— Eu sinto muito — disse o médico responsável pela situação de Minnick.
O pai da bombeira encontrava-se em estado de profunda decepção consigo mesmo ao mesmo tempo em que estava aliviado por saber que sua garotinha estava salva.
Ele sentou-se na cadeira na sala de espera e passou a mão pelo rosto, se perguntando como daria a notícia para a sua filha, a notícia de que infelizmente não conseguiram salvar a sua perna e que não amputar o membro não era uma opção viável caso quisessem salvá-la.
— Ela ainda está desacordada, sob efeito de anestesia — prosseguiu o médico.
O pai de Minnick mantinha o olhar distante enquanto observava a correria dos enfermeiros e médicos. Como diria a sua filha que a sua carreira de bombeira havia se encerrado ali, tão precocemente?
Por um instante se culpou por não tê-la impedido, mas como a impediria de fazer o que sempre sonhou fazer? Como impediria um sonho tão antigo da sua garota? Não seria capaz de cortar suas asas, achou que impulsionando seu vôo, facilitando sua entrada no batalhão estaria incentivando e totalmente de acordo com deus planos, dessa forma sentia-se presente na vida de sua filha.
— Eliza estar bem, embora que sem um de seus membros, é sem dúvida um milagre, senhor — disse o médico com voz que transcendia empatia. Ele sentou-se ao lado do pai de Minnick ao perceber seu semblante confuso e angustiante — Deve todo o respeito e gratidão à pessoa que a tirou dos escombros, sem esse ato de coragem Eliza não teria resistido e nem a amputação de sua perna seria capaz de salvá-la.
Ao dizer isso, o olhar do presidente do sindicato dos bombeiros que estava distante até o momento, arregalou-se e em seguida encheu-se de um brilho jamais visto antes. Seu olhar carrancudo e com ar de superioridade havia transformado-se em gratidão e amorosidade.
Podia está pior, ao invés de encontrar-se cabisbaixo por Eliza não poder mais atuar por conta da amputação, ele podia está sem chão, tentando extrair forças de algum lugar para planejar o funeral de sua única filha.
— Será um caminho longo até Eliza aceitar a sua nova condição, cercá-la de amor e ter paciência de que processo é diferente de acontecimento irá tornar a estrada um pouco menos dolorosa — o médico levantou-se e tocou o ombro do pai de Eliza, tentando confortá-lo, antes de se retirar.
[...]
— Você não pode se sentir culpada por isso — Arizona estava sentada no sofá, ainda de pijama enquanto fazia carinho nas mechas negras de Callie, espalhadas sobre sua coxa.
Seu toque delicado deslizando sobre o cabelo de Callie geralmente fazia com que a jovem tenente adormecesse, mas naquele momento Calliope continuava pensando na notícia que haviam recebido, a notícia de que Eliza precisou passar por um procedimento de amputação.
— Alguém uma vez me disse — começou a loira — que nem sempre vamos conseguir salvar todo mundo... Você a salvou, deveria está orgulhosa porque eu estou cheia de orgulho de você — Arizona inclinou-se sobre a cabeça de Callie em seu colo e deu um beijinho no seu rosto.
Calliope sorriu fraco e caiu no sono. Apesar de Eliza não ser uma boa pessoa para ela, a bombeira era da sua equipe. Se sentir um pouco mal por toda a situação era inevitável.
[...]
Quando a tenente e Arizona chegaram ao batalhão alguns dias depois, as duas foram recebidas com aplausos e comemorações.
Arizona vinha acumulando cicatrizes, seu braço ainda estava com um curativo sutil, resultado do último chamado em que estivera presente, o chamado em que Minnick ficou gravemente ferida.
Calliope ainda tinha ataduras nas mãos por conta dos cortes e ainda estava reflexiva com tudo o que havia acontecido.
