Capítulo 4

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Naquele dia, quando sua ambulância se dirigia para o hospital, a loira não deixou de lembrar-se da mão da tenente em sua cintura. Arizona passou as mãos sobre o rosto se sentindo completamente patética.

Era apenas a quarta vez em que estava vendo Calliope, como era possível a tenente invadir seus pensamentos dessa forma? A loira suspirou, pensando que dessa vez não seria assim, ela não iria ceder ao que quer que estivesse acontecendo.

[...]

— Você teve sorte, muita sorte — disse o Dr. Jackson Every, enquanto analisava concentrado as costas da tenente — Não é a pior das queimaduras, levando em conta que você usou o próprio corpo como barreira — ele deixou escapar uma risadinha — Vocês bombeiros são, com todo respeito, os profissionais mais radicais da face da Terra.

— Só perdemos para os médicos — a tenente comentou, sorrindo.

— Talvez nós estejamos atrás de vocês — Avery riu, antes de voltar a concentrar-se em seu trabalho.

Calliope sentiu o dia corriqueiro pesar em suas costas. Ela olhou o relógio em seu pulso, já fazia muito tempo desde a última vez em que dormira.

Quando Avery anunciou que havia terminado, ela agradeceu com um sorriso simpático e colocou uma camisa de treinamento com o número maior do que o que vestia, para não correr o risco de o tecido encostar em suas lesões.

Quando passou pelo corredor encontrou parte do seu esquadrão aguardando-a.

— O que estão fazendo aqui? — perguntou.

— Não iríamos embora até termos a certeza de que estivesse bem — disse O'Malley — parabéns pelo excelente trabalho, tenente. Seu gesto só comprova o porquê foi escolhida para liderar.

Calliope sorriu, sem graça. Apesar de atuar como bombeira há muitos anos, ainda não havia se acostumado a receber  elogios e tampouco como reagir a eles.

— O'Malley, por favor — disse, dando um empurrãozinho no melhor amigo — Vocês sabem que não mereço crédito nenhum, aliás — a tenente recuperou a compostura — se querem elogiar alguém, deveriam procurar pela bombeira Robbins, devo ressaltar que, embora o ato da mesma tenha sido digno de honrarias, ainda assim ela colocou a própria vida em risco sem pensar duas vezes, e não é assim que fazemos no nosso batalhão.

— A Robbins é muito teimosa, devem se acostumar com esse comportamento dela — disse Karev.

— Ninguém irá se acostumar ao comportamento dela — disse Calliope, séria — ela que terá que se adequar às nossas normas.

Fez-se um silêncio antes de a tenente voltar a falar — A propósito, onde ela está?

— Sendo atendida na ala de exames — respondeu Karev.

— Irei ver como ela está, obrigada pelo excelente trabalho, esquadrão — despediu-se antes de retirar-se.

[...]

Enquanto se dirigia até a sala onde a loira estava, a tenente se perguntou se deveria realmente fazer isso. Estava exausta e por vezes sentiu que seus olhos se fechariam sem que ela esforçar-se para isso, suas piscadas estavam cada vez mais demoradas.

Ela aguardou, sentada em uma cadeira próximo à sala.

Quando Arizona saiu, a loira assustou-se ao encontrar a tenente cochilando, lateralizada, com a cabeça encostada na parede.

A loira não soube o que fazer, provavelmente a tenente a estava esperando, mas ela não queria acordá-la, apesar de o lugar ser inapropriado e desconfortável, a tenente parecia estar tendo um sono profundo.

Alguns enfermeiros passaram pelo corredor no instante em que Arizona decidia se devia ou não despertar Calliope.

A tenente assustou-se aturdida e prontamente levantou-se, se dando conta de que havia caído no sono.

— Eu estou... dormindo há muito tempo? — perguntou, sentindo um pouco de vergonha.

— Ahn, bem — Arizona pigarreou antes de responder — não sei ao certo, mas acredito que não — respondeu, segurando as muletas firmemente.

— Ufa, espero que seja isso mesmo.

— Se dormiu por muito tempo, eu tenho certeza de que darão um crédito por você ser bombeira — comentou a loira.

Callie sorriu brevemente — Bom, eu vim aqui ver se você está bem, quero dizer — ela fez uma pausa olhando para o tornozelo de Arizona — realmente bem eu sei que não está, mas quero saber se há algo que eu possa fazer por você.

Arizona não pôde deixar de se sentir importante pelo fato de a tenente ter se incomodado em ir atrás dela para saber se estava bem e ainda perguntar se podia ser útil em alguma coisa.

— Obrigada, é gentil da sua parte — agradeceu, sorridente — Eu estou bem, a médica recomendou repouso, gelo, alguns analgésicos para dor, repouso e...— a loira pareceu pensativa — ah, é... e mais repouso — respondeu revirando os olhos.

Callie sorriu, o que havia de errado com ela? Sentia vontade de ficar sorrindo igual uma bobona, precisava recuperar sua compostura — Você fez um ótimo trabalho hoje, são pessoas com a sua coragem que fazem a diferença na equipe. Tenho certeza de que você será muito importante para o esquadrão — a elogiou e percebeu as maçãs do rosto da loira corarem imediatamente.

— Obrigada pelas palavras, certamente qualquer um ali teria feito igual.

— Mas — Callie mudou o tom de voz, se preocupando em deixá-la mais neutra e suave, ao invés de rude e grosseira — Devo admitir que jamais, em hipótese alguma você deve colocar a sua vida em risco como fez hoje. Preciso que me ouça quando eu der ordens, sei que você estava preocupada com as crianças, mas não posso correr o risco de perder um membro da equipe — disse, se preocupando com a maneira como a loira havia recebido as palavras.

— Entendi, tudo bem — Arizona respondeu, sentindo-se encolher, juntamente à sensação de orgulho que estava sentindo minutos atrás. Obviamente estava sendo advertida por ter feito o que precisava ser feito. Ela sabia que não devia se sentir um pouco mal por isso, mas não foi capaz de controlar.

A tenente provavelmente havia percebido o semblante da loira mudar rapidamente, como se de um lindo sol, nuvens nubladas tivessem invadido o céu límpido. Callie pensou em dizer algo mais, mas seu celular tocou. Ela pediu licença e virou-se para atender.

Arizona achou o momento ideal para se retirar. A tenente já havia dito tudo o que ela gostaria, não havia por que a loira continuar ali.

Naquela noite, Arizona, por mais que tentasse, não conseguiu deixar de repetir por inúmeras vezes a cena de Calliope a protegendo dentro do carro e também a cena da tenente segurando-a pela cintura. Esses momentos ao lado de sua superior a fez perder uma noite de sono, porque a todo momento em que ela tentava fechar os olhos para dormir, a imagem de Calliope invadia a sua mente em um turbilhão, com seu sorriso encantador e sua maneira de se movimentar e gesticular. Isso a estava enlouquecendo.

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Olá! Espero que estejam bem e estejam gostando ❤

Beijinhos e se cuidem 😘

Qualquer erro será arrumado em breve!

Broken - CalzonaOnde histórias criam vida. Descubra agora