Já era madrugada quando Calliope resolveu levantar e fazer chocolate quente.
Estava tão frio que ela sentia seus dedos doerem. O termostato na sala não era tão bom quanto no quarto.
Quando levantou do sofá e saiu debaixo das cobertas, sentiu seu corpo todo estremecer. Ela abraçou o próprio corpo e saiu para a cozinha. Enquanto preparava o chocolate quente, se perguntou se Arizona ainda estaria acordada, ou com fome. Fez chocolate quente para duas porções, ainda não sabia bem o por quê, Arizona não desceria e ela não se atreveria a entrar no quarto para perguntar se estava com fome, a loira havia sido curta e grossa o suficiente para que ela não se atrevesse a cruzar a linha que Arizona mesma delimitara entre as duas.
[...]
— Droga! — xingou baixinho ao sentir o líquido quente atravessar o tecido de seu moletom e esquentar a sua pele.
Callie tentou limpar, sem sucesso. A grande mancha de chocolate quente se espalhava pelo tecido em frente ao peito e agora sentia mais frio.
Não teria jeito, ela teria que ir até o quarto pegar outra roupa.
Um pé após o outro, ela subiu e abriu a porta do quarto. Apesar de ser a parte mais quente da casa, o quarto parecia estar, também, frio, não tanto quanto a sala. Ela abriu a porta do guarda roupa, aproveitando-se da claridade dos postes da rua que entravam pela janela.
Callie tirou o moletom e, Arizona, ainda acordada por conta da fome que sentia, viu os contornos do lindo corpo da capitã. Observou quando Calliope levantou os braços para colocar a blusa e, graciosamente, seus seios foram expostos sob a luz da rua.
Sentiu os pelos de sua nuca se arrepiarem.
— Santo Deus, Arizona! — Callie levou a mão ao próprio peito, assustando-se ao perceber que a loira estava acordada.
— Desculpa.
— Eu a acordei? — perguntou, ajeitando a blusa em seu corpo.
— Pra falar a verdade, ainda nem dormi.
— Muito frio? — Callie abriu a porta do guarda roupa onde ficavam os cobertores — Por que não pegou mais?
— Achei que fosse precisar — ela fez uma pausa, odiando-se por ter que admitir isso — mas estou com fome e não consigo ignorar os barulhos que vêm da minha barriga.
Callie inclinou a cabeça para o lado e a loira estava esperando a maior bronca da capitã, mas ao invés disso a voz que ouviu foi mais atenciosa possível.
— Deveria ter me chamado — Callie sentou-se na borda da cama — Vou pegar algo para você comer.
— E...— Arizona engoliu em seco — preciso muito ir ao banheiro.
— Você não consegue sozinha? Mais cedo você...
— Eu sei, eu sei — interrompeu-a — mas veja — ela sentou na cama e puxou a calça moletom até o joelho revelando um grande hematoma — não sei se consegue ver.
— Claro que consigo — Callie inclinou-se um pouquinho para a frente, analisando — Você é muito teimosa.
A loira deitou novamente e escondeu o rosto sob a coberta.
— Às vezes você precisa admitir que precisa de ajuda, sabia? — disse Callie, ao levantar-se — Vou levá-la até o banheiro, depois desço até a cozinha e trago algo para você, ok?
Arizona balançou a cabeça, ainda sob a coberta. Quando Calliope pôs-se de pé ao lado da cama, Arizona ajeitou-se sentando-se na borda. A capitã inclinou-se para pegá-la no colo e quando o fez seus rostos ficaram a milímetros desprezíveis de distância. Por um instante seus olhares congelaram.
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Broken - Calzona
FanfictionQuando Calliope Torres ficou viúva, sentiu uma nuvem nublada pairar sobre sua cabeça. A bombeira jamais se perdoou por não ter conseguido salvar a vida de Penelope Blake, sua esposa, desde então tornou-se uma pessoa enclausurada em culpa e amargura...
