Arizona não estivesse tão próxima jamais a teria entendido. Callie abriu os olhos lentamente e um sorriso fraco desenhou-se em seu rosto.
A tenente estava com curativos por todo o corpo e de hora em hora alguma enfermeira entrava no quarto para administrar algum analgésico e verificar seus sinais vitais. Callie estava com a cabeça enfaixada e, embora estivesse sob efeitos de medicações para a dor, ainda assim sentia uma dor latejante que por mais que quisesse ela não conseguia ignorar.
— Meu amor — disse Arizona, que havia se esgueirado pelo corredor até chegar ao quarto de sua namorada. Era madrugada e ela sabia que não conseguiria dormir sem antes vê-la. A loira havia se esforçado para chegar até o quarto de Callie, mas sentia que o curativo em seu abdômen implorava para que ela ficasse quieta e latejava absurdamente toda vez que a loira acelerava os passos.
Arizona estava sentindo-se mais feliz do que se lembrava de ter sentido havia muito tempo.
— Você acordou — disse, com seu coração mais leve do que estivera naquele dia. A loira queria abraçá-la, beijá-la e jamais sair do seu lado, mas estava certa de que, por mais que quisesse, tanto ela quanto Callie reclamaria das dores.
Calliope se remexeu sobre a cama, tentando ter uma visão mais ampla do amor da sua vida. O ato fez sua cabeça latejar em uma intensidade diferente e a tenente fechou os olhos fortemente, apertando-os, até a dor finalmente cessar.
— Ei — Arizona aproximou-se da cama — não se mexa, meu bem — ela acariciou o rosto de Callie e a mesma, com muita dificuldade, conseguiu colocar sua mão sobre a dela, beijando a palma da mão da loira em seguida.
— O que foi isso? — a tenente inquietou-se na cama, olhando a roupa hospitalar de Arizona levemente suja de sangue — V-você se machucou? O que está fazendo aqui com essa roupa? E por que está sangrando?
— Droga! — murmurou — Não é nada, depois vejo isso.
— Como não é nada, Arizona? — os olhos de Callie estavam arregalados e preocupados — como se machucou?
Arizona sorriu fraco e se inclinou, beijando a testa da tenente.
— Por que está rindo? O que você tem?
Arizona olhou o monitor que informava a frequência cardíaca da jovem tenente subindo rapidamente — Fique calma, se seus batimentos continuarem subindo dessa forma as enfermeiras virão aqui e me mandarão ir para o meu quarto — ela fez uma pausa, desenhando o contorno dos lábios de Callie com o polegar, suavemente — e não sei se consigo me contentar tendo você apenas por esses — ela olhou o relógio na parede — três minutos... então fique calma antes que me expulsem — sorriu ao concluir.
— Tudo bem — Callie respirou fundo, tentando fazer seu coração desacelerar — então me diga o quão machucada você está... Você veio escondida?
— Eu estou bem, apenas um arranhãozinho.
Calliope revirou os olhos e Arizona começou a rir, fazendo careta em seguida — Não colocariam essa roupa do hospital em você se fosse apenas um arranhãozinho e certamente você não estaria aqui a essa hora...
Arizona suspirou antes de responder — Machuquei ao passar pela janela, mas eu estou bem — respondeu com a voz tenra, tentando tranquilizá-la — Não precisa se preocupar, a única que deveria está preocupada aqui sou eu... Fiquei com medo. — ela olhou séria para Callie — Me perdoe por tê-la deixado sozinha, eu... — a loira quis continuar, mas foi interrompida.
— Não deveria pedir desculpas, você não tem culpa de nada.
— Como não? Como bombeira eu cometi um erro enorme ao deixar a minha tenente sozinha.
— Estamos falando como bombeira e tenente? — Callie esperou a loira confirmar antes de continuar — Como sua tenente eu digo que você só estava seguindo as minhas ordens, não há nada que se desculpar.
— Mas eu...
— Mas nada, esse assunto está encerrado — disse séria.
A loira abafou uma risadinha — Eu havia esquecido como você fica irresistível com essa postura — disse baixinho, olhando Callie sorrir desconcertada — eu tive tanto medo — revelou, após uns segundos em silêncio.
— Passou, tudo bem? — Callie lhe ofereceu seu melhor sorriso, embora ainda estivesse com o rosto abatido — Justo no dia em que falaria sobre você.
— Ah, sobre isso — a loira engoliu em seco — George acha que é melhor pensarmos bem antes de falar qualquer coisa a nosso respeito, apesar de eu achar que depois de hoje todos já saibam que existe algo além de profissional entre nós duas.
— É mesmo? — perguntou curiosa — o que você fez para nos entregar assim? — perguntou, animada.
Arizona pensou por um instante — fiquei alterada. Depois do que aconteceu hoje acho que todos ficaram sabendo, ou desconfiaram do quanto eu te amo — disse, com os olhos fixos em Callie.
Ela viu o rosto abatido da tenente se iluminar tão rapidamente que de repente foi como se as duas não estivessem em um quarto no hospital, ambas sob efeito de alguns analgésicos e com olheiras de quem não dormia há muito tempo.
Calliope sussurrou sem emitir som algum, a loira sorriu ao conseguir ler em seus lábios "Eu te amo".
Elas trocaram olhares carinhosos antes de seguirem com o diálogo.
— Ele disse que se fizermos isso irão me transferir do batalhão por causa da política e burocracia sobre casais atuarem no mesmo local de trabalho — disse a loira, com um tom triste na voz — Eu até aceitaria, mas não há mais vagas nos batalhões da cidade, a mais próxima fica há quatro horas daqui e...
— O quê? — Callie a interrompeu — Você não vai mudar de cidade, como vamos ficar? Eu não sei você mas eu não vou conseguir...
— Não sei como vamos fazer, eu também não vou conseguir.
— Não se preocupe com isso, tudo bem? — a jovem tenente estava pensativa — Mas de qualquer forma é melhor pensarmos antes de falar ou demonstrar qualquer afeto — concluiu, suspirando, sentindo-se frustrada.
— Eu sei que vai ser complicado, mas vai valer o esforço — a loira tentou animá-la — você é a melhor tenente que eu conheço e ninguém poderia me tornar uma bombeira melhor que você — elogiou-a.
Callie fez um beicinho entristecido.
— O quê? — Arizona sorriu e segurou o queixo da tenente.
— Eu sou apenas uma boa tenente? — ela levantou uma sobrancelha, maliciosa — Tenho certeza de que sou boa em muitas outras coisas também.
Arizona abriu a boca para falar, mas Calliope a olhava de modo a deixar uma tensão sexual pairando entre elas — Santo Deus, Callie — afastou-se bem rápido, como se quisesse um pouco mais de espaço para respirar — Ainda bem que estamos no hospital — brincou e Callie riu ao vê-la completamente desconcertada.
A enfermeira entrou no quarto, as interrompendo e mandando Arizona voltar para o quarto dela pois já estava tarde. A loira murmurou antes de depositar um beijo na testa de Calliope e sair em seguida, observando-a conter uma risadinha pelo o que havia acontecido. A jovem tenente jogou um beijinho antes de vê-la fechar a porta atrás de si.
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Qualquer erro será arrumado em breve!
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Broken - Calzona
FanfictionQuando Calliope Torres ficou viúva, sentiu uma nuvem nublada pairar sobre sua cabeça. A bombeira jamais se perdoou por não ter conseguido salvar a vida de Penelope Blake, sua esposa, desde então tornou-se uma pessoa enclausurada em culpa e amargura...