Elas sorriram sem graça e se abraçaram de lado enquanto as aplaudiam. Elas tinham a impressão de que todos desconfiavam da relação delas, mas fingiam que ali não existia nada além de profissionalismo e não era mentira. Calliope e Arizona separavam suas obrigações, embora às vezes trocavam alguns beijinhos na sala da tenente e... Uma vez, ao sentirem-se completamente desejosas uma pela outra no vestiário, as duas amaram-se como nunca antes. Havia aquela deliciosa sensação de que estavam fazendo algo insano e proibido, por esse motivo havia sido tão enlouquecer quando Arizona, com seu toque suave encontrou o clitóris da tenente, ainda fardada em uma das cabines do banheiro.
— Toca aqui, Tenente Torres — George levantou uma das mãos, empolgado, para bater na mão enfaixada de Callie.
— George O'Malley, sempre tão engraçadinho — disse Callie rindo.
— Ela não pode tocar na sua mão, mas em casa ela toca outra coisa — Arizona sussurrou baixinho ao passar pelo bombeiro que fez uma careta de nojo, horrorizado.
— Preferia não ter escutado, Arizona — disse por fim, empurrando a loira que tinha um sorriso malicioso e satisfatório em seus lábios.
[...]
— Sobre o que se trata? — disse a tenente, visivelmente preocupada.
— Ele não quis informar, tenente — disse Owen, levantando-se de sua cadeira — Tem algo que eu precise saber? — perguntou sério.
— Sobre?
— Tenente Torres — disse pacientemente, respirando fundo antes de prosseguir — sobre você e Robbins — ele fixou seus olhos na tenente.
Calliope suspirou, tentando organizar seus pensamentos antes de começar a falar — Estou apaixonada por Arizona, capitão.
— É claro que está — disse o capitão, como se já soubesse de tudo... — É evidente a maneira como se olham e a forma como você fica nervosa e preocupada quando Arizona entra em um prédio em chamas e ela igualmente com você, por esses motivos preciso relembrá-la a conduta que deve ser utilizada.
Calliope sentou-se na cadeira em frente à mesa de Owen.
— Não é permitido, você sabe... — disse o capitão Hunt.
— Sim, eu sei — respondeu — não vou permitir que ela seja mandada para outro batalhão, ela fica e eu vou — Calliope relaxou o corpo sobre a cadeira, sentindo suas costas aliviarem por um instante — se houver punições mais severas, quero que recaia sobre mim — ela fez uma pausa — seria inevitável não me apaixonar por Arizona — revelou, por fim.
De alguma maneira deixar claro os seus sentimentos pela loira a deixou mais leve. Não sabia para onde a mandariam e quão distante ela estaria do amor da sua vida, mas Callie acreditava que com alguns esforços elas conseguiriam.
A tenente não iria negar que estava receosa com a reunião que teria com o presidente do sindicato. Certamente o boato de que havia uma relação amorosa entre tenente e bombeira havia chegado aos seus ouvidos. No decorrer do seu dia, ela quis pensar em outras coisas que não fosse nessa bendita reunião, mas não conseguiu. Estava ansiosa e nem conseguiu se alimentar.
Estava mais preocupada com Arizona, não gostaria de vê-la envolvida nessa confusão. Queria protegê-la de tudo, se perguntou desde quando as coisas vinham sendo assim, mas depois questionou-se se fazia algum sentido querer saber o momento exato em que Arizona havia atravessado a sua vida, o importante era que a loira havia decidido permanecer.
A bombeira bateu na porta da sala de Calliope e a tenente soube que era ela, as quatro batidinhas rápidas e duas lentas era típico da sua loira.
Quando Arizona entrou com um pote de comida que espalhava um cheiro delicioso por toda a sala, um sorriso irrompeu no rosto de Callie: sem dúvida alguma Arizona era uma das raras pessoas que a gente tem o privilégio de conhecer na vida e tem a obrigação de não deixar escapar.
~.~
Qualquer erro será arrumado em breve!
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Broken - Calzona
FanfictionQuando Calliope Torres ficou viúva, sentiu uma nuvem nublada pairar sobre sua cabeça. A bombeira jamais se perdoou por não ter conseguido salvar a vida de Penelope Blake, sua esposa, desde então tornou-se uma pessoa enclausurada em culpa e amargura...
